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Pacientes recebem resultados dos primeiros testes de genotipagem, que indicam resistência do vírus HIV aos anti-retrovirais

Belo Horizonte, 28 de Janeiro de 2002 (Bibliomed). O Ministério da Saúde definiu quais serão os laboratórios nacionais que farão o teste gratuito de resistência do vírus HIV aos medicamentos anti-retrovirais que compõem o coquetel. Os resultados dos primeiros testes começam a ser entregues aos pacientes.

O Brasil será o primeiro país do mundo a realizar esse tipo de análise através da rede pública. Foram selecionados doze laboratórios com base nas competências técnica e científica apresentadas. Esses centros são ligados a universidades federais ou a instituições e hospitais públicos.

Os testes indicarão quais medicamentos são mais adequados para as pessoas que apresentaram falha na terapia. O sistema de análise está sendo chamado de Rede de Genotipagem.

Para o primeiro ano de funcionamento da rede, foi investido cerca de US$ 1 milhão na compra de 6 mil testes. O governo reconhece que o número de testes disponíveis é restrito e pretende ampliar a quantidade, o que vai depender do resultado obtido com as primeiras amostras. Atualmente, aproximadamente 113 mil pessoas fazem uso de medicamentos anti-retrovirais em todo o País.

Devido à restrição inicial, foram estabelecidos critérios para indicar a realização do exame. Para se candidatar ao teste, o paciente do SUS precisa ter apresentado falha terapêutica pela primeira vez. Necessariamente, a pessoa deverá estar tomando algum remédio da classe dos inibidores de protease (saquinavir, ritonavir, indinavir, nelfinavir e amprenavir).

Outra característica será apontada no exame de carga viral, que detecta a quantidade de HIV no sangue e indica o momento em que os medicamentos perdem poder de combate. Será beneficiado o paciente cujo teste apresentar um resultado superior a 5.000 cópias do vírus por mililitro.

O exame de carga viral é feito de rotina pelo SUS, assim como o teste chamado CD4, que aponta o grau de comprometimento do sistema de defesa do paciente. Nenhum deles, entretanto, indica qual dos remédios se tornou ineficiente.

Se o tratamento falha, há um aumento do número de cópias do vírus HIV no organismo e o sistema de defesa torna-se frágil. Os motivos mais comuns no caso de falha são dificuldade de adesão à terapia, má absorção do medicamento pelo organismo e resistência ao vírus. O teste de genotipagem consegue identificar a qual medicamento o vírus HIV se mostra resiste naquela pessoa. O resultado vai auxiliar os médicos na indicação de novas combinações do coquetel.

Estudos realizados em outros países estimam que, após 48 semanas de terapia, entre 30% e 40% dos pacientes que participam de pesquisas acadêmicas apresentam falha terapêutica, ou seja, os anti-retrovirais deixam de combater o vírus.

A solicitação do teste de genotipagem deverá ser encaminhada pelo médico do paciente em tratamento à Rede Nacional de Genotipagem (Renageno). O médico de referência em genotipagem (MRG), indicado pela coordenação estadual de DST/Aids, ficará encarregado de avaliar a necessidade de realização do exame para cada caso e verificar se o paciente cumpre as exigências estabelecidas. Nos casos em que for aprovada a genotipagem, o médico da rede indicará em qual posto deve ser feita a coleta de sangue.

Entre os benefícios proporcionados pelo exame, destaca-se a obtenção de dados relevantes para pesquisas no Brasil. A análise dos exames permitirá, por exemplo, conhecer as formas de resistência mais freqüentes dos subtipos de vírus que infectam a população brasileira. Os cientistas poderão também saber contra qual medicamento cada subtipo de HIV – dentre os cerca de dez conhecidos – desenvolveu resistência.

A rede de genotipagem está sendo implantada, no Brasil, há dois meses. Até o final de março, o Ministério da Saúde espera dobrar o número de locais para exame, habilitando doze laboratórios em todo o País. O custo de cada teste é U$ 140. Na rede privada, a pessoa chega a pagar até R$ 1 mil pelo exame.

As instituições habilitadas até o momento são: Universidade Federal do Rio de Janeiro; Fundação Oswaldo Cruz (RJ); Instituto Adolfo Lutz (SP); Universidade Federal de São Paulo; Secretaria Estadual de Saúde de Porto Alegre; Secretaria Estadual de Saúde de Brasília; Secretaria Estadual de Saúde de Recife e Universidade Federal de Minas Gerais.

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