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Droga utilizada em doping aumenta risco de derrame cerebral

Belo Horizonte, 15 de Março de 2002 (Bibliomed). A droga EPO já é conhecida como uma das substâncias ilegais utilizadas para aumento da performance esportiva mais perigosa. Seu nome é epoetina, abreviado para EPO, e é uma versão artificial do hormônio natural eritropoetina. O hormônio tem como ação estimular a produção de células vermelhas do sangue, e é utilizado para tratamento de alguns casos de anemia grave. Seu uso por esportistas visa o aumento das células vermelhas do sangue, aumentando a capacidade de transporte de oxigênio para os músculos e, assim, a capacidade de realizar exercícios por parte dos esportistas.

Seu efeito na produção de células vermelhas aumenta a viscosidade do sangue, predispondo à ocorrência de ataques do coração ou derrames nos usuários. A substância já foi responsabilizada pela morte de cerca de 20 ciclistas na Europa desde o final da década de 80.

Agora, mais um caso vem confirmar este risco. De acordo com o Dr. Jose Manuel Martinez Lage, coordenador dos autores do artigo, este caso vem mostrar que a combinação do uso da EPO com a desidratação causada pelo esforço físico extenuante pode apresentar riscos importantes para indivíduos saudáveis.

O paciente, um atleta de 26 anos de idade, procurou atendimento médico com uma dor de cabeça que persistiu por 2 meses e piorou durante uma competição na qual ele havia participado na semana anterior. Ele admitiu o uso de EPO a cada dois dias nos últimos 3 meses, juntamente com hormônio do crescimento (também ilegal em esportistas) e vitaminas.

Os médicos realizaram exames de imagem cerebral, que revelaram a presença de um coágulo no cérebro do jovem. Provavelmente, este coágulo estava causando os sintomas relatados, e muito provavelmente, dada a idade e saúde geral do indivíduo, estava diretamente relacionado ao uso de EPO.

Este caso ilustra o risco elevado proveniente do uso destas substâncias para fins de aumento de performance esportiva. As pessoas devem sempre se lembrar que estas substâncias conhecidas por suas propriedades de aumento da capacidade de realizar exercícios, em sua grande maioria provocam efeitos colaterais graves e potencialmente fatais. O fato de serem ilegais leva os indivíduos a utilizar estas drogas sem qualquer orientação médica, muitas vezes baseados apenas nos relatos de indivíduos que as utilizaram e da propaganda feita sobre o produto no meio esportivo.

Esta falta de orientação confiável aumenta ainda mais o risco à saúde, já que, sem informação, os esportistas tendem a achar que estas substâncias são “milagrosas” e não irão causar nenhum dano à sua saúde, que eles imaginam ser inabalável. Campanhas cada vez maiores visando o abandono destas substâncias com fins de aumento de força e resistência devem ser feitas, orientando adequadamente este grupo de usuários, com o objetivo de preservar a prática esportiva como atividade realmente saudável e não como um palco onde tudo é válido em busca de um resultado favorável.

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