Artigos de saúde

Câncer de mama

© Equipe editorial Bibliomed

Neste artigo:

- Introdução
- Fatores de risco
- Rastreamento e diagnóstico
- Tipos de câncer de mama
- Tratamento

Introdução

O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil e no mundo, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. A doença ocorre quando células da mama passam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor que pode permanecer localizado ou se espalhar para outras partes do corpo.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar aproximadamente 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. Isso corresponde a cerca de 30% dos casos de câncer previstos entre as mulheres brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma. A estimativa é de 71,57 casos novos para cada 100 mil mulheres. O risco varia entre as regiões do país, sendo maior no Sudeste e menor no Norte.

Apesar de ser uma doença grave, o câncer de mama apresenta maiores chances de tratamento bem-sucedido quando identificado precocemente. Por isso, conhecer os sinais de alerta, realizar os exames recomendados e procurar atendimento médico diante de alterações suspeitas são medidas importantes.

Em todo o mundo, outubro é marcado pela campanha Outubro Rosa, que busca conscientizar a população sobre a prevenção, a detecção precoce e o tratamento do câncer de mama. A iniciativa também destaca a importância do acesso aos serviços de saúde e do apoio emocional às pessoas diagnosticadas com a doença.

Fatores de risco

O câncer de mama não tem uma causa única, e nem todas as mulheres apresentam o mesmo risco de desenvolver a doença. Alguns fatores estão relacionados ao envelhecimento e à genética, enquanto outros envolvem características hormonais, reprodutivas e hábitos de vida.

Entre os principais fatores de risco estão:

- Idade: o risco aumenta com o envelhecimento, e aproximadamente quatro em cada cinco casos ocorrem em mulheres com mais de 50 anos.

- Histórico familiar: ter mãe, irmã ou filha com câncer de mama, especialmente quando o diagnóstico ocorreu em idade jovem, pode aumentar o risco.

- Alterações genéticas hereditárias: mutações em genes como BRCA1 e BRCA2 estão associadas a uma probabilidade maior de desenvolver câncer de mama e, em alguns casos, de ovário.

- Histórico pessoal: mulheres que já tiveram câncer de mama ou determinadas alterações identificadas em biópsias podem apresentar maior risco de desenvolver a doença novamente.

- Fatores hormonais e reprodutivos: primeira menstruação antes dos 12 anos, menopausa após os 55 anos, primeira gravidez após os 30 anos e não ter tido filhos estão entre as características associadas ao aumento do risco. O uso prolongado de terapia hormonal combinada após a menopausa também pode aumentá-lo.

- Estilo de vida: consumo de bebidas alcoólicas, excesso de peso, especialmente após a menopausa, e falta de atividade física estão associados a uma maior probabilidade de desenvolver a doença.

- Exposição à radiação: tratamentos com radioterapia na região do tórax, especialmente durante a infância ou a juventude, podem elevar o risco futuro.

A presença desses fatores não significa que uma mulher desenvolverá câncer de mama. Da mesma forma, a doença pode surgir em pessoas sem histórico familiar ou outros fatores conhecidos. Estima-se que entre 5% e 10% dos casos estejam relacionados principalmente a fatores hereditários.

Mulheres com vários familiares que tiveram câncer de mama ou de ovário, especialmente em idade jovem, ou com casos de câncer de mama em homens na família, devem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de avaliação individualizada e possível aconselhamento genético.

Embora nem todos os fatores de risco possam ser evitados, manter um peso adequado, praticar atividade física regularmente, reduzir o consumo de álcool e adotar hábitos saudáveis pode contribuir para diminuir o risco.

Rastreamento e diagnóstico

O rastreamento consiste na realização de exames em pessoas que não apresentam sintomas, com o objetivo de identificar possíveis sinais da doença antes que ela se manifeste. No caso do câncer de mama, o principal exame utilizado para esse fim é a mamografia.

Desde 2025, o Ministério da Saúde recomenda prioritariamente a mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Mulheres entre 40 e 49 anos e aquelas com mais de 74 anos também podem ter acesso à mamografia de rotina, mediante decisão compartilhada com um profissional de saúde, considerando os benefícios e os possíveis riscos do exame. Pessoas com histórico familiar importante ou outros fatores que elevem o risco podem precisar de acompanhamento individualizado.

A mamografia é um exame de imagem que utiliza baixas doses de raios X para identificar alterações nas mamas, inclusive algumas que ainda não podem ser percebidas pelo toque. Embora seja fundamental para a detecção precoce, ela não identifica todos os casos de câncer e pode apresentar resultados que exigem exames complementares.

O autoexame mensal não é recomendado como estratégia isolada de rastreamento, pois não substitui a mamografia e não demonstrou reduzir a mortalidade pela doença. A orientação atual é que a mulher conheça as características habituais das próprias mamas e fique atenta a mudanças.

Entre os principais sinais de alerta estão:

- Nódulo ou caroço na mama, especialmente se for endurecido, fixo ou estiver aumentando.
- Alteração no formato ou no tamanho da mama.
- Pele com aspecto semelhante à casca de laranja, retrações ou feridas que não cicatrizam.
- Mudança no formato do mamilo, como retração recente.
- Saída espontânea de secreção com sangue por um dos mamilos.
- Caroços na região das axilas ou próximo à clavícula.

Essas alterações não significam necessariamente câncer, mas precisam ser avaliadas por um profissional de saúde. Não se deve esperar pela idade recomendada para o rastreamento quando há sintomas suspeitos.

Quando existe uma alteração, o médico pode solicitar mamografia diagnóstica, ultrassonografia ou, em situações específicas, ressonância magnética. A escolha depende da idade, dos sintomas e das características encontradas no exame clínico e nas imagens.

A confirmação do câncer é feita por meio de biópsia, procedimento no qual uma pequena amostra de tecido é retirada para análise em laboratório. A biópsia com agulha grossa, conhecida como core biopsy, é frequentemente utilizada. Quando o diagnóstico é confirmado, outros exames podem ser necessários para determinar a extensão da doença e orientar o tratamento.

Tipos de câncer de mama

Existem diferentes tipos de câncer de mama, com características e comportamentos variados. A classificação depende do local em que o tumor surgiu, de sua capacidade de invadir outros tecidos e de características biológicas das células cancerosas.

Uma das distinções mais importantes é entre os tumores in situ e os invasivos.

- Câncer de mama in situ: as células cancerosas permanecem restritas ao local onde se desenvolveram, sem invadir os tecidos próximos. O carcinoma ductal in situ é um exemplo. Embora não seja considerado invasivo, pode exigir tratamento para evitar que evolua para uma forma invasiva.

- Câncer de mama invasivo: as células cancerosas ultrapassam o local de origem e invadem os tecidos próximos. Dependendo do tipo e da evolução da doença, podem alcançar os linfonodos e outros órgãos, como ossos, fígado, pulmões e cérebro.

Os tumores também são classificados de acordo com características biológicas importantes para a escolha do tratamento. Entre elas estão a presença de receptores hormonais, que indicam se as células respondem ao estrogênio ou à progesterona, e a presença da proteína HER2, que pode favorecer o crescimento do tumor.

Essas informações ajudam a identificar diferentes subtipos, como os tumores com receptores hormonais positivos, os HER2 positivos e os chamados triplo-negativos. Cada grupo pode responder de maneira diferente aos medicamentos disponíveis.

Por isso, o tratamento não depende apenas do tamanho do tumor ou de sua localização. A avaliação das características das células, da extensão da doença e das condições gerais da paciente é fundamental para definir a melhor estratégia.

Tratamento

O tratamento do câncer de mama é individualizado e depende do tipo de tumor, do estágio da doença, de suas características biológicas e das condições de saúde e preferências da paciente. A equipe pode envolver mastologista, oncologista clínico, cirurgião, radioterapeuta, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais.

Quando a doença é diagnosticada em estágio inicial, as chances de tratamento com intenção curativa são maiores. As opções incluem cirurgia, radioterapia e medicamentos, utilizados isoladamente ou em combinação, conforme a necessidade de cada caso.

A cirurgia pode ser conservadora, com retirada do tumor e de uma margem de tecido saudável, preservando o restante da mama, ou envolver a retirada de toda a mama, procedimento chamado mastectomia. A escolha depende de fatores como tamanho e localização do tumor, relação entre o tamanho da lesão e o da mama, possibilidade de retirar completamente a doença e preferências da paciente. Quando indicada, a reconstrução mamária pode ser considerada.

Em algumas situações, o tratamento começa antes da cirurgia. A quimioterapia ou outras terapias medicamentosas podem reduzir o tamanho do tumor, facilitar a operação e aumentar as possibilidades de preservação da mama.

Após a cirurgia, pode ser necessário realizar tratamento complementar, chamado adjuvante, para diminuir o risco de retorno da doença. A indicação considera o tamanho e as características do tumor, o comprometimento dos linfonodos e outros resultados dos exames.

A radioterapia utiliza radiação para destruir células cancerosas que possam permanecer na região tratada. É frequentemente indicada após a cirurgia conservadora e também pode ser recomendada em determinadas situações após a mastectomia. A duração varia conforme a técnica e o planejamento do tratamento, podendo ser menor do que os esquemas tradicionais de cinco a seis semanas.

A quimioterapia utiliza medicamentos que destroem células cancerosas ou impedem sua multiplicação. Pode ser administrada antes ou depois da cirurgia e também é utilizada em casos de doença avançada. A duração depende dos medicamentos e do objetivo do tratamento. Os efeitos colaterais variam de acordo com o esquema utilizado e podem incluir cansaço, náuseas, queda de cabelo e alterações nas células do sangue. Atualmente, existem medidas para prevenir ou controlar muitos desses efeitos.

A hormonioterapia é indicada para tumores que apresentam receptores hormonais positivos. Esses medicamentos reduzem a produção de determinados hormônios ou impedem sua ação sobre as células tumorais, diminuindo o estímulo ao crescimento do câncer. O tratamento pode durar vários anos, dependendo do risco de recorrência e da avaliação médica.

As terapias-alvo atuam sobre características específicas das células cancerosas. Um exemplo são os medicamentos direcionados à proteína HER2, utilizados em tumores que apresentam essa característica. Outras terapias-alvo podem ser indicadas conforme as alterações moleculares identificadas no tumor.

A imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerosas, também pode ser utilizada em situações específicas, como em alguns casos de câncer de mama triplo-negativo.

Quando a doença se espalha para outros órgãos, condição conhecida como metástase, o tratamento costuma ter como objetivos controlar o crescimento do tumor, prolongar a vida, aliviar os sintomas e preservar a qualidade de vida. Quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo, imunoterapia, radioterapia e, em situações selecionadas, cirurgia podem ser utilizadas de acordo com as características da doença.

Embora o câncer de mama metastático geralmente não seja considerado curável, os tratamentos disponíveis podem controlar a doença por períodos prolongados em algumas pacientes. O acompanhamento também deve incluir cuidados com a saúde emocional, o controle da dor e outros sintomas e o suporte à paciente e à família.

Os avanços no diagnóstico e no tratamento ampliaram as possibilidades de cuidado para diferentes tipos de câncer de mama. Por isso, diante de uma alteração suspeita, procurar atendimento sem demora e seguir as orientações da equipe de saúde são atitudes essenciais.

Copyright © Bibliomed, Inc.