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Amamentação influencia inteligência em adultos

28 de Maio de 2002 (Bibliomed). Acrescentando mais um dado às evidências crescentes dos benefícios alcançados a longo prazo pela amamentação, um estudo mostra que crianças que são amamentadas ao seio até os 9 meses de idade se tornam adultos com QI maior do que o observado em adultos que não foram amamentados quando bebês.

Foi publicado na revista Journal of American Medical Association um estudo que é o primeiro a demonstrar a relação entre amamentação e o nível de inteligência em adultos. Outros estudos já haviam demonstrado o papel da amamentação no desenvolvimento intelectual, mas as avaliações foram em sua maioria realizada em crianças.

Os pesquisadores, liderados pelo Dr. Erik Lykke Mortensen, não sabem dizer por que a amamentação pode influenciar desta forma na inteligência, mas especulam que o leite materno tenha nutrientes que não são encontrados em fórmulas infantis ou leite de vaca. O leite materno contém ácido docosahexaenóico (DHA) e ácido araquidônico (AA), ambos nutrientes do grupo dos ácidos graxos polinsaturados; estes nutrientes parecem aumentar o desenvolvimento cerebral, segundo estudos anteriores. Recentemente, estes nutrientes foram acrescentados às fórmulas para alimentação infantil artificial nos Estados Unidos.

Outra possibilidade é a maior ligação mãe-filho desenvolvida durante a amamentação. Uma mãe que amamenta passa muito mais tempo em contato direto com a criança do que uma mãe que não amamenta, e pode ser que esta ligação mais estreita estimule mais o desenvolvimento cerebral destas crianças. Além disto, pode ser que a decisão de amamentar ou não selecione mães que estejam mais dispostas a investir tempo e energia no cuidado de seus filhos, o que poderia fazer diferença mais tarde em termos de inteligência e desenvolvimento.

Segundo os pesquisadores, todos os três fatores – nutrientes, estimulação materno-infantil e envolvimento da mãe no cuidado da criança – podem ser importantes para esta associação entre amamentação e inteligência. Os pesquisadores acham necessário o desenvolvimento de outras pesquisas para elucidar qual fator é mais importante no desenvolvimento da inteligência dos indivíduos na idade adulta.

No estudo, os pesquisadores acompanharam os resultados de dois testes de inteligência diferentes realizados quando os indivíduos tinham 19 e 27 anos. Os resultados foram cruzados com dados sobre a duração da amamentação nestes indivíduos, e foi demonstrado que os resultados dos testes cresciam proporcionalmente ao tempo de amamentação até os nove meses. Outros fatores, como status social e nível educacional dos pais, ganho de peso materno durante a gravidez, peso ao nascer e outros foram excluídos, e a relação entre amamentação e inteligência permaneceu.

Segundo dados do estudo, mães mais velhas e com maior nível educacional e maior status social foram mais propensas a amamentar durante períodos maiores, enquanto mães solteiras e fumantes foram menos propensas a esta prática. Crianças maiores e mais pesadas ao nascer foram mais propensas a serem amamentadas.

O importante neste estudo é que ele acrescenta ainda mais evidências que confirmam os benefícios alcançados pela amamentação natural. O aleitamento materno continua sendo a melhor opção para a alimentação infantil, trazendo benefícios inegáveis tanto para a mãe quanto para a criança. Dentre os benefícios trazidos para a mãe encontramos prevenção de hemorragias no pós-parto, prevenção de câncer de mama, melhor retorno ao peso que a mãe tinha antes de engravidar, crescimento da ligação mãe-filho e custo zero. Para a criança, a amamentação propicia alimentação na temperatura e quantidade ideais, menor risco de diarréia e infecções intestinais, proteção contra doenças, crescimento adequado e, segundo estes estudos, melhora no desempenho cognitivo na idade adulta.

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