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Visita pré-natal, alimentação saudável e amparo familiar são essenciais para as gestantes adolescentes

08 de Abril de 2003 (Bibliomed). A gravidez não é uma doença, mas pode acarretar problemas quando a mãe é muito jovem. Além do preconceito, do abalo emocional e de perdas como o abandono dos estudos, as meninas correm mais riscos do que as gestantes adultas. Entretanto, o baixo peso do bebê ao nascer, a mortalidade materna ou perinatal e o parto prematuro podem ser evitados ou minimizados com alguns cuidados. O alerta é do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (Demqs/Ensp), com base em duas pesquisas feitas sobre a mesma amostra de meninas, entrevistadas após o parto em maternidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), em 1999 e 2000.

A enfermeira Silvana Granado coordenou um estudo com 1.967 gestantes, com idades entre 10 e 19 anos, com a intenção de identificar o perfil das que tiveram número insuficiente de consultas de atendimento pré-natal. A pesquisadora considerou as seguintes variáveis: condição social, moradia, apoio familiar, satisfação com a gestação, história reprodutiva da mãe e uso de drogas ou hábito do fumo.

O estudo apontou que as mães que tiveram no máximo três visitas ao pré-natal são residentes de domicílios sem água encanada, apresentam baixo nível educacional, não moram com o pai do bebê, têm um ou mais filhos, estão insatisfeitas com a gravidez, tentaram abortar ou fumaram, beberam e/ou usaram drogas durante a gestação. “Em relação ao fumo, é interessante observar que houve um crescimento na proporção de mães que abandonaram o hábito na mesma direção do crescimento do número de consultas realizadas”, ressaltou.

Já a psicóloga Adriane Sabroza e a nutricionista Denise Barros estudaram uma amostra de 1.228 mães adolescentes e descobriram entre as conseqüências negativas que a gravidez trouxe para essas meninas a interrupção dos estudos, a dependência financeira da família, a pouca expectativa em relação ao futuro e o despreparo no cuidado com o bebê. “O alto nível de tensão sofrido pelas adolescentes pode influenciar na relação com o filho. Na literatura médica, sabe-se que crianças nascidas de adolescentes tendem a sofrer mais a negligência materna, têm maior risco de serem adotadas e sofrem mais acidentes por conta do despreparo das mães”, disse Adriana.

De acordo com a pesquisa, as mães com até 16 anos que não viviam com os pais do bebê apresentaram a pior condição social e emocional. A maior parte das gestantes engravidou sem querer, o que se deve à imaturidade das adolescentes, à iniciação sexual precoce e à falta de acesso aos meios de contracepção. A autovalorização negativa foi maior entre as meninas que tinham uma relação familiar ruim, não estudavam e são negras ou pardas.

Em relação à expectativa em relação ao futuro, os melhores índices foram apresentados pelas gestantes de classe social mais baixa, que apostavam na gravidez como uma possibilidade de melhora de vida. A pesquisa constatou também que um terço das gestantes tinha nível intenso de sofrimento psíquico, principalmente entre as que deram à luz em maternidades privadas. Em relação à alimentação das gestantes, a pesquisa indicou que 87,5% das entrevistadas mostraram carência em ferro, 83,8% ingeriram quantidade insuficiente de cálcio e 47,1% consumiram menos do mínimo necessário de ácido fólico.

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