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Resultados de Testes de Vaca Louca Podem Não Ser Confiáveis

Por Richard Woodman

LONDRES (Reuters Health)
- O teste de encefalopatia espongiforme bovina (BSE) que supostamente protege o público contra a doença da vaca louca nunca foi validado adequadamente, afirmou o jornal britânico The Independent, na quarta-feira.

De acordo com o jornal, um programa de testes de gado digno de confiança é uma das principais medidas propostas pela Comissão Européia para garantir a segurança da carne de vaca ao público. Entretanto, até agora, cientistas não conseguiram determinar quão confiável é o teste na detecção da doença em animal infectado em estágios iniciais de BSE.

O jornal britânico destacou que a Comissão Européia disse que a realização de testes em animais com mais de 30 meses de idade é um ponto central em sua luta contra a BSE e será uma das três novas propostas que deve introduzir no próximo ano para garantir que a carne européia seja segura para consumo.

Cientistas não sabem dizer quão eficazes são os testes para detectar a BSE no gado que não apresenta sintomas. Na verdade, eles desconhecem se uma vaca que apresenta resultado "negativo" está realmente livre de BSE.

"Na Grã-Bretanha, todo gado com mais de 30 meses está proibido de entrar na cadeia alimentar humana, mas, para o restante da Europa, a Comissão tomou medidas mais moderadas para permitir que animais mais velhos sejam consumidos, com a condição de resultado negativo em um dos três testes que 'validou"', de acordo com o jornal.

"Entretanto, a validação do Centro de Pesquisa Associado (JRC) da comissão, em Geel, Bélgica, não incluiu uma avaliação do desempenho dos testes em animais aparentemente saudáveis que estão incubando a doença", acrescentou o jornal.

Segundo o Independent, "a única validação que o JRC publicou foi desenvolvida com amostras de animais que apresentavam sintomas claros de BSE -- animais que, de maneira alguma, seriam sacrificados para consumo".

Heinz Schimmel, que desenvolveu o exercício de validação, disse ao jornal que um resultado negativo pode não significar, necessariamente, que um animal está seguro para consumo, como insiste a comissão.

"A conclusão de que um resultado negativo pode significar que uma vaca nunca foi infectada com BSE nunca foi obtida, mas é claro que quanto mais sensíveis forem os testes, mais precocemente a infecção com BSE pode ser detectada", afirmou Schimmel.

Questionado sobre as evidências científicas que poderiam garantir ao público que um resultado negativo de BSE não é "um falso negativo", Schimmel afirmou que "ninguém pode fazer isso".

De acordo com o jornal, é comum que todos os testes bioquímicos usados na medicina e saúde animal sejam avaliados em centenas e mesmo milhares de amostras diferentes para testar a sensibilidade dos testes na detecção de resultados negativos "verdadeiros" e sua especificidade para determinar resultados positivos "verdadeiros".

No entanto, isso não tem sido feito com nenhum dos testes de BSE aprovados pela Comissão Européia, usados para avaliar se um animal aparentemente saudável está incubando a doença.

Bruno Oesch, diretor-executivo de Prionics, fabricante do teste de BSE mais utilizado, disse que sua empresa não possuía os recursos necessários para conduzir essa pesquisa elaborada.

Após a "validação" pelo JRC no ano passado, o Prionics liberou um comunicado afirmando que seu teste tinha "uma taxa de sucesso de 100 por cento". Oesch disse que isso se referia somente a testes em animais com sinais claros de BSE.

"Nenhum teste pode dar uma garantia. É bioquimicamente impossível atingir 100 por cento", acrescentou Oesch.

Quando amostras de 4.000 animais britânicos com mais de 30 meses de idade foram analisados pelo teste de Prionics, descobriu-se que o exame era capaz de detectar somente poucos casos de BSE antes da manifestação de sintomas, de acordo cm John Wilesmith, do Laboratório Veterinário Central do Governo, em Weybridge, Surrey.

"O que está sendo proposto pela comissão é realmente preocupante. Os testes somente identificam animais em estágios muito avançados de incubação", afirmou Wilesmith.

David Byrne, Comissário Europeu de Saúde e Proteção ao Consumidor, disse que a introdução de testes para gado com mais de 30 meses era essencial na guerra da Europa contra a BSE fora da Grã-Bretanha.

Sinopse preparada por Reuters Health

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