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Maconha reduz QI de usuários

15 de Maio de 2002 (Bibliomed). Muito se tem pesquisado sobre os efeitos benéficos e maléficos da maconha sobre o organismo humano, e existem controvérsias no mundo todo sobre a liberalização de seu uso, inclusive no Brasil. Foram realizados estudos ligando seu uso ao enfisema pulmonar e ao câncer de pulmão, assim como outros malefícios graves à saúde física, mental e social. No Brasil, seu uso ainda é ilegal, apesar de estar sendo feito um esforço em direção à descriminalização parcial de seu uso. O THC (tetrahidrocanabinol), substância ativa da maconha, é utilizado com reservas nos Estados Unidos em pacientes portadores de doenças graves como o câncer como estimulante do apetite e inibidor de náuseas e vômitos. O THC, nestes casos, é utilizado tanto em forma de pílulas quanto em forma de cigarros, como é habitualmente consumido pelos usuários ilegais.

Agora um estudo canadense mostra que usuários pesados da droga, que fumam cinco ou mais porções (cigarros) por dia apresentam uma queda no QI, ou quociente de inteligência. O QI é a medida objetiva da capacidade intelectual de uma pessoa, ou sua inteligência, e quanto maior o seu número, maior a capaz de raciocínio e pensamento abstrato.

O estudo, envolvendo 74 participantes, foi parte de um estudo maior que acompanhou estes mesmos indivíduos desde o nascimento. Todos realizaram testes de QI quando tinham entre 9 e 12 anos e novamente entre os 17 e 20 anos. Eles também relataram a ocorrência de uso de drogas e realizaram testes em amostras de urina para verificação do uso recente das mesmas.

Os resultados indicam que aqueles que fumavam maconha recentemente e foram considerados usuários pesados mostraram uma redução no QI comparado ao resultado obtido na pré-adolescência (9-12 anos). Os pesquisadores, liderados pelo Dr. Peter Fried da Carleton University em Ottawa, Ontário, Canadá, relatam que esta associação não foi observada em usuários menos freqüentes ou naqueles que já haviam parado a pelo menos 3 meses.

A relação entre o uso de maconha e a redução no QI foi observada mesmo quando os pesquisadores levaram em conta outros fatores que poderiam influenciar os resultados, como performance escolar anterior, uso de outros tipos de drogas e o nível de escolaridade dos pais.

Muitos outros estudos sobre a relação entre o uso de maconha e déficits mentais de curto prazo já foram realizados, mas ainda se discute se estes déficits permanecem ao longo da vida. Um outro estudo recente sugere que pessoas que fumam maconha por longo tempo e em grandes quantidades apresentam problemas de memória e atenção. A equipe do Dr. Fried observa que funções mentais específicas, como memória e atenção, podem ser mais vulneráveis ao uso de maconha do que a medida mais ampla de inteligência que eles utilizaram neste estudo.

Sobre a conclusão de que o abandono do uso da maconha reverte as alterações observadas no QI dos usuários, os pesquisadores dizem que estes dados devem ser vistos com cautela, devido ao pequeno número de participantes que se encontravam nesta situação. Segundo eles, dentre os 74 participantes, apenas 9 eram ex-fumantes pesados de maconha e foram avaliados como tal.

O estudo foi publicado na revista Canadian Medical Association Journal, e suas conclusões, apesar de limitadas pelo pequeno número de participantes do estudo, levantam questões importantes sobre os efeitos químicos da droga sobre os cérebros dos usuários. Outras questões importantes na discussão do uso de maconha são os danos sociais que ela pode causar, como envolvimento com traficantes para aquisição da droga, a dependência psicológica que a mesma pode causar, o risco de progressão para outras drogas mais pesadas e sabidamente mais prejudiciais ao indivíduo, dentre outros. O problema do uso de drogas é de alcance mundial e deve ser amplamente discutido e suas variáveis analisadas por todos os segmentos da sociedade, para que estratégias de combate ao seu uso sejam desenvolvidas em todos os níveis, desde a família até o governo e órgãos internacionais.

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