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Estudo muda tratamento das doenças cardiovasculares

20 de Maio de 2003 (Bibliomed). A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) está discutindo novas diretrizes para o tratamento das doenças cardiovasculares – principal causa de morte no Brasil – com base em um estudo que mostrou que quanto menor o colesterol chamado ruim, menor a incidência de derrame e de infarto. Assim, a pessoa que apresentar três ou mais fatores de risco para doenças cardiovasculares (hipertensão, sedentarismo, tabagismo, obesidade, diabetes, estresse, hereditariedade e idade acima de 55 anos) poderá ser surpreendida por uma indicação de medicamento para baixar o colesterol, mesmo tendo um nível normal ou moderadamente elevado.

O estudo foi realizado no Reino Unido e em países escandinavos com 10.305 pessoas. Comparado com o grupo de pacientes que tomou placebo, o grupo que recebeu 10 mg de atorvastatina apresentou 36% menos problemas coronários fatais e infartos do miocárdio não-fatais, 27% menos derrames e 21% menos eventos e procedimentos cardiovasculares.

O coordenador da Divisão de Cardiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Otávio Rizzi Coelho, explica que o estudo foi planejado para durar 5 anos (de 1998 a setembro de 2003), mas foi concluído com 3 anos e 3 meses. “Os resultados foram tão bons que o Comitê de Segurança recomendou que os que estavam tomando placebo começassem a tomar o remédio imediatamente, porque não seria ético deixá-los sem o medicamento”, disse Coelho.

Para o presidente da SBC, Antônio Felipe Simão, mesmo sendo um medicamento caro (a caixa com 30 comprimidos custa quase R$ 70), que precisa ser tomado diariamente e pelo resto da vida, o custo-benefício da atorvastatina é grande. “A atorvastatina é uma droga moderna e segura. Não é barata, mas evita custo de internação em UTI, de afastamento do trabalho por causa de seqüelas e de mortes.

A prevenção é muito mais barata e os efeitos colaterais são raros, como transtorno no fígado e problemas musculares, que são detectados em exame e desaparecem quando o medicamento é suspenso”, explicou Simão, acrescentando que hoje a atorvastatina é a droga com maior faturamento de vendas no mundo - cerca de US$ 8 bilhões por ano.

Eurico Correia, gerente Médico de Grupo de Produtos dos Laboratórios Pfizer (que detém o direito de fabricar e comercializar a atorvastatina por 20 anos), contou que ele já foi incluído na lista de medicamentos especiais do Ministério da Saúde, por meio da portaria 1318, para ser disponibilizado gratuitamente pelo SUS, mas que ainda não está disponível nos postos do País.

Os médicos ressaltam, no entanto, que o indivíduo deve ser visto como um todo e que é importante controlar a hipertensão arterial e o diabetes, suspender o cigarro, praticar uma atividade física regular e sistematizada, controlar o peso, evitar o estresse, manter uma dieta equilibrada com baixo teor de gordura saturada para manter o colesterol e o triglicéride em níveis adequados, fazer avaliação clínica periódica a partir dos 20 anos.

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