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Artigos de saúde

Distúrbios Psiquiátricos e Sua Associação Com Um Comportamento Sexual de Risco em Jovens

Neste Artigo:

- Introdução
- Distúrbios Psiquiátricos Mais Comuns em Jovens
- Doenças Sexualmente Transmissíveis
- Comportamento Sexual de Risco
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"A função sexual humana, até a algumas décadas, havia sido estudada apenas em seus fundamentos para a reprodução. Todos os seres vivos têm o instinto da sexualidade, cuja função é a perpetuação da espécie. Mas, na medida em que subimos a escala evolutiva e chegamos ao ser humano, o instinto já não é tão intenso, deixando lugar a manifestações de ordem cultural. Os distúrbios psiquiátricos e o comportamento sexual de risco (atividade sexual sem a tomada de precauções com o uso de preservativos) se iniciam, sobretudo, na faixa etária mais jovem. Esse fato é geralmente aceito como um problema de saúde publica importante, com implicações sérias, apesar do restrito conhecimento acerca da relação entre os distúrbios psiquiátricos e o comportamento sexual perigoso entre indivíduos jovens. Um estudo realizado pelo departamento de Medicina Preventiva e Social da Universidade de Otago, Nova Zelândia, o Dunedin Multidisciplinary Health and Development Research Unit, avaliou a influência de alterações psiquiátricas e o comportamento sexual perigoso em jovens, determinando sua relação nestes indivíduos".

Introdução

As informações acerca da ocorrência de doenças mentais e o comportamento sexual de risco podem servir na identificação de uma população de risco para os dois problemas e também, auxiliar na informação quanto à prevenção e práticas intervencionistas.

Estudos realizados anteriormente demonstraram a existência de associação entre problemas psiquiátricos, comportamento sexual de risco e doenças sexualmente transmissíveis. A maiorias destes estudos, entretanto, analisou amostras altamente selecionadas ou confiou em parâmetros globais dos indicadores de distúrbios psiquiátricos. Além disso, os estudos anteriormente realizados se concentraram unicamente em dependentes de substâncias psicoativas (drogas que agem no sistema nervoso central, provocando dependência). As demais alterações psiquiátricas, como a ansiedade e a depressão, foram irrelevantes e não constaram nestes estudos. Como resultado das limitações destes trabalhos, os achados foram irrelevantes para a prática clínica ou política de saúde pública.

Os cientistas procuraram determinar se o contato sexual de risco, as doenças sexualmente transmissíveis e o início da atividade sexual precoce estavam associados a distúrbios psiquiátricos, em jovens com idade compreendida entre 20 a 21 anos.
Os pesquisadores examinaram os aspectos do comportamento sexual e problemas psiquiátricos em indivíduos com 21 anos de idade. Foram avaliados aproximadamente 992 pacientes da cidade de Dunedin, uma cidade localizada ao sul da Nova Zelândia, que tem uma população de 120.000 habitantes.

Distúrbios Psiquiátricos Mais Comuns em Jovens

Foram avaliados os seguintes distúrbios psiquiátricos, de acordo com os sistemas classificatórios propostos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Associação Psiquiátrica Americana, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-III-R): ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, dependência de drogas, transtornos anti-sociais, mania e transtornos esquizofrênicos.

A análise dos transtornos de ansiedade incluiu a ansiedade denominada primária, apresentando: fobias (medos), dentre elas a agorafobia, as fobias sociais e fobias específicas; transtorno do pânico; ansiedade generalizada ou mistura de ansiedade e depressão; e alterações obsessivo-compulsivas.

A avaliação da depressão englobou a depressão maior e a distimia, como transtornos depressivos do humor.

Os transtornos alimentares incluíram a anorexia, bulimia ou ambas.

A dependência de drogas (utilização nociva de substâncias que alteram as funções do sistema nervoso central) envolveu as substâncias que possuem efeito psicoativo, o álcool e a maconha.

Doenças Sexualmente Transmissíveis

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são doenças infectocontagiosas cujo principal modo de transmissão é o contágio direto pelo ato sexual. Sua incidência é alta e, embora com algumas exceções, não sejam mortais, são afecções que freqüentemente levam a complicações. Atingem uma faixa etária jovem, tendo ressonância na esfera psíquica, e o impacto econômico que causam, tanto pelas horas de trabalho perdidas quanto pelos gastos que seu tratamento acarreta, é de grande repercussão.

Os fatores responsáveis pela alta incidência das DST numa época de medicamentos muito eficazes para controlá-las encontram-se inseridos na análise da variação de parceria sexual. Uma vez que o único meio de transmissão de importância epidemiológica é o ato sexual, a chance de um indivíduo contrair ou transmitir uma doença sexualmente transmissível é tanto maior quanto maior for a variação de parceria sexual (troca de parceiros), que é influenciada, principalmente por fatores sócio-econômicos que levam às grandes aglomerações urbanas, ao início precoce de atividade sexual, ao comportamento sexual igual para ambos os sexos, ao maior uso de meios anticoncepcionais, ao homossexualismo aceito socialmente e ao menor preconceito atual, relativo ao sexo.

Existem várias maneiras de se evitar a ocorrência de DST, que podem ser recomendadas à população em geral, como: a diminuição do número de parceiros sexuais; o uso de preservativos (camisinhas) adequados e de boa qualidade, em atividade sexual com todos os parceiros; a promoção de educação da população quanto aos riscos de se contrair este tipo de doença.

Comportamento Sexual de Risco

Comportamento sexual de risco foi considerado através da análise do número de parceiros sexuais e do uso de preservativos no ato sexual. Foram incluídos neste grupo, os indivíduos com três ou mais parceiros sexuais e que nunca ou apenas algumas vezes utilizaram preservativos durante as relações sexuais.  O uso da camisinha reduz o risco de contrair DST, e o número de parceiros sexual também influencia na disseminação destas doenças.

O início da atividade sexual foi ressaltado no estudo da influência de distúrbios psiquiátricos e o comportamento sexual perigoso dos jovens. Os indivíduos estudados foram indagados acerca da idade em que tiveram a primeira relação sexual. Os indivíduos que iniciaram a atividade sexual antes dos dezesseis anos de idade, foram considerados precoces na iniciação sexual.

Nos resultados do trabalho não foram evidenciadas diferenças pronunciadas e significativas entre os sexos masculino e feminino quanto ao comportamento sexual. Quando comparados aos indivíduos que não possuem distúrbios psiquiátricos, os membros do estudo portadores de transtornos de ansiedade se mostraram mais susceptíveis às doenças sexualmente transmissíveis. Os indivíduos portadores de transtornos do humor, depressão, dependência de substâncias psicoativas e distúrbios anti-sociais se mostraram mais susceptíveis ao comportamento sexual perigoso e iniciaram a atividade sexual precocemente. Finalmente, os indivíduos portadores de transtornos esquizofrênicos apresentaram uma maior tendência aos três aspectos relevados no estudo: comportamento sexual de risco, contágio de doenças sexualmente transmissíveis e início precoce da atividade sexual.

A maioria dos transtornos psiquiátricos mais comuns em indivíduos jovens, sobretudo a depressão e a dependência de drogas, consiste nos distúrbios que estão intimamente relacionados aos problemas psicossexuais desta faixa etária. Os achados explicitam a necessidade de um tratamento medicamentoso associado a um auxílio de serviços de saúde mental na abordagem e terapêutica de indivíduos jovens.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             19 de Outubro de 2000


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