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Cientistas Descobrem uma Nova Forma de Tratamento de Distúrbios da Coagulação

A hemofilia é um distúrbio de coagulação relativamente comum, causado por um problema genético, que leva as pessoas afetadas a serem incapazes de efetuar a coagulação do sangue. Assim, qualquer corte, cirurgia ou trauma comum causam sangramento nestes pacientes, e este sangramento não pára, podendo levar estes pacientes à morte.

Além disto, situações comuns como pular ou andar depressa podem causar sangramento dentro das articulações, causando muita dor e limitação dos movimentos, prejudicando o paciente por toda a vida.

A coagulação do sangue depende da interação de muitas moléculas, no que chamamos "cascata da coagulação". Esta cascata age por basicamente duas vias, e visa a formação de um coágulo sempre que um vaso é lesado, impedindo que o sangue extravase pela lesão indefinidamente. As pessoas afetadas por esta doença não produzem um de dois fatores importantes para que esta cascata seja eficaz, o fator VIII ou o fator IX. Assim, são incapazes de coagular o sangue.

Até hoje, o tratamento para estas doenças é a injeção destes fatores que faltam (o VIII ou o IX) derivados do sangue de doadores sadios ou fabricados por engenharia genética. Estes fatores, porém, são muito instáveis, exigindo injeções freqüentes.

Estas injeções freqüentes, além de incômodas, caras e prejudiciais à qualidade de vida, podem causar reações imunológicas que tornam os compostos cada vez menos eficientes, exigindo doses cada vez mais altas. E o uso de derivados do plasma de doadores por toda a vida expõe os pacientes ao risco de muitas doenças, como AIDS, hepatites e outras, que podem ser transmitidas por transfusão de sangue.

Mas este dilema parece estar próximo do fim. Uma equipe de pesquisadores da Uniformed Services University em Bethesda, Maryland, liderados pelo professor Harvey Pollard, estão desenvolvendo uma forma de contornar estes problemas no tratamento desta doença, com uma abordagem totalmente inovadora.

Usando o conhecimento de que o fator VII, outro composto da cascata de coagulação, consegue ativar o fator X da cascata (que é o composto que deve ser ativado pelo fator IX, que por sua vez é ativado pelo fator VIII, formando a 'cascata') independente do fator IX ou VIII, eles desenvolveram uma forma de "contornar" os fatores ausentes nestes pacientes.

Sabendo que o fator XII consegue ativar o fator VII, eles implantaram um dispositivo dentro do abdome de cobaias, contendo fator XII ativado, e conseguiram que o fator VII do plasma fosse continuamente ativado em pequenas porções, e estimulasse a ativação do fator X, continuando a cascata normalmente.

A equipe do professor Pollard já experimentou com sucesso este dispositivo em porcos e em dois macacos, sendo que um recebeu um dispositivo que "funcionava" e outro recebeu um dispositivo sem o fator XII em seu interior.

O macaco que recebeu o dispositivo "funcionante" atingiu níveis de coagulação que puderam definí-lo como "terapeuticamente estável."

Este trabalho, que ainda vai levar algum tempo até poder ser testado em humanos, poderá dentro de alguns anos trazer novas esperanças aos pacientes que sofrem de hemofilia.

Fonte: Nature Biotechnology 2000;18:289-95.

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