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Artigos de saúde

Programa de Saúde da Família, a Medicina Dentro dos Lares

Neste Artigo:

- Introdução
- Breve Histórico
- Estrutura
- Pioneiros
- Relato


"Todos os estados brasileiros, em maior ou menor proporção, já conhecem o novo modelo de assistência à saúde da população. Mais de 3,5 mil municípios brasileiros têm equipes atuantes de Programa de Saúde da Família (PSF). Ao todo, são 14.770 equipes com, pelo menos, um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e dois a seis agentes de saúde. Cada equipe é responsável pela saúde de mil famílias. A nova ordem, com o modelo PSF, é a promoção da saúde e não mais o atendimento às pessoas doentes. Os frutos serão colhidos em breve".

Introdução

O Ministério da Saúde criou, em 1994, o Programa Saúde da Família (PSF). Os principais propósitos: reorganizar a prática da atenção à saúde em novas bases e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto da família e, com isso, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. A estratégia do PSF prioriza as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e contínua. O Ministério da Saúde está estimulando a ampliação do número de equipes de Saúde da Família no Brasil. E, para isso, é fundamental a mobilização das comunidades e dos prefeitos, pois só por intermédio deles as portas dos municípios se abrirão para a saúde entrar.

Breve Histórico

Apenas em 1988, a Constituição Federal implementou a saúde como direito de todos. Antes, o atendimento à saúde era oferecido pelo Estado a quem tinha vínculo empregatício e carteira assinada. Outras pessoas tinham acesso à saúde, não como um direito, mas como um favor. Com a criação do Sistema Único da Saúde (SUS) surgem alguns princípios básicos de atendimento à saúde: universalidade, eqüidade, integralidade, hierarquização e controle social. Todos os cidadãos, na teoria, passam a ter acesso à saúde. São criados os centros de atenção básica. Na ótica desse modelo, as pessoas buscam a unidade de saúde, que precisa dar conta da procura. Como não consegue atender toda a demanda, é criada a distribuição de senhas. Quem não recebe uma senha, tem que voltar outro dia.

O vínculo entre o cidadão e o poder público é difuso, e o modelo é de baixa responsabilidade (não há grande preocupação em se detectar onde existe problema, se é preciso melhorar a estrutura, capacitar ou mesmo substituir profissionais). O trabalho sobre demanda espontânea atende apenas quem vai ao centro de saúde. O modelo é pouco resolutivo.

Estrutura

Com o Programa de Saúde da Família, há uma lógica chamada propositiva e uma responsabilização e vínculo bem determinados. São criadas equipes que serão responsáveis, cada uma, por cerca de quatro mil pessoas.

Na prática, os agentes de saúde cadastram as famílias. Além de nome, idade, condições de moradia, escolaridade, profissão, identificam o histórico de saúde dos integrantes, apontando a existência de enfermidades, como tuberculose, hanseníase, malária, hipertensão, diabetes, desnutrição, entre outras. As consultas necessárias são marcadas pelo agente, que, muitas vezes, acompanha a pessoa até o centro de saúde. Também controla a medicação dos doentes crônicos, dão orientações sobre dengue, leptospirose, higiene básica e outros cuidados com a saúde.

A visita domiciliar de médicos, enfermeiros e auxiliares são realizadas somente em situações especiais identificadas pelos agentes, como idosos em situação de abandono, com dificuldade motora, acamados e com feridas.

O grande avanço ocorrido, este ano, foi a incorporação na equipe de PSF de um dentista e um técnico odontólogo. O Ministério da Saúde repassa aos municípios um piso fixo de R$ 10,00 por pessoa atendida pelo PSF. Além disso, há também um piso variável, definido por faixas referentes ao percentual da população coberta pelo PSF. No ano passado, foram gastos pelo Ministério da Saúde R$ 970 milhões e, para este ano, estão previstos investimentos de R$ 1 bilhão e 100 milhões.

Pioneiros

Desde 1994, alguns municípios decidiram implantar o Programa de Saúde da Família (PSF). Os pioneiros foram: Sobral (CE), Quixadá (CE), Camaragibe (PE) e Campina Grande (PA). O Ministério da Saúde não possui um ranking das cidades mais avançadas no PSF atualmente.

Em Quixadá, toda a estrutura de saúde mental funciona com auxílio dos 127 agentes de saúde. Francisca Denise Lucas da Silva é agente de saúde desde 1995, responsável por 285 famílias. "Cuido de cinco pessoas portadoras de sofrimento mental e suas famílias me ajudam. Sei a mania de cada pessoa que eu ajudo a cuidar", afirma.

Em Belo Horizonte, com 2,2 milhões de habitantes, os 2.625 agentes de saúde cadastraram 1 milhão e 700 mil pessoas, ou cerca de 420 mil famílias. Capacitados em saúde da criança, da mulher e dengue, fizeram mais de um milhão de visitas domiciliares. "Em algumas cidades, foram implantadas as equipes de PSF, mas a lógica do modelo tradicional ainda é mantida", critica o consultor em saúde da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Ivan Coelho. Em agosto, 150 equipes começarão o trabalho progressivamente até que todas as 504 já contratadas entrem em ação. Em Betim, município mineiro, que implantou o programa há mais de quatro anos, foi contabilizada a redução de 13% no número de consultas de urgência de 1999 a 2000 e mais 20% de 2000 a 2001.

Relato

Um agente de saúde da capital mineira passou em uma residência para cadastramento. Havia uma gestante, mãe de três filhos, em fase adiantada de gravidez. Ela não havia feito exame ou consulta pré-natal e assumiu que não queria ter o filho, por isso não buscou ajuda médica. Seu marido havia abandonado o lar, e ela não tinha amigos na vizinhança. Os agentes iniciaram um trabalho de conscientização e acabaram convencendo-a a fazer a consulta. Ela não apareceu no dia marcado. Nos parâmetros do antigo modelo de assistência, a falta à consulta não implicava providências. O agente de saúde, no entanto, retornou à residência e a encontrou em trabalho de parto. Um vizinho diabético (já conhecido e cadastrado no PSF) que tinha carro ajudou a levá-la para o hospital. O próprio agente entrou para a sala de parto, a pedido da paciente. Quando voltou para casa, a comunidade sensibilizada com a história havia arrumado roupas e alimentos.

A mãe, que antes rejeitava o bebê, resolveu criá-lo e batizou a criança com o nome do agente de saúde. Foi formada uma rede de proteção com o envolvimento da própria comunidade. Esse é um exemplo de um caso verídico na capital mineira, que ocorreu quando a equipe do PSF ainda estava incompleta, já que somente os agentes de saúde atuavam na comunidade.

Copyright © 2001 Bibliomed                 02 de agosto de 2001



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