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Tratamento genético potencial encontrado para o vírus da AIDS

NEW YORK(Reuters Health) – O HIV, o vírus visto como um flagelo moderno, pode ter uma característica redentora: quando o vírus é modificado para eliminar seus elementos causadores da doença, o que permanece pode aparentemente ser utilizado para terapia genética, de acordo com um grupo de pesquisadores do renomado Instituto Pasteur, em Paris, França.

O Dr. Pierre Charneau, que lidera a equipe francesa, disse à Reuters Health que "este sistema de transferência genética é derivado do HIV-1 mas usa apenas alguns componentes do vírus." De fato, ele acrescentou, o que permanece não é de forma alguma o vírus inteiro. E, "nenhum gene do HIV é transferido junto com o gene terapêutico," disse Charneau.

Este HIV modificado serve como um vetor, ou agente de entrega, para o gene ou genes transferidos com propósitos terapêuticos. O HIV é um lentivírus, um subtipo de uma família de vírus chamados retrovírus. O que faz o lentivírus especialmente atraente para a terapia genética, explica Charneau, é que quando utilizado como vetor, ele tem a capacidade de transferir DNA em células que se dividem pouco ou não se dividem, como as células nervosas, células primordiais do sangue, células hepáticas ou musculares, diferente de outros retrovírus que apenas infectam células em divisão.

"Esta propriedade se torna a maior limitação para o uso de vetores retrovirais para a terapia genética," continuou Charneau, "uma vez que a maioria das células-alvo são assim."

Como ele pode ter certeza de que não existe risco para o paciente que receber este vetor derivado do HIV? Charneau garante que "as partículas do vetor reconhecem as células alvo, injetam o DNA terapêutico no núcleo delas, onde o mesmo se integra e o processo pára aqui—é um ciclo único de entrega de genes." Ele reafirma que "não existe propagação...do vetor no paciente" como seria de se esperar se o mesmo fosse um vírus.

Em sua pesquisa, publicada recentemente na revista Cell, Charneau e seus colaboradores explicaram o mecanismo pelo qual o DNA é colocado dentro do núcleo das células alvo. "Nós mostramos que este mecanismo é dependente de um marcador de DNA triplamente trançado, criado no centro do genoma," ele explicou à Reuters Health.

Charneau enfatizou que "muito trabalho permanece a ser feito, por (minha equipe) e outras, para validar esta nova tecnologia em modelos animais," acrescentando que somente então "estudos clínicos poderiam ser iniciados em humanos."

Apesar de tudo, estes resultados são excitantes porque "os vetores de lentivírus poderiam ser aplicados a vários tipos de terapias genéticas: câncer, doenças genéticas e virais, como a AIDS," disse Charneau. "Mas, repito, levará vários anos até que esta tecnologia possa ser aplicada em humanos."

FONTE: Cell 2000;101:173-185.

Sinopse preparada por Reuters Health

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