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Artigos de saúde

Afasia: Um Problema de Linguagem

Neste artigo:

Breve introdução sobre Fonoaudiologia
Afasia: um problema de linguagem de origem neurológica

A fonoaudiologia trata de inúmeras disfunções da fala, voz e linguagem, inclusive dos problemas mais graves, de comprometimento neurológico, como é o caso da afasia, que se encontra como patologia da linguagem. O apoio psicológico para pacientes e familiares também é indicado.

Breve introdução sobre Fonoaudiologia

Para entendermos a Afasia, é preciso que tenhamos alguns dados iniciais sobre Fonoaudiologia. De acordo com a Fonoaudióloga Suely De Miranda Gomes, especialista em voz, a Fonoaudiologia é o ramo da ciência da saúde que estuda a comunicação humana em seus aspectos normais e patológicos, visando a pesquisa, a prevenção, a avaliação e a terapia fonoaudiológica da comunicação oral e escrita, voz e audição, bem como aperfeiçoamento da fala e voz. "Com outras palavras, é uma profissão da área da saúde que previne, pesquisa, avalia, trata as alterações da voz, fala, linguagem, audição e aprendizagem", explica a profissional.

De acordo com a psicóloga e psicanalista Silvana Rabello, o diagnóstico dos problemas de fala são feitos através da história da criança, colhida junto aos pais e do exame direto e, antes de mais nada, é necessário diferenciar o que é de origem orgânica do que é de origem emocional, uma vez que muitos dos problemas de fala e linguagem são de causa psicológica. "Temos crianças sem intenções comunicativas, que dizem respeito aos quadros emocionais mais graves como autismo. Existem ainda outros quadros emocionais graves, como a psicose, que aparece através de um discurso incoerente, falas estranhas e, às vezes, apenas gritos e ruídos", diz a psicanalista. A fala, segundo Silvana, "é uma tarefa simbólica por excelência, logo, quadros emocionais importantes apresentam alterações graves de fala - problemas sérios no processo de subjetivação que a criança deve atravessar". Ela aponta ainda a existência de quadros globais, como a deficiência mental, que podem apresentar um atraso no desenvolvimento da linguagem, além de outros quadros, que são puramente motores. "Nestes, a produção lingüística existe, mas não pode ser externada pela incapacidade motora para articular os sons necessários", aprofunda. Silvana lembra que existem também situações mais específicas, isto é, "onde estes aspectos descritos estão preservados, mas o centro voltado à produção lingüística apresenta problemas, como ocorre com a afasia, dispraxia e a dislexia".

Alguns outros conceitos também são necessários, para definirmos bem onde se encontra o problema de que queremos tratar, ou seja, a Afasia. A Voz, conforme nos explica a Dra. Suely, é o som produzido pelo aparelho fonador, através da vibração das pregas vocais. "A Voz é o meio de comunicação mais primitivo, sendo uma atividade natural e espontânea do ser humano e estando intimamente ligada a emoção", completa. A Voz sofre algumas patologias comuns: a Disfonia (alteração na emissão da voz por mecanismo laríngeo incorreto, de origem orgânica ou funcional, causando rouquidão, tremor, debilidade da Voz e excesso de nasalização) e a Afonia (perda da emissão sonora, de forma que a fala é um sussurro).

Outro conceito importante é o da Fala. A Fala é a manifestação da mensagem pelo canal vocal, constituindo-se de linguagem expressiva. "A Fala utiliza-se de mecanismos articulatórios para imprimir o código", diz Suely. Da Fala, outras patologias são decorrentes: a Dislalia (alteração que se caracteriza por dificuldades na organização fonológica, com interação dos fonemas nas sílabas e nas palavras e/ou fonética, com produção motora dos fonemas) e a Disartria (dificuldade na articulação da palavra em conseqüência de lesões nas vias nervosas, destinada ao comando motor da fala).

Por último, cabe definir, com ajuda da fonoaudióloga, a Linguagem. Este conceito é mais complexo e não necessariamente relacionado a problemas orgânicos. Trata-se do processo mental de elaborar, formular, compreender e interpretar a mensagem. "A Linguagem é uma função neurológica elaborada e altamente superior, própria dos seres humanos", define a Dra. Suely. A Linguagem se subdivide em Linguagem Escrita e Falada, com patologias específicas.

A Linguagem Escrita pode ter como patologias a Dislexia (dificuldade específica que afeta a aprendizagem da decodificação do sistema verbal escrito, ou como prefere a Dra. Silvana Rabello, a dificuldade de processamento relacionada ao ato de leitura e escrita), a Disortografia (consiste na dificuldade de compreensão pela escrita que se caracteriza por inversões, aglutinações, omissões, etc) e a Disgrafia (dificuldade no padrão motor da escrita caracterizado por alterações na pressão da letra e falta de harmonia nos movimentos dissociados, bem como signos gráficos indiferenciados).

Na Linguagem Falada, ocorre o Atraso de Linguagem (aquisição tardia da linguagem em cuja evolução podem persistir dificuldades na organização fonológica, morfológica, sintática e semântica); a Disfemia (perturbação na integração e/ou organização da linguagem que altera o ritmo da expressão oral (a Gagueira é um sintoma da disfemia); a Dispraxia (o sujeito não consegue fazer o planejamento motor para produzir a fala, apesar dos músculos estarem preservados) e, finalmente, a Afasia, (perda da capacidade de compreender e/ou expressar-se pela linguagem oral em conseqüência de lesão neurológica central específica).

Afasia: um problema de linguagem de origem neurológica

Segundo Heloísa Miguens de Araújo, fonoaudióloga Pós-Graduada em Fonoaudiologia e em Neurofisiologia, Master Practitioner em Programação Neurolinguística pelo INAp, Afasia é a perda parcial ou total da capacidade de linguagem, de causa neurológica central, decorrente de AVC (Acidente Vascular Cerebral), lesões cerebrais nas áreas da fala e linguagem. Na opinião da psicóloga Silvana Rabello, "Afasia é um distúrbio central onde a evocação das palavras fica prejudicada, como vemos em alguns idosos, ou vítimas de acidente vascular cerebral, por exemplo".

A especialista afirma que, conforme a extensão e localização da lesão cerebral, o paciente pode apresentar um ou mais sintomas, entre eles a perda total ou parcial das habilidades de articulação das palavras, a perda da fluência verbal, com dificuldade de expressão verbal, nomeação de objetos e repetição de palavras. De acordo com Heloísa, uma pessoa vítima de afasia pode não conseguir contar, nomear, por exemplo, dos dias da semana e os meses do ano ou ainda perder a noção gramatical. É difícil para alguém com afasia interpretar o que ouve. "É como se a pessoa, mesmo ouvindo, ficasse 'surda' para as palavras, por não reconhecer o significado das mesmas", explica a Dra. Heloísa, que completa que "muitas vezes o portador de afasia consegue perceber alguma palavra e reconhece o restante da comunicação". A perda parcial ou total da capacidade de ler e escrever também fazem parte da sintomatologia do portador de afasia. Ele ainda pode não conseguir organizar gestos de forma a representar ou comunicar o que quer. "Por exemplo, o paciente não consegue, com gestos, mostrar o que deseja comer ou indicar que deseja comer", ilustra a fonoaudióloga.

Nestes casos, além da correta identificação da causa do problema, é importante que se procure um fonoaudiólogo, que pode melhorar muito a qualidade de vida e capacidade de comunicação de um indivíduo portador de Afasia. É muito importante, também, que o diagnóstico da afasia seja corretamente feito. A psicóloga e psicanalista Silvana Rabello aponta como essencial que o quadro sintomático orgânico seja diferenciado do quadro emocional. "A incidência do quadro emocional sobre os problemas de fala é bem alta".

Feita esta distinção e confirmado o diagnóstico de afasia, cuja terapêutica não é feita por psicólogos, é comum, no entanto, que o paciente também necessite de atendimento psicológico, por conta da crise de impotência que sofrem. Nestes casos, a psicanalista alerta para que o profissional escolhido esteja preparado para compreender um paciente que não fala, ou fala muito mal, e que conheça o quadro para saber entender as tentativas comunicativas do seu paciente. "Ás vezes, quando muito grave, os pacientes podem aprender outros códigos comunicativos para suprir a deficiência da fala", diz. Na opinião da psicanalista, a família do paciente de afasia também deve ser atendida pelo psicólogo, uma vez que a deficiência é justamente de comunicação. "A família é o maior estímulo e modelo comunicativo. Ela deve ser bem orientada, assim como acolhida no seu sofrimento frente a um filho com problemas tão graves", completa.

Copyright © 2000 eHealth Latin America    28 de Agosto de 2000



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