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A Prevalência da Asma em Adultos: Um Estudo de Duas Gerações de uma Família

A asma consiste em uma doença do sistema respiratório, caracterizada por uma responsividade exacerbada (resposta aumentada) da traquéia e dos brônquios (árvore respiratória) a diversos estímulos.

Esta resposta aumentada manifesta-se por um estreitamento generalizado das vias aéreas, secundário a uma combinação de broncoespasmo (contração involuntária do brônquio), inflamação, edema (inchaço) e hipersecreção mucosa.

Os termos bronquite e bronquite asmática são designações utilizadas com freqüência em pediatria para caracterizar os sinais e sintomas que ocorrem e que representam a mesma entidade – a asma brônquica -, visto que a infecção pode causar broncoespasmo ou diminuir o calibre da via aérea por edema de mucosa ou por hipersecreção suficientes para causar um som anormal pulmonar, o sibilo (ruído semelhante a um assobio).

O surgimento de asma na infância ocorre sobretudo antes dos oito anos de idade, marcadamente, antes dos três anos de idade, acometendo 3 a 10% de crianças e adolescentes. Há maior incidência no sexo masculino, sendo a relação entre os sexos de aproximadamente 2:1 desde a infância até a puberdade.

A prevalência da asma elevou-se nos últimos anos, particularmente em alguns países como os Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, sendo as prevalências atuais de 8, 20 e 23%, respectivamente. Isto parece decorrer, além da elevação na incidência, também da elevação na duração e no diagnóstico da asma.

A análise do curso clínico da asma revela alta taxa de remissão entre as crianças e elevação da prevalência na meia-idade e na velhice, esta provavelmente refletindo a associação de hiper-reatividade brônquica com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) entre adultos.

Em um estudo publicado pela revista British Medical Journal (BMJ), os pesquisadores concluíram que a prevalência da asma em indivíduos adultos aumentou mais de duas vezes, em um período de vinte anos, associada principalmente à atopia (alergia).

A prevalência da asma aumentou entre as crianças nas últimas décadas. Enquanto a asma da infância pode persistir ou retornar na idade adulta, uma crescente prevalência da asma em adultos é esperada, quando se procede à análise de crianças, cada vez mais afetadas pela doença e de seu envelhecimento.

O estudo

Neste trabalho, os pesquisadores verificaram a prevalência da asma e da febre do feno (denominada asma atópica-alérgica) em adultos, através da investigação e da comparação entre dois períodos diferentes, separados por um tempo aproximado de vinte anos. Foram realizadas duas investigações epidemiológicas, sendo uma entre os anos de 1972 a 1976, e a outra, em 1996.

O estudo consiste em uma comparação da prevalência da asma, principalmente, asma atópica (febre do feno), através da combinação de dados obtidos nos pacientes estudados, homens e mulheres de duas gerações, com idade entre 45 e 54 anos. As duas gerações faziam parte da família estudada na Escócia.

Os cientistas utilizaram perguntas idênticas acerca da asma e da febre do feno e sintomas respiratórios (chieira torácica e dispnéia- falta de ar) em cada exame. O estudo foi realizado em duas cidades do oeste da Escócia, Renfrew e Paisley.

Foram avaliados 1.477 casais, que apresentavam idade entre 45 e 64 anos, na investigação da população em 1972 a 1976; e mais 2.338 indivíduos da prole destes casais, com idade entre 30 e 59 anos, na investigação de 1996. Foram comparadas as prevalências da asma, febre do feno e sintomas respiratórios, em um número correspondente a 1.708 pais e 1.124 descendentes, com idade entre 45 e 54 anos.

Os pesquisadores utilizaram uma definição mais ampla da asma, como chieira torácica, com o objetivo de minimizar a polarização diagnóstica. Mesmo assim, a prevalência da asma foi pouco alterada. Entretanto, a polarização diagnóstica afetou principalmente a asma não-atópica.

Foram aplicados questionários sobre o sistema respiratório e cardiovascular aos pacientes que, no período entre 1972 a 1976, eram crianças e adolescentes e aos seus descendentes, no ano de 1996.

Em indivíduos que nunca fumaram, a prevalência da asma e da febre do feno foi de 3% e 5,8%, respectivamente, em 1972 a 1976; e de 8,2% e 19,9%, em 1996. Em fumantes, os números encontrados foram 1,6% e 5,4%, em 1972 a 1976; e 5,3% e 15,5%, em 1996. Em ambas as gerações, a prevalência da asma foi mais elevada nos pacientes que relataram febre do feno (asma atópica).

Nos pacientes não tabagistas, os relatórios sobre a chieira torácica não diagnosticados como asma foi aproximadamente dez vezes mais comum em 1972-6 do que em 1996.

Resultados

No intervalo de tempo de vinte anos, houve mudanças na incidência da doença respiratória, principalmente devido ao tabagismo e alteração do poder aquisitivo.

Em ambas as gerações estudadas, a prevalência da asma foi maior do que a prevalência da febre do feno. Apesar disso, no exame realizado em 1996, a chieira torácica havia diminuído tanto nos homens, quanto nas mulheres. O hábito de fumar reduziu à metade nos dois sexos, entre os dois períodos do estudo (1972 a 1976 e 1996).

Nos resultados, verificou-se um aumento da prevalência de asma e da febre do feno (asma atópica). Esse aumento ocorreu, sobretudo, devido ao aumento da prevalência da asma atópica. A prevalência da asma não-atópica não sofreu grandes alterações.

A prevalência de febre do feno, asma, chieira respiratória e dispnéia (falta de ar), nos pais (antecedentes) foi mais baixa, comparada à dos demais participantes do estudo.

Essa diferença é devida, em sua maioria, à diferença de classe social e ao hábito de fumar.

Não foram encontradas evidências que explicassem o aumento do número de casos diagnosticados de asma atópica; mas, houve um aumento na conscientização dos indivíduos quanto ao esclarecimento da doença, sobretudo, da asma não-atópica, no período recente deste estudo.

A asma não-atópica (causada por problemas não relacionados à alergia) não mostrou alteração quanto a sua prevalência entre 1972-6 e 1996. Entretanto, a prevalência da asma atópica (devido à alergia) aumentou em cerca de duas vezes neste mesmo período.

Entre os pais e os descendentes estudados, houve pouca diferença na prevalência da asma, em um contexto geral, sem defini-la, se alérgica ou não. Os achados refletem provavelmente o não reconhecimento da asma em pacientes com alterações respiratórias, há vinte anos.

Os pesquisadores concluíram que a ocorrência da asma duplicou em vinte anos (período entre 1976 a 1996), associada, sobretudo, à atopia. Isso foi obtido através da análise dos dados da prevalência de febre do feno nos indivíduos estudados. Não encontraram nenhuma evidência para explicar a tendência à asma atópica (alérgica), neste período de vinte anos.

Fonte: British Medical Journal (BMJ): 2000; 321: 88-92

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