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Estudo com células-tronco pode ser esperança para pacientes com lesão na medula

18 de Junho de 2002 (Bibliomed). Uma pesquisa inédita no País, coordenada pelo Instituto de Ortopedia da Universidade de São Paulo (USP), pode ser a esperança de cura para pacientes com paralisia provocada por lesões na medula. Trinta pacientes, dentre eles a treinadora de ginástica Olímpica do Flamengo, Georgete Vidor, vão se submeter a um transplante de células-tronco. O objetivo é que eles consigam recuperar sua capacidade motora.

Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho, coordenador do trabalho e diretor do serviço de coluna da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, está animado com as perspectivas de sucesso, tendo em vista os resultados obtidos num estudo semelhante feito com animais.

Entretanto, ele também acredita que é preciso ter cautela nas expectativas, já que nem sempre os bons resultados são repetidos quando o estudo é feito com humanos.

Até agora, as células-tronco já foram retiradas de cinco pacientes. Georgete está esperançosa principalmente porque o conhecimento resultante do trabalho poderá beneficiar outras pessoas.

O especialista explicou que o material retirado dos pacientes será guardado e, dentro de algum tempo, colocado na área da lesão. A equipe pretende transplantar, em cada paciente, cerca de dois milhões de células-tronco. Erika Barros, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Lesão Medular, também integra o grupo de especialistas e acredita que os transplantes poderão ser feitos até o final do ano.

Erika explica que, quando ocorre uma lesão na medula espinhal, a comunicação dela com o cérebro e outras partes do corpo fica interrompida. Uma lesão na região torácica, por exemplo, traz uma perda maior de movimento do que uma que ocorre na região lombar. Nos pacientes com lesão na medula, o crescimento dos axônios é interrompido. A esperança é que as células-tronco possam fazer os axônios crescerem novamente.

Depois do transplante, os pacientes serão acompanhados durante cinco anos. Nesse período, a equipe vai verificar se a técnica proporcionou o crescimento dos axônios, responsáveis pela transmissão do impulso de uma célula para a outra. Se o crescimento for constatado, existe a possibilidade dos pacientes recuperarem movimentos e sensibilidade perdidos com a lesão.

O estudo está sendo feito com a colaboração do Instituto de Radiologia e a Fundação Hemocentro, que selecionou os pacientes que tiveram lesões há mais de dois anos provocadas por quedas ou acidentes. A técnica não pode ser usada em pacientes vítimas de tiros ou facadas porque, nesses casos, geralmente, existe dano nas artérias da região. Segundo Barros, como as células serão injetadas, é preciso que as artérias estejam íntegras.

Assim como ocorreu com a treinadora Georgete, a principal causa das lesões de medula no Brasil são os acidentes automobilísticos. Em segundo lugar está o ferimento a tiro, responsável por 27% dos casos, seguido por quedas, com 13% e mergulho, com 10%. A cada ano, são constatados 8.500 casos novos de lesão na medula.

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