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Sistemas de Ar Condicionado Colocam em Risco a Vida de Pacientes em UTIs

Alguns dos principais hospitais da cidade de São Paulo, capital que concentra os melhores recursos em medicina do país, estão pondo em risco a vida dos pacientes devido à má conservação de seus sistemas de ar condicionado.

Levantamento feito pela sociedade científica Brasindoor, que reúne pesquisadores da USP e UFRJ, em 14 hospitais da capital, mostra que 10 deles apresentam péssimas condições de qualidade do ar em seus Centros Cirúrgicos e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), aumentando significativamente os riscos de ocorrência de infecção hospitalar.

O estudo é o piloto de um amplo projeto de avaliação ambiental que a Brasindoor está preparando e que servirá de orientação para a conduta dos hospitais brasileiros. O trabalho também servirá de base para duas teses de mestrado na Universidade de São Paulo.

Segundo o levantamento, os hospitais que não adotaram programas de controle da qualidade do ar estão despejando bactérias a mais nos pulmões dos pacientes do que seria recomendável. Os 10 piores casos avaliados apresentaram , em média, 262,7 UFCs (Unidades Formadoras de Colônia) de bactérias por m3 cúbico de ar em áreas críticas (UTIs e Centros Cirúrgicos).

Os níveis de bioaerodispersão recomendados internacionalmente são de 100 UFCs por m3. "Há hospitais que fazem operações como se o paciente estivesse no meio da rua ou em condições piores", diz Luiz Fernando de Góes Siqueira, professor doutor da Faculdade de Saúde Pública da USP, coordenador do levantamento.

Coletas feitas nos ambientes externos aos hospitais mostraram que a concentração de bactérias ao ar livre, fora dos muros das instituições, bate a marca média de 214,1 UFCs, menor que a verificada nas áreas restritas.

O estudo mostra que a situação também é crítica no que diz respeito aos fungos. Nos 4 hospitais avaliados que mantêm programas de controle do ar, a média de concentração de fungos por m3 de ar é de 8,9 UFCs. Nos 10 restantes investigados pela Brasindoor, que não mantém programa de controle, a taxa média sobe para 57,2 UFCs. O nível recomendado internacionalmente é de 50 UFCs.

"Estes índices são muito críticos", avalia Siqueira. "Isso porque, segundo estudos internacionais, entre 1% e 20% da probabilidade de ocorrer uma infecção hospitalar está relacionada à qualidade do ambiente onde se encontra o paciente."

Em cada hospital avaliado pela pesquisa foram realizadas coletas de ar em 3 diferentes áreas, contemplando sempre os Centros Cirúrgicos e UTIs. A pesquisa avaliou hospitais públicos e particulares, todos de grande porte.

O estudo da Brasindoor revelou que o controle das áreas críticas e semi-críticas em unidades hospitalares permite reduzir em 60% o nível de bactérias existentes no ar. Para os fungos a redução média pode chegar a 75%.

Em relação aos ambientes externos, as reduções podem ser de 58% para bactérias e de 96% para fungos. "Os hospitais precisam de orientação e vontade política para mudar este quadro preocupante", diz Siqueira.

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