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O aleitamento materno pode atrapalhar a terapia contra o HIV em grávidas

Por E.J. Mundell

DURBAN, AFRICA DO SUL, ( Reulters Health) - O uso de drogas anti-retrovirais antes ou durante o parto em grávidas infectadas pelo HIV pode prevenir a transmissão do vírus da mãe para o filho. Entretanto, a longo prazo resultados de um estudo africano sugerem que o benefício protetor desta terapia é frequentemte perdido antes que os bebês atinjam dois anos de idade, pois a maioria das crianças pobres africanas irão adquirir o vírus via leite materno.

Enquanto mulheres infectadas pelo HIV em diversos países evitam alimentar a criança ao seio, isto geralmente não é uma opção viável em países em desenvolvimento. Em alguns países as mulheres podem não ter acesso a suprimento de água limpa, o que coloca estas crianças em potencial risco de vida por doenças diarréicas, relacionadas a substitutos alimentares que utilizam esta água no preparo.

No entanto, essas descobertas não significam que grávidas não devam fazer a terapia com AZT ou outra droga anti-HIV durante o parto, segundo Dr. James MacIntyre, diretor da unidade neonatal do Chris Hani Baragawanath Hospital em Johanesburgo, África do Sul, em entrevista a jornalistas de uma Associação Médica Americana resumindo uma parte da XIII Conferência Internacional da AIDS. Em vez disso, ele acredita que novas pesquisas devam ter novos focos, respondendo à questão: "como nós podemos tornar o alimento materno mais seguro, ou como nós vamos fazer um substituto alimentar seguro?"

Seus comentários confirmam os resultados dos últimos 18 meses de estudo de PETRA, sobre mais de 1800 crianças recém-nascidos filhos de mães HIV - positivas na África do Sul, Uganda e Tanzânia.

Como divulgado anteriormente por Reuters Health, os resultados dos 6 primeiros meses de estudos parecem mostrar que o tratamento de mulheres próximo ao parto com uma combinação de drogas AZT e 3TC pode reduzir o grau de infecção nos recém-nascidos.

Entretanto estudiosos previnem que estes resultados podem mudar a longo prazo, isto se deve ao fato de que a maioria das crianças africanas se alimentam no seio materno e o HIV pode ser transmitido pelo leite humano.

Este fato parece ter sido decisivo para os últimos resultados. Os pesquisadores de PETRA, que trabalharam sobre o patrocínio da UNAIDS, relatam que em até 18 meses após o parto não há diferenças significativas dos níveis de infecção por HIV, entre os bebês de mães que receberam o AZT e 3TC na gravidez e aquelas que não receberam.

"O grande número de bebês infectados por HIV se deve ao fato de que a população estudada é na maioria de bebês alimentados no seio materno, levando à diminuição da eficácia da terapêutica", conclui o autor.

Os estudos mostram poucas chances para as mães pobres dos países em desenvolvimento, que por razões tanto econômicas quanto culturais, raramente têm como opções o uso de fórmulas alimentares. De fato, em muitas vilas africanas, mulheres que não alimentam no seio são marginalizadas e estigmatizadas tanto quanto aquelas portadoras de HIV.

Pediatras que trabalham nessas comunidades podem se ver diante de um dilema entre advertir as novas mães que elas abandonando a amamentação abrirão mão dos benefícios nutricionais do leite materno, ou alertá-las para a possível transmissão de uma infecção mortal às suas crianças.

Para o Dr. MacIntyre, o estudo PETRA marca um início e não um fim. "Eu acho que o estudo enfatiza a necessidade de se olhar para o pós-parto". Uma parte do estudo: HIV e amamentação ao seio, compara os risco da amamentação sozinha e da amamentação combinada com fórmulas lácteas ou outros líquidos. Por enquanto os estudos sugerem que mulheres que têm poucas opções, mas que amamentam ao seio, usem o leite materno por um período curto (até 6 meses), pois isso leva a um menor risco de transmissão do vírus de mãe para filho, quando comparada àquelas que usam regimes alimentares mistos.

Sinopse preparada por Reuters Health

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