Publicidade

Notícias de saúde

Princesas de contos de fadas moldam feminilidade em crianças

08 de fevereiro de 2013 (Bibliomed). Toda menina sonha em ser uma das princesas dos contos de fada, que foram popularizadas através dos desenhos e filmes da Disney. Segundo pesquisa realizada no Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FELCH/USP), as princesas servem como um referencial de gênero e exemplo de feminilidade.

A pesquisa foi realizada em três escolas do interior de São Paulo e incluiu, aproximadamente, 200 crianças de cinco anos. A pesquisadora responsável, a antropóloga Michele Escura, utilizou a observação participante para acompanhar o dia a adia das crianças. Nesse processo, Michele descobriu que as brincadeiras entre meninos e meninas eram diferentes, sendo que, normalmente, as meninas brincavam de princesa, ou as citavam durante as brincadeiras.

Além disso, a pesquisadora exibiu dois filmes nas escolas: “Cinderela” e “Mulan”, tendo como objetivo mapear como as crianças compreendiam as narrativas dos filmes com princesas da Disney. Michele explica que a escolha dessas personagens foi feita porque elas são diferentes: a Cinderela representa a princesa “clássica”, passiva, que sempre espera que os outros resolvam seus problemas; e Mulan, que mostra uma princesa mais rebelde e ativa, que desencadeia acontecimentos na história através de seus atos.

A antropóloga pediu às crianças, após verem os filmes, que retratassem em desenhos comentados a cena mais relevante de cada um. Segundo Michele, chamou a atenção a necessidade de um vínculo conjugal da princesa com um príncipe, ou ainda com um padrão estético, de beleza e comportamento.

Muitas crianças resistiram em considerar a Mulan como uma princesa, e argumentavam que ela não se enquadrava nos padrões estéticos, de beleza e de comportamento das outras princesas. Além disso, o final do filme não deixa claro se Mulan se casou ou não. Michele então perguntou às crianças por que a Mulan não era uma princesa, e uma das crianças respondeu: “Tia, para ser princesa precisa casar, né? Senão não vai ser princesa, vai ser solteira!”.

De acordo com Michele, o sucesso no amor conjugal é marca fundamental para se enquadrar no grupo “Princesas”. Ou seja, apesar das diferenças de narrativas entre as dez princesas da Disney (Branca de Neve, Ariel, Cinderela, Aurora, Bela, Jasmine, Pocahontas, Mulan, Tiana e Rapunzel), sua imagem está atrelada ao do príncipe encantado, sendo que a realização de si como exemplo de feminilidade só é completa após o casamento ou a sua sugestão.

Fonte: Agência USP, 06 de fevereiro de 2013

Copyright © 2013 Bibliomed, Inc.

Faça o seu comentário
Comentários


Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: