Publicidade

Artigos de saúde

Visões diferentes sobre a depressão

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo:

- Como se define e como se distribui a depressão?
-
O modelo médico
- O modelo psicanalítico
-
Quais as alternativas de tratamento?

Como se define e como se distribui a depressão?

Todo mundo já sentiu tristeza algum dia, frequentemente devido a alguma forma de derrota ou perda, ou simplesmente, como Freud diz, "à miséria de cada dia". Os sentimentos dolorosos que acompanham esses eventos são normalmente apropriados, necessários e transitórios, podendo representar uma oportunidade de crescimento individual. Porém, quando os sintomas depressivos persistem e comprometem a vida da pessoa, podem ser indicativos de um distúrbio depressivo. A gravidade, a duração e a presença de outros sintomas são os fatores que diferenciam a tristeza normal da depressão.

A depressão é uma doença que atinge, aproximadamente, 24 milhões de pessoas na América Latina e Caribe, tendo seu início, geralmente, entre os quinze e vinte e quatro anos de idade. Para cada homem, há duas mulheres que sofrem da doença. Entre 40 e 60% dos casos de suicídio, há relação com a depressão. Outro dado interessante é que homens depressivos morrem quatro vezes mais por suicídio que mulheres. Finalmente, apenas um em cada quatro deprimidos procura ajuda. Essa doença é um dos grandes problemas do milênio, atingindo cerca de 6% da população.

O modelo médico

Segundo informações médicas, a depressão é um problema relacionado à circulação dos neurotransmissores cerebrais. A depressão pode ser reativa a algum problema real, mas com o tempo vai se tornando física.

Regularmente há combinação de causas, destacando-se: predisposição genética; personalidade; reação a situações difíceis e frustrantes; reação à perda de um ente querido; problemas financeiros, profissionais e sociais; reações ao parto; psicoses; abuso de medicamentos (cortisona, anfetaminas, quimioterapia), álcool e outras drogas; doenças físicas (hipotireoidismo, câncer, reumatismo, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, cirurgias, AIDS); traumatismos cranianos; doenças cerebrais (acidente vascular cerebral ou "derrame", insuficiência circulatória cerebral, doença de Alzheimer, aterosclerose, esclerose múltipla, doença de Parkinson, tumores, epilepsia, aneurismas); anemias e deficiência de vitaminas.

Dentro de um modelo médico tradicional são apontados muitos sintomas da doença, destacando-se: desânimo, insônia, apatia, falta de vontade, pensamentos pessimistas ou obsessivos, falta de concentração e memória, ansiedade, palpitações. Logicamente os sintomas podem variar bastante de caso para caso.

O modelo psicanalítico

Desde que escreveu o seu principal artigo sobre a temática ("Luto e Melancolia", publicado no ano de 1917), Sigmund Freud, o pai da psicanálise, deixou claro que se devem diferenciar alguns aspectos, quando se procura uma compreensão das depressões, do ponto de vista da psicanálise.

Diz Freud: "O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos que essas pessoas possuem uma disposição patológica".

Dessa maneira, o autor esclarece que o luto, por mais intenso que seja, é uma condição normal da vida, assim não é algo patológico. Não deve ser submetido a um tratamento médico. O luto deve ser superado com o tempo, por mais difícil que isso possa ser. Já em relação à melancolia, o psicanalista aponta para traços bastante característicos: desânimo profundo, falta de interesse no mundo, perda da capacidade de amar, diminuição da auto-estima e comportamentos de auto-recriminação. Para diferenciar o luto da melancolia, Freud diz: "A perturbação da auto-estima está ausente no luto. Afora isso, porém, as características são as mesmas".

O afeto (libido) que havia sido destinado para o objeto amado, que deixou de existir, deve ser retirado dele e retornar para o próprio sujeito. Para que esse caminho seja possível, cada lembrança que o sujeito possui, do seu objeto amado, deve ser muito investida de afeto, ou seja, as pessoas devem falar e se lembrar muito sobre o ente que se foi para que, dessa maneira, possa ir ocorrendo o desinvestimento.

O que acontece no processo da melancolia é que o sujeito não tem consciência do que foi perdido. Assim, o melancólico perdeu um objeto e junto com ele perdeu parte de seu narcisismo. Ele se sente empobrecido, pois parte do seu ego foi perdida. É exatamente esse fator que determina o rebaixamento da auto-estima, no melancólico.

A agressividade da pessoa pode gerar culpa. Quando o sujeito sabe que está agredindo um "objeto total", que possui aspectos bons e maus, pode sentir-se culpado e responsabilizado pelo fato. Ao sentir-se culpado, pela sua conduta agressiva, o caminho leva à depressão. Assim, a agressão determina culpa, e esta, depressão.

Considerando-se todos esses aspectos levantados, não há dúvidas para os especialistas na abordagem psicanalítica de que os quadros de melancolia interferem gravemente na vida da pessoa. Como todo o material envolvido na situação possui ligações inconscientes, isso interfere diretamente na capacidade de pensar logicamente, na memória, enfim, em todo o processo de raciocínio lógico da pessoa.

Quais as alternativas de tratamento?

A depressão não é um sinal de fraqueza de caráter. A pessoa com depressão geralmente está completamente indecisa com relação a tudo. Logo, alguém deve tomar as decisões por ela, inclusive para iniciar o tratamento.

- Drogas Anti-Depressivas: são medicamentos que corrigem o metabolismo dos neurotransmissores. Quase todos os antidepressivos precisam de três a seis semanas para fazer efeito, assim não se deve interromper o tratamento por não perceber melhora nos primeiros dias. Como forma de acelerar os ganhos dessas medicações pode-se tratar com antidepressivos colocados no soro. Vale esclarecer que, algumas vezes, a primeira droga tentada não produz o efeito esperado. Porém, isso não significa que seja um caso mais grave. Na maioria das vezes é suficiente a troca da medicação.

- Internação: uma internação de poucos dias, algumas vezes é indicada. Dessa maneira, uma pessoa que esteja indecisa quanto à adesão ao tratamento, ou quando o paciente e a família estão esgotados pela dificuldade da situação, ou ainda quando existe risco de suicídio, a alternativa de internação pode servir como uma defesa, como uma atitude protetora.

- Psicoterapia: até mesmo os médicos mais tradicionais acreditam que a psicoterapia possa ser útil, pois a depressão afeta a pessoa como um todo e quase nenhuma doença se restringe apenas ao seu aspecto físico. Aspectos da personalidade e problemas atuais ou passados podem estar relacionados à depressão. Contudo, a medicina afirma que se a depressão apresenta certo grau de intensidade, a medicação tem prioridade absoluta com relação à terapia. A Psicoterapia pode esperar para ser iniciada, mas a medicação não, pois as pesquisas indicam que quanto mais rápido o tratamento medicamentoso é iniciado maior é a chance de não se ter recaídas mais tarde.

- Psicanálise: do ponto de vista psicanalítico, o tratamento deve ser feito para os casos de melancolia. Em relação ao luto, como foi apontado anteriormente, "o próprio tempo é o melhor remédio". A melancolia é uma doença psíquica muito séria, deve ser trabalhada com bastante cuidado. Para a Psicanálise, a melancolia encontra-se próxima do campo das psicoses. Assim, o tratamento vai levar em conta todo o aspecto narcísico nela contido, dando-se escuta para todas as reclamações, os queixumes e as auto-acusações do sujeito e a própria depressão, com suas idéias suicidas. Por outro lado, como defesa frente à melancolia, podem surgir aspectos maníacos, que também fazem parte da sintomatologia. O melancólico apresenta muita ambivalência em relação ao objeto, assim, ele ama e odeia ao mesmo tempo. Todos esses aspectos devem ser abordados no tratamento psicanalítico desses quadros.

Copyright © 2008 Bibliomed, Inc.                                        25 de fevereiro de 2008



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: