Publicidade

Artigos de saúde

Cardiopatias em Bebês - Sua Visão no Ano 2000

São consideradas cardiopatias congênitas aqueles defeitos cardíacos que estão presentes ao nascimento da criança. Sua etiologia é multifatorial, incluindo fatores ambientais, genéticos, uso de medicamentos e drogas, doença materna como os diabetes, o lúpus e infecções como a rubéola e a sífilis que possam agir no momento de formação do coração fetal, que ocorre nas primeiras oito semanas de gravidez.

A cardiopatia congênita ocorre em 8 crianças em cada mil nascidos vivos. As más formações cardíacas congênitas são várias, podendo citar, entre outras, as comunicações interatriais (comunicação anômala entre os átrios direito e esquerdo), e as comunicações interventriculares (que é a ligação entre os dois ventrículos por um defeito no septo que também os separam).

De acordo com a especialista, Dra. Maria da Glória Cruvinel Horta, presidente do Comitê de Cardiologia Pediátrica da Sociedade Mineira de Cardiologia, do ponto de vista didático, podemos separar as cardiopatias congênitas em cianóticas (com cianose, que dão à criança a coloração azulada) ou acianóticas (sem cianose), conforme a presença ou não de baixa de oxigenação no sangue na fase inicial da doença.

A cianose que ocorre na fase inicial das cardiopatias cianóticas é um sinal clínico importante de gravidade, representando muitas vezes uma emergência médica. No coração normal, explica a médica, a contração do ventrículo direito injeta o sangue na artéria pulmonar e a contração do esquerdo na artéria aorta.

Em uma das doenças cianóticas, ocorre a transposição dos vasos da base. Isto é, a aorta que é a principal artéria que nasce no ventrículo esquerdo do coração, nestes casos sai do ventrículo direito, e a artéria pulmonar sai do ventrículo esquerdo, fazendo com que grande parte do sangue entre na circulação sem ser oxigenado.

Quanto mais precoce é o seu aparecimento, mais rapidez exige no esclarecimento da causa e no tratamento. Principalmente no berçário, este problema (a cianose) não deve ser simplesmente observado, pois poderemos estar perdendo horas preciosas que podem significar a diferença entre o êxito e o fracasso do tratamento, alerta a especialista.

As cardiopatias acianóticas (sem cianose) têm uma grande variação de apresentação clínica, que pode variar desde a ausência total de sintomas, até a um quadro de insuficiência cardíaca de início precoce e normalmente de difícil controle. Assim como ocorre com a cianose, quanto mais precoce os sintomas aparecem, mais grave é a cardiopatia e mais cedo deverá ser feito o seu tratamento.

Princípios

A Dra. Maria da Glória explica que, como princípio geral de tratamento deste tipo de cardiopatia, é necessário manter a criança confortável, evitando o stress, mantendo uma glicemia adequada, principalmente no recém-nascido, e providenciar o esclarecimento do diagnóstico o mais precocemente possível. Somente um diagnóstico precoce pode determinar de uma forma correta, qual o melhor tratamento para se tentar evitar complicações e determinar a indicação de qual o melhor momento para se realizar uma cirurgia.

O diagnóstico da cardiopatia congênita é feito através da colheita cuidadosa de informações com a família e do exame físico bem feito, complementado por exames, como o eletrocardiograma, a radiografia de tórax e o ecodopplercardiograma bidimensional a cores. O cateterismo cardíaco e a cineangiocardiografia, esclarece a médica, são reservados hoje para utilização como meio diagnóstico apenas em casos de dúvida, ou ainda quando se torna necessário, uma maior precisão do que a já fornecida pelo exame de ecocardiograma.

As cardiopatias congênitas mais freqüentes são as comunicações interventriculares; nestes casos, existe um orifício entre os dois ventrículos do coração.

Entre as acianóticas, esta situação corresponde a 30% de todas as cardiopatias congênitas. A persistência do canal arterial no recém-nascido prematuro é muito comum, sendo considerada como uma adaptação natural da circulação da criança. Entre as cardiopatias cianóticas, as transposições das grandes artérias do coração e as Tetralogias de Fallot, normalmente são as mais encontradas.

Tratamento

O tratamento clínico, segundo a especialista, é feito conforme o quadro que a criança apresenta, seja de cianose ou de insuficiência cardíaca. Algumas cardiopatias congênitas não necessitam de tratamento, uma vez que podem apresentar cura espontânea, como costuma acontecer com o canal arterial perisistente no bebê prematuro e a maioria das comunicações interventriculares.

Já as cardiopatias que evoluem de forma mais grave geralmente apresentam a opção de tratamento cirúrgico, algumas vezes realizado já no período neonatal, outras vezes no lactente ou criança maior, conforme a necessidade.

Contamos hoje com a opção do cateterismo cardíaco terapêutico, que segundo a médica, pode realizar procedimentos paliativos e até mesmo curativos, como é feito no canal arterial persistente, na comunicação interatrial, na estenose pulmonar, na estenose aórtica, e na estenose mitral.

Dra. Maria da Glória explica que crianças cardiopatas em sua maioria, necessitam de acompanhamento médico e cuidados específicos durante toda a vida. Esses cuidados gerais incluem desde a complementação dietética com sulfato ferroso nas crianças cianóticas, a precaução constante para se evitar infecções e a prevenção de cáries na tentativa de se evitar o risco de endocardite, além de uma dieta rica em calorias naquelas crianças que apresentam dificuldade para ganhar peso.

A boa notícia é que a cardiologia pediátrica vem apresentando grandes avanços nas últimas décadas, possibilitando hoje o tratamento de cardiopatias até há pouco tempo consideradas incorrigíveis, substituindo a cirurgia por procedimentos menos agressivos. Com a possibilidade de novos avanços que se abre com a medicina molecular e a terapia genética, podemos esperar ver ainda nessa geração, mudanças radicais melhorando a qualidade de vida dessas crianças, acrescenta a médica.

Sabia como funciona o coração

O coração é um órgão muscular oco, situado entre os dois pulmões, com a função de dar movimento ao sangue, distribuindo-o por todo o corpo. Ele é dividido em parte direita e esquerda, sendo que para cada lado possui um átrio (cavidade superior) e um ventrículo que é a cavidade inferior. O conjunto de átrio e ventrículo do lado direito do coração é separado do conjunto do lado esquerdo pelos chamados septos, que possuem a função de impedir que o sangue venoso se misture com o sangue arterial.

O lado esquerdo do coração é responsável pela grande circulação, sendo que através dele é que o sangue é distribuído para o corpo. Já o lado direito tem como função proporcionar a pequena circulação, o fluxo de sangue entre coração e pulmão.

O sangue é trazido de todo corpo para o coração através das grandes veias que são a veia cava superior e cava inferior. Este sangue é o venoso constituído de impurezas absorvidas pelo intestino e de substâncias produzidas pelos tecidos, com baixa porcentagem de oxigênio e alta de gás carbônico. Ao chegar ao átrio direito, esse sangue é impulsionado através da válvula tricúspide para o ventrículo direito, que irá levá-lo para a artéria pulmonar através da válvula pulmonar.

O pulmão elimina o gás carbônico do sangue venoso que percorre os vasos sangüíneos para fornecer oxigênio. O sangue se torna oxigenado e, através das veias pulmonares, entra no átrio esquerdo pela válvula mitral e entra no ventrículo esquerdo. Com a contração do ventrículo esquerdo, o sangue é expelido através da veia aórtica para a artéria aorta, que é a maior do corpo humano e é responsável pela distribuição do sangue que foi reoxigenado para todos os vasos sangüíneos e tecidos do corpo.

Copyright © 2000 eHealth Latin America



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: