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Artigos de saúde

Exposição Ambiental de Tabaco em Crianças

Neste Artigo:

- Exposição Infantil ao Tabaco
- Exposição ao Tabaco em Crianças (ETC) nos EUA
- Restrição ao Tabagismo
- Como Foi Feito o Estudo
- Resultados do Estudo
- Dificuldades em Quantificar a ETC
- O Papel das Restrições
- Novos Rumos na ETC

"A exposição ao tabaco em crianças é considerada como um fator de risco dos mais importantes para o desenvolvimento de doenças respiratórias infantis como a asma. Diversas formas de abordagem têm sido tentadas para que se consiga diminuir tanto a exposição dentro de casa quanto em outros locais fechados. Dentre elas, o papel da conscientização feita pelo pediatra durante as consultas tem se mostrado substancial. Esse é um tema de extrema complexidade, pois demonstra como os hábitos familiares interferem diretamente na saúde de seus membros. A diminuição da exposição ao tabaco pelas crianças encontra-se, dessa forma, inserida numa modificação de todo o ambiente familiar, algo de extrema complexidade. Mais difícil ainda, tem sido a abordagem da exposição fora de casa, situação essa muito comum no dia-a-dia de milhares de crianças".

Exposição Infantil ao Tabaco

A exposição ambiental ao tabaco em crianças é algo já bem difundido entre os pediatras, de fato, muitos consideram terem como rotina em suas consultas, a pesquisa de tabagismo na família e o aconselhamento dos fumantes. Tal rotina é apoiada pelos resultados de várias pesquisas que apontam a exposição ao tabaco como um fator de risco importante para as doenças respiratórias infantis, tendo sido considerado o maior perigo ambiental para as crianças nos EUA.

Um estudo com enfoque nesse tema, realizado pelos Drs. John A. Hopper e Kelly A. Craig dos Departamentos de Medicina Interna, Pediatria e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado de Wayne, Detroit - EUA, foi publicado na revista médica Pediatrics de outubro deste ano. Esse estudo teve como objetivo a investigação das restrições aos adultos tabagistas e o interesse dos mesmos para receber aconselhamento. Assim, os pediatras podem perceber onde há um maior risco de exposição infantil ao tabaco e como abordar tais situações. Um resumo deste trabalho será exposto no texto abaixo.

A ETC nos EUA

O índice de ETC nos EUA varia de estado para estado. Consegue-se saber tal índice através de dois números: 1) a percentagem de casas em que há tabagistas; 2) a percentagem de casas em que é permitido fumar. Tais dados são conseguidos através do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco Comportamentais dos EUA. Assim, a percentagem de ETC variou de 11,7% a 34,2% nos estados norte-americanos. Certamente, há subpopulações de crianças com um nível maior de exposição, como em casas onde mais pessoas fumam ou com pessoas que fumam no quarto da criança. Outro fator agravante é a quantidade de tempo gasto em locais fechados.

Restrição ao Tabagismo

A restrição do tabagismo dentro de casa pode ter um efeito importante na ETC. Em um dos estados norte-americanos, havia em 1996, um dos maiores índices de ETC e ao mesmo tempo um dos menores índices de restrições ao tabagismo em casa, devido a poucos programas de incentivo. Tal fator parece estar mudando depois dos resultados dessa pesquisa.

Muitos pediatras têm dificuldades de tratar de crianças com exposição ao tabaco (ET) fora de casa. Tais crianças moram com outras famílias ou passam boa parte do tempo em casas com tabagistas. A ETC proveniente de outras pessoas que não os pais é muito mais difícil de ser intervida.

Como Foi Feito o Estudo

Foram feitas perguntas através de um questionário para 172 acompanhantes das crianças que faziam acompanhamento ambulatorial. A maioria das crianças era da raça negra. O conteúdo das perguntas foi o seguinte: quantidade e origem da ET dentro e fora de casa, permissão do tabagismo dentro da casa da criança e em outras casas que ela freqüenta, o conhecimento do acompanhante sobre os efeitos nocivos do cigarro, e desejo do acompanhante de receber aconselhamento sobre parar de fumar e diminuição da exposição.

Resultados do Estudo

Somente 14% dos acompanhantes fumavam (24/172). O tabagismo era permitido em 75% das casas (48/64) onde as crianças moravam com um fumante e 16,7% das casas (18/108) onde não havia fumantes. As mães foram as acompanhantes que mais fumavam em casa. A maioria da população não foi exposta ao cigarro pelos pais e sim por outras fontes.

Cerca de um terço das crianças que não residiam com fumantes, freqüentava locais onde havia tabagistas. Pelo menos 26% dessas crianças eram expostas ao tabaco. Elas freqüentavam tais locais por 17 a 20 horas semanais. O local mais comum desse tipo de exposição foi a casa dos avós. Naquelas crianças que moravam com fumantes, a restrição em casa não funcionou.

A maioria dos acompanhantes já tinha sido perguntada sobre a exposição ao tabaco pelas crianças. Mais de 90% deles tinha tido contato com o pediatra no último ano. Praticamente todos os acompanhantes concordaram que o cigarro faz mal para a saúde de quem fuma e das crianças que estão por perto. Dentre os acompanhantes tabagistas, a metade demonstrou vontade de receber aconselhamento para deixar de fumar e também de disponibilizar tal aconselhamento para os tabagistas que estão em casa. Mas somente 12% dos mesmos relataram já terem tido aconselhamento do pediatra. Não houve diferença estatisticamente comprovada com relação à idade e nível de educação entre aqueles que queriam o aconselhamento e aqueles que não o queriam. Também a metade dos acompanhantes não tabagistas gostariam de ajudar os tabagistas em casa a parar de fumar.

Dificuldades em Quantificar a ETC

Alguns trabalhos no passado demonstraram que a ETC é muito mais abrangente do que os números conseguidos através de questionários. Num estudo em 1996 sobre exposição ao chumbo e nicotina, 99% das crianças apresentaram cotinina (metabólito da nicotina) na urina sendo que dessas, 67% moravam com pais tabagistas.

No trabalho em questão, um terço de crianças que não moram com fumantes, freqüentavam casas de fumantes. Outras crianças não moravam com tabagistas, mas o fumo era permitido em casa. Ou seja, perguntar se uma criança é exposta ao tabaco em casa não prediz se ela é ou não exposta.

O Papel das Restrições

A restrição ao fumo dentro de casa tem sido colocada como uma forma importante de redução da ETC. Esse estudo sugere que tais restrições podem não eliminar a ETC. O tabagismo ocorria na metade das casas em que havia fumantes, mas que o cigarro era proibido. Isso se torna uma informação relevante, pois a ETC nos EUA tem sido determinada através do número de casas onde é permitido fumar. No presente estudo a pergunta sobre restrições em casa não serviu como base para se quantificar a ETC. Algumas crianças eram expostas em casas onde o tabagismo não era permitido e os acompanhantes não sabiam sobre as regras do tabagismo nas casas onde as crianças freqüentavam. A utilização de um marcador biológico como a cotinina (metabólito da nicotina na urina) poderia ter ajudado na comprovação da veracidade do efeito restritivo sobre o tabagismo nas casas.

Estudos utilizando intervenções de aconselhamento intensivo têm conseguido diminuir a ETC em crianças asmáticas. Foi demonstrado num desses estudos, uma diminuição do tabagismo entre os pais dos asmáticos. As intervenções foram realizadas por um grupo específico de profissionais e tais resultados parecem ser difíceis de ser alcançados numa situação diferente de uma pesquisa, além do mais, o enfoque foi nos pais das crianças e não em outras fontes fora de casa. Vários investigadores já utilizaram diversas maneiras de intervenção sobre os pais como chamadas telefônicas e cartas do pediatra para os pais, cujos resultados foram estatisticamente baixos, apesar de ter se percebido uma tendência para a diminuição da ETC.

Novos Rumos na ETC

O estudo em questão demonstrou um aumento substancial do conhecimento público sobre os malefícios do fumo sobre as crianças. Tal aumento foi maior que vários outros estudos sobre o assunto, o que pode estar relacionado com um crescimento da conscientização pública a esse respeito.

Nos estudos sobre ETC, há uma ampla variabilidade de adultos que desejam parar de fumar - de 49% a 93%. É importante que futuramente, haja condições de se saber as características desses adultos para que intervenções mais focalizadas possam ser feitas.

Os acompanhantes não tabagistas mais jovens se mostraram mais receosos em oferecer aconselhamento para os pais tabagistas, talvez por se considerarem menos influentes sobre os mesmos.

A diminuição da ETC dentro do quarto das crianças tem se mostrado como uma boa solução prática com um dos mais significativos impactos sobre a doença respiratória infantil. Estudos anteriores demonstraram ser a quantidade de cigarros fumados perto da criança, um fator preditivo importante de doença respiratória. Os níveis de cotinina na urina das crianças expostas foram proporcionais à proximidade da exposição. Isso apóia a importância de uma intervenção para se diminuir esse tipo de exposição.

Uma das formas de abordagem da ETC deve ser o aumento da conscientização dos problemas causados pelo cigarro e a importância de se diminuir a exposição das crianças dentro de casa, ou seja, diminuindo o hábito de fumar envolta da criança. Por outro lado, são necessárias estratégias de combate à ETC fora de casa, o que até agora não se soube como intervir.

Fonte: Pediatrics Vol. 106 No. 4 October 2000, p. e47.

Copyright © 2000 eHealth Latin America                 13 de Dezembro de 2000



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