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Terapia de Reposição Hormonal: Afinal, ela pode causar mais mal do que ajudar?

Neste Artigo:

- Introdução
- Novos rumos?
- Conclusões
- Veja mais em Boa Saúde


"A menopausa não é uma doença, mas uma fase na vida da mulher onde ocorre a parada de funcionamento dos ovários, que deixam de produzir os hormônios estrógeno e progesterona. De acordo com o Comitê de Nomenclaturas da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, a menopausa é a fase em que a mulher passa do estágio reprodutivo para o não reprodutivo".

Introdução

Nesta fase, muitas alterações surgem nas mulheres, entre elas ondas de calor, aumento das doenças cardíacas coronárias, e osteoporose. Nos últimos anos, um grande entusiasmo surgiu com a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), usando-se associações de estrógenos e progesterona, não apenas para reduzir os desagradáveis efeitos de ondas de calor, suores noturnos, mal humor, depressão, insônia, como também melhorar a saúde das mulheres, particularmente nas doenças do coração, da circulação, e dos ossos.

A reposição com estrógeno e progesterona mantém a densidade dos ossos da coluna, protege contra fraturas de quadril pós-menopausa e fornece tais benefícios mesmo quando a terapia é iniciada após 60 anos de idade. Outros efeitos benéficos são a melhora da umidade e elasticidade vaginal, a melhora da incontinência urinária, a preservação da hidratação da pele, e a melhora da sexualidade.

Desde já algum tempo, a associação da TRH com o câncer de mama tem sido um dos assuntos mais controversos e também um dos mais pesquisados. Até agora, não se havia chegado a uma conclusão definitiva que pudesse orientar a conduta do médico na clínica diária, e, embora não existissem comprovações, existiam fortes evidências sugerindo discreto aumento na incidência de câncer de mama associado ao uso da TRH por longo tempo (cinco anos ou mais).

Novos rumos?

Mais recentemente, tem surgido questionamentos quanto a eficácia da TRH em proteger as pacientes da doenças cardíacas coronárias. Em setembro de 2001, por exemplo, um estudo apresentado no Congresso Europeu de Cardiologia não demonstrou diferença entre grupos de mulheres usuárias e não-usuárias de hormônios na diminuição dos riscos de ocorrência de eventos coronarianos.

A decisão de suspender um grande estudo americano sobre o uso de hormônios de reposição (uma combinação de estrógeno associado à progesterona) em mulheres saudáveis pós-menopausa em julho de 2002, publicada em caráter de urgência na prestigiosa revista JAMA – Journal of the American Medical Association, leva a muitas mulheres a se questionarem novamente acerca dos benefícios e riscos da terapia de reposição hormonal.

O estudo, que vinha sendo conduzido pelo The Women's Health Initiative (WHI), avaliou o uso de estrógeno mais progesterona em 16.608 mulheres saudáveis na fase de pós-menopausa, entre os 50-79 anos, nos Estados Unidos. O enfoque primário do estudo era avaliar a possível cardioproteção oferecida pela TRH (estrógeno + progesterona), e o enfoque secundário avaliar a ação na osteoporose.

No dia 31 de maio de 2002, após um período médio de seguimento de 5,2 anos, o conselho de monitoramento dos dados e de segurança do estudo recomendou suspender a pesquisa, avisando às mais de 16.000 mulheres que parassem de usar o medicamento, porque a estatística para o câncer de mama invasivo excedeu o limite permitido para este efeito adverso, e a estatística global confirmou que os riscos excederam os benefícios. Os pesquisadores também foram surpreendidos ao encontrar que, em lugar de diminuir o risco de doença coronariana, como se acreditava previamente, a terapia aumentou o risco das mulheres de terem um primeiro ataque cardíaco.

Os risco absolutos aumentados por 10.000 pessoas-anos atribuível à associação estrógeno mais progesterona foram: 7 eventos a mais de doença coronariana, 8 eventos a mais de acidente vascular cerebral, 8 eventos a mais de embolia pulmonar, e 8 eventos a mais de câncer de mama invasivo, enquanto que as reduções de risco absolutas por 10.000 pessoas-anos foram 6 eventos a menos de cânceres colorretais e 5 eventos a menos de fraturas de quadril.

Conclusões

Em suas conclusões, os autores do estudo afirmam que os riscos globais para a saúde excederam os benefícios em relação ao uso de estrógeno combinado à progesterona, e que os resultados indicam que este esquema de tratamento não deveria ser iniciado ou mantido com a finalidade de prevenção primária das doenças coronarianas. Segundo os investigadores do estudo, de forma geral, os riscos desta combinação de medicamentos excedem seus benefícios.

Muitos médicos ainda estão sem saber como se posicionar frente a estas novas conclusões. Apesar de que os números mostram que as incidências de complicações encontradas nas mulheres que usaram a TRH são muito próximas das complicações que usaram um placebo durante o estudo, elas são, definitivamente, superiores (a ponto dos investigadores suspenderem o estudo). De qualquer modo, procure a orientação de seu médico para saber como proceder, caso você esteja fazendo uso da TRH.

Fonte: JAMA 2002;288:321-333

O artigo original da publicação pode ser encontrado em http://jama.ama-assn.org/issues/v288n3/ffull/joc21036.html

Copyright © 2002 Bibliomed, Inc.                11 de Julho de 2002.

 



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