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Nobel de Medicina

Neste Artigo:

- História do Prêmio Nobel
- Medicina - As Descobertas Premiadas
- Arvid Carlsson
- Erick Kandelfor
- Paul Greengard
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As mais avançadas pesquisas que resultaram em descobertas sobre a transdução de sinais no sistema nervoso central, um ganho nas questões do cérebro para muitos seres humanos, garantiram a três cientistas o Nobel de Medicina. O prêmio, dividido entre os médicos Arvid Carlsson, Erick Kandelfor e Paul Greengard, foi anunciado pelo Karolinska Institutet, em Estocolmo, na Suécia, em 9 de outubro de 2000. Com a rapidez das comunicações hoje em dia, é de se esperar que as descobertas cheguem em tempo para muitas pessoas que sofrem, por exemplo, de depressão, de transtornos mentais ou do mal de Parkinson. Quando e onde todas as descobertas dos três cientistas estarão amplamente acessíveis, inclusive em termos de custo, a todos os que dependem de tratamento, eis a questão.

História do Prêmio Nobel

Alfred Nobel – o homem por trás dos prêmios

Alfred Nobel, um sueco nascido em Estocolmo em 1833, veio de uma família de engenheiros que, por sua vez, descendia de Olof Rudbeck, considerado o mais famoso gênio técnico da Suécia no século 17. Aos nove anos, ele se mudou com a família para a Rússia, onde foi educado em ciências naturais e ciências humanas.

Nobel inventou a dinamite em 1866 e, mais tarde, instalou companhias e laboratórios em mais de 20 países pelo mundo. Um holder de mais de 350 patentes, escreveu também poesias e romances, tendo considerado seriamente se tornar um escritor.

A idéia de distribuir sua fortuna não era mera fantasia para Nobel, que era muito ligado a promover a paz e extraía um grande prazer da literatura, enquanto trabalhava como pesquisador e inventor.

Em 1895, Nobel assinou seu testamento no Clube Sueco-Norueguês em Paris, falecendo um ano depois, de ataque do coração, em San Remo, na Itália.

Medicina - As Descobertas Premiadas

Estocolmo, 9 de Novembro de 2000

Arvid Carlsson, Paul Greengard e Eric Kandel ganharam o Nobel de Medicina e Fisiologia por suas descobertas sobre como as mensagens são transmitidas no sistema nervoso central, trabalho compensado no tratamento da doença de Parkinson. Os três laureados dividem a quantia de US$ 915 mil por suas descobertas pioneiras sobre como uma célula envia mensagem para a outra, informação crucial para se entender a função do cérebro. Além de serem a base para o tratamento para o mal de Parkinson, as descobertas contribuíram também para o desenvolvimento dos antidepressivos como o Prozac, de acordo com o porta-voz do Karolinska Institute.     

As descobertas

No cérebro humano existem mais de cem bilhões de células nervosas, conectadas umas às outras por uma rede infinitamente complexa. Uma mensagem é transmitida de uma célula para a outra por meio de diferentes transmissores químicos. A transdução, ou transporte, de sinal ocorre em pontos especiais de contatos, chamados sinapses, sendo que uma única célula nervosa pode ter milhares desses pontos com outras células.

Os três pesquisadores fizeram descobertas pioneiras quanto a um tipo de transdução de sinal entre as células nervosas, chamados de transmissão sináptica lenta. Isso possibilitou entender a função normal do cérebro e como as perturbações nesta transdução de sinal podem provocar doenças neurológicas e psiquiátricas, possibilitando ainda que novas drogas fossem desenvolvidas.

Arvid Carlsson foi quem descobriu que a dopamina é um transmissor do cérebro e que isso tem uma grande importância quanto à nossa habilidade no controle de movimentos. Sua pesquisa levou ao entendimento de que a doença de Parkinson é causada por uma carência de dopamina em certas partes do cérebro e de que um remédio eficiente para essa doença (o L-dopa) pôde ser desenvolvido. Carlsson fez descobertas subseqüentes, todas clareando o papel da dopamina no cérebro, e demonstrou assim como agem as drogas usadas no tratamento da esquizofrenia.

Paul Greengard descobriu como a dopamina e uma série de outros transmissores exercem sua ação no sistema nervoso. O transmissor age primeiro em um receptor na superfície da célula. Este aciona reações em cadeia que vão afetar certas 'proteínas-chave', as quais, por sua vez, regulam várias funções da célula nervosa. As proteínas são modificadas conforme são adicionados (fosforilação) os grupos de fosfatos, ou removidos (defosforilação), o que provoca uma mudança na forma e na função da proteína. Através deste mecanismo, os transmissores podem carrear suas mensagens de uma célula para a outra.

Eric Kandel, por sua vez, descobriu como a eficiência das sinapses pode ser modificada e quais os mecanismos moleculares que fazem parte desse processo. Usando um molusco marítimo (sea slug) como modelo experimental, ele demonstrou como as mudanças de função sináptica são centrais para o aprendizado e para a memória. A fosforilação de proteína em sinapses desempenha um papel importante na geração de uma forma de memória de curto prazo. Para desenvolver a memória a longo prazo, é necessário também uma mudança na síntese de proteína, que pode levar a alterações na forma e na função da sinapse.

Arvid Carlsson

ARVID CARLSSON nasceu em 25 de janeiro de 1923 em Uppsala, na Suécia, e integra o Departamento de Farmacologia da Universidade de Gothenburg no mesmo país.

Dopamina – um importante transmissor, segundo o resultado das pesquisas de Carlsson. Antes, acreditava-se que a dopamina era apenas um precursor para outro transmissor, a noradrenalina. Carlsson descobriu que a dopamina estava concentrada em outras áreas do cérebro em lugar da noradrenalina, o que o levou à conclusão de que ela, em si, era também um transmissor. A dopamina existe em altas concentrações em partes do cérebro chamadas de gânglios basais, de especial importância para o controle dos movimentos. Carlsson mostrou também que o tratamento com L-dopa normalizava os níveis de dopamina no cérebro, em geral baixos nos pacientes com doença de Parkinson. Durante a doença, as células nervosas que produziriam dopamina nos gânglios basais se degeneram e isso é o que causa tremor, rigidez e acinesia. A L-dopa, convertida em dopamina no cérebro, compensa a falta de dopamina e normaliza o comportamento motor.

Além desse tratamento, as pesquisas de Carlsson possibilitaram entender o mecanismo de várias outras drogas como antipsicóticos. Igualmente foi possível avançar no tratamento contra depressão e no desenvolvimento de bloqueadores de serotonina, uma nova geração de drogas antidepressivas.

Erick Kandelfor

Eric R Kandel nasceu em 7 de novembro de 1929 em Viena, na Áustria, e se tornou cidadão norte-americano. Ele desenvolve seu trabalho no Center for Neurobiology and Behavior, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, EUA.

Ele foi recompensado por revelar os mecanismos moleculares importantes para a formação da memória. Depois de estudar em mamíferos, cujo mecanismo era muito complexo, optou por estudar o sistema nervoso de um molusco, Aplysia.

Kandel demonstrou que o aprendizado era devido a uma ampliação da sinapse que conecta as células nervosas sensoriais às células nervosas que ativam os grupos de músculos que originam o reflexo protetor.

Os mecanismos fundamentais que Kandel revelou também são aplicáveis em humanos. Pode-se dizer que nossa memória é localizada nas sinapses. Com as descobertas de Kandel, é possível agora estudar, por exemplo, como as imagens complexas da memória são armazenadas no sistema nervoso e como se pode recriar a memória de eventos antigos. Conhecendo esses mecanismos, será possível então desenvolver novos tipos de medicação para melhorar as funções da memória.

Paul Greengard

Paul Greengard, nascido em 11 de dezembro de 1925, em Nova Iorque, EUA, trabalha no Laboratory of Molecular and Cellular Neuroscience também em Nova Iorque, pertencente à Rockefeller University

Até 1960, sabia-se que a dopamina, a noradrenalina e a serotonina eram transmissores do sistema nervoso central, mas não se conhecia seu mecanismo de ação. Greengard recebeu o prêmio Nobel por suas descobertas sobre como esses transmissores exercem efeitos nas sinapses.

A fosforilação da proteína afeta uma série de proteínas com diferentes funções na célula nervosa. As descobertas de Greengard mostraram que reações muito complexas ocorrem em certas células nervosas e suas descobertas quanto à fosforilação de proteínas aumentaram nosso entendimento sobre o mecanismo de ação de várias drogas com esses efeitos específicos nessas mesmas células.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             14 de Novembro de 2000


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