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Pesquisa confirma vírus da Aids mais resistente no Brasil

Belo Horizonte, 19 de Fevereiro de 2001 (Bibliomed). Brasileiros que se infectam com o vírus da Aids já estão contraindo um tipo mais resistente do HIV. A tese foi confirmada por pesquisadores brasileiros que realizaram estudos preliminares sobre o assunto em todo o País. Os resultados indicam que muitas pessoas contraem um tipo de vírus que é resistente ao coquetel de medicamentos porque tiveram contato com doentes em tratamento.

A resistência foi estudada em nove estados brasileiros e foi confirmada pela análise de amostras de sangue. De 154 amostras analisadas, seis tinham mutações do HIV contra pelo menos uma das drogas que compõem o coquetel.

O estudo revelou disparidades regionais com relação à resistência. Os soropositivos mais resistentes estão nas regiões Sul e Sudeste do País e a resistência é maior aos medicamentos que já são usados há muito tempo no Brasil, como o AZT, 3TC, ddC, ddI, etc.

No Norte, Nordeste e Centro-Oeste não existem casos desse tipo, enquanto que a taxa de HIV resistente em Santos, no litoral Paulista, chega a 20%.

Apesar de ser uma má notícia o fato de que para os soropositivos resistentes possa não haver tratamento eficaz, os pesquisadores se animam com o baixo índice de resistência. No geral, a média brasileira de resistência é de apenas 3,8% enquanto que, em países desenvolvidos, as taxas giram em torno de 10% a 25%.

A pesquisa do Ministério da Saúde também mostra uma mudança no subtipo do vírus HIV que circula em todo o território nacional. Até recentemente, acreditava-se que era o vírus do tipo B, o mesmo que circula na Europa e nos Estados Unidos era o que mais contaminava os brasileiros.

Entretanto, constatou-se que o subtipo C, comum na África e de contágio mais fácil, está vitimando um número crescente de pessoas no País.

Também com relação ao subtipo, verifica-se maior incidência do tipo C no Sul e Sudeste do Brasil. Em Porto Alegre, por exemplo, 45% das amostras eram desse subtipo e outras 14% eram formas do vírus que misturavam C e outro subtipo. Além do Rio Grande do Sul, foram encontrados vírus do tipo C no Paraná e no Rio de Janeiro.

Segundo Ricardo Diaz, chefe do laboratório de retrovirologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das hipóteses para o crescimento de casos do vírus do subtipo C é que ele pode ter uma vantagem biológica em relação a outros vírus que, em todo mundo são classificados de A a J.

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