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Cuidador vive no limite do estresse

03 de Outubro de 2002 (Bibliomed). Não são apenas os pacientes que necessitam de atenção. Os acompanhantes também se desgastam muito, por causa da responsabilidade, do medo e até da culpa. Foi o que constatou a enfermeira Ana Raquel Medeiros Beck, em sua pesquisa de mestrado “Tensão devida ao papel de cuidador entre cuidadores de crianças com câncer”, apresentada na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (SP).

A pesquisadora observou que a evolução do câncer em si provoca o desgaste em 100% dos cuidadores. As características definidoras para a tensão do cuidador mais freqüentes foram: apreensão quando ficar doente ou estiver para morrer (62%), atividades e cuidados alterados (54%) e preocupação com a rotina dos cuidados (46%). A maioria dos cuidadores (94%) era mulher, sendo que 88% deles não tinham descanso ou recreação suficientes, 78% eram inexperientes em cuidar de doentes e 68% enfrentavam os problemas psicológicos do doente.

Ana Raquel também avaliou o grau de dependência da criança (para vestir-se, alimentar-se, locomover-se), o grau de ajuda recebido de outras pessoas para cuidar do paciente e os prejuízos à vida pessoal do cuidador. As crianças de três a seis anos apresentaram maior grau de dependência dos cuidadores (72,5%) do que as de sete a dez (66,5%). Dos cuidadores que tinham companheiros, 93,2% recebiam algum tipo de ajuda, mas a mãe considerava a criança doente sua obrigação, cabendo ao marido cuidar da casa e dos outros filhos. Dos cuidadores que trabalhavam fora e/ou estudavam, 100% apresentaram prejuízo no trabalho e/ou estudo. Por causa do tratamento da criança, eles não conseguiam dormir (94%) e enfrentavam muitas perdas: 90% no lazer, 82% no humor e 80% no sexo.

Ana Raquel observou ainda que nem sempre a equipe multiprofissional orienta os acompanhantes da criança de forma adequada, talvez por falta de tempo ou por desconhecer a importância disso. “Se o cuidador não é esclarecido, ele capta tudo o que está ocorrendo, sofre tudo o que a criança está sentindo. Ele precisa seriamente de auxílio profissional, a fim de ter os fatores de risco para tensão sanados. Mais equilibrado, ele oferecerá melhores cuidados”, alertou.

A pesquisa foi realizada no Centro Infantil “Dr. Domingos A. Boldrini”, referência brasileira no tratamento do câncer infantil, onde foram entrevistados 50 cuidadores (45 mães, três pais e duas avós) de crianças com leucemia.

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