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Pesquisa do HIV Recomendada em Todas as Mulheres Grávidas

Todas as mulheres grávidas nos Estados Unidos, independentemente de seu risco aparente, devem ser submetidas a exames laboratoriais para pesquisa no sangue do vírus da imunodeficiência humana (HIV), informou o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG), como exame rotineiro a ser realizado durante o controle pré-natal.

O ACOG anunciou o início de uma campanha de educação agressiva para que os 40.000 especialistas que trabalham nesta área nos Estados Unidos solicitem o exame para pesquisa do HIV em sua bateria de exames de rotina durante o pré-natal.

"Nosso objetivo é fazer com que o exame de HIV seja tão comum quanto o exame de urina de rotina, durante a primeira consulta de pré-natal," disse Michael F. Greene, do comitê do ACOG de Prática Obstétrica.

"O exame de HIV não deve ser obrigatório -- qualquer mulher deveria ter o direito de recusar-se a fazer o exame. Mas nós gostaríamos que o exame de pesquisa do HIV durante a gravidez se tornasse rotineiro e freqüente".

A iniciativa do Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia, que tem o suporte financeiro dos centros para prevenção e controle das doenças (Centers for Disease Control and Prevention - CDC), indica claramente uma mudança significativa de políticas de saúde pública e das autoridades médicas em relação ao exame de pesquisa do HIV em mulheres grávidas.

Os administradores de cuidados médicos deveriam abandonar uma visão antiga-adotada numa época em que havia um grande estigma social e poucas opções de tratamento para a AIDS, e solicitar a pesquisa do HIV como se estivesse solicitando qualquer outro exame de pré-natal convencional.

Em essência, sob esta nova política, advogada inicialmente pelo Institute of Medicine (IOM), todas as mulheres grávidas deveriam ser examinadas, a menos que houvesse uma recusa específica para tal por parte da paciente.

Impulsionando estas mudanças, existem diversos e importantes avanços científicos surgidos desde o começo da década de 90, seja na prevenção da transmissão perinatal do HIV, nos novos exames para pesquisa do vírus, e no tratamento de mulheres contaminadas antes.

Estas mudanças, tais como terapêuticas medicamentosas múltiplas altamente ativas contra o retrovírus, faz com que seja altamente vantajoso para uma paciente saber de seu estado em relação ao HIV tão precocemente quanto possível durante a gestação.

As autoridades do ACOG acreditam que existam muitas mulheres grávidas que ainda se encontram sem diagnóstico da doença. "A incidência de novos casos de AIDS pediátrica teve uma queda muito grande, da ordem de 43%, desde que descobrimos que o medicamento zidovudina reduz a taxa de transmissão perinatal da doença de 25 para 5 a 8%, desde que administrado durante a gravidez e durante o parto", observou o Dr. Stanley Zinberg, vice-presidente da divisão de Atividades Práticas do ACOG.

"Mas o objetivo é realizar exames em todas as mulheres antes do parto, porque, apesar da disponibilidade da zidovudina, bebês contaminados pelo vírus continuam a nascer, filhos de mães infectadas sem diagnóstico de AIDS," disse ele.

Em 1996, 509 bebês recém-nascidos foram infectados pelo HIV nos Estados Unidos. Estima-se que 91% de crianças com AIDS sejam filhas de mães que os infectaram.

No antigo padrão de "aconselhamento universal, com testes voluntários, eram realidos os exames apenas naquelas mulheres que se apresentavam como de alto risco para a infecção pelo HIV," acrescenta o Dr. Zinberg. "Mas não podemos correr o risco ao tentarmos imaginar ou estereotipar quem esteja sob risco de ser portadora do HIV. Precisamos realizar exames em todas as mulheres."

Mais de 95% dos obstetras e ginecologistas dos EUA são membros do ACOG, que realizam cerca de 85% de todos os 3,9 milhões de partos anuais do país. A associação irá entregar a seus membros uma grande variedade de novos materiais educacionais, em duas línguas, tanto para médicos como para pacientes.

Novos panfletos para pacientes, assim como posters, irão a enfatizar a importância de que todas as mulheres devem realizar a pesquisa do HIV durante a gravidez.

"Nosso objetivo é facilitar o processo para o exame pré-natal de HIV, tanto para mulheres grávidas como para que seus médicos peçam o exame", disse Laura E. Riley representante do Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia em um painel do CDC acerca do assunto.

"Queremos tornar tão simples quanto possível, nesta era de tratamentos para AIDS, para as que mulheres sejam examinadas em laboratórios, desde que as conseqüências potenciais de não fazer o exame e do diagnóstico não ser feito podem ser extremamente trágicas," ela acrescentou.

O ACOG está ainda liberando uma nova opinião de um comitê interno que recomenda que mulheres HIV positivas, quando grávidas, e com uma alta carga viral (definida como mais de 1.000 cópias do vírus por mililitro) sejam aconselhadas por seus médicos acerca tanto dos benefícios e riscos dos partos cesarianos eletivos para ajudar a diminuir o risco da transmissão perinatal.

Para aquelas mulheres sendo tratadas com zidovudina, um parto cesariano realizado antes do começo do trabalho de parto, e da ruptura das membranas, reduz a possibilidade de transmissão do HIV para o recém-nascido para aproximadamente 2%. Entretanto, o parto cesariano é associado a maiores complicações maternas do que o parto vaginal.

"No final, a decisão em ter uma cesárea fica com a mulher," observou o presidente do ACOG, o Dr. Frank C. Miller. "Os riscos são maiores para ela, assim ela deve ser informada acerca dos benefícios existentes para o bebê, e tomar uma decisão própria”.

A associação recomendou que os Estados Unidos adotem uma política nacional de realização universal de pesquisa do HIV em grávidas, com notificação do paciente, como um componente rotineiro dos cuidados do pré-natal.

Fonte: American College of Obstetricians and Gynecologists, May 23, 2000

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