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Incor Fecha Acordo com Empresa de Alta Tecnologia

SÃO PAULO (Reuters) - Médicos do Instituto do Coração (Incor) e da Fundação Zerbini assinaram, na sexta-feira, um contrato de participação acionária na iCell Therapeutics, empresa com sede nos EUA especializada no desenvolvimento da tecnologia de LDE, molécula artificial usada no tratamento do câncer e que poderá ser aplicada na terapia genética.

"Nasce hoje uma empresa transnacional da qual fazemos parte", disse José Antonio Ramires, diretor-geral do Incor, durante solenidade de assinatura do contrato.

"O Incor terá uma participação de 8 por cento nos possíveis resultados dessa empresa", afirmou Ramires. "Se o desenvolvimento da molécula não der em nada, a patente volta para o Incor", acrescentou o diretor-geral do Incor.

"Agora, temos que nos esforçar para desenvolver a molécula numa linha de produção que atenda a um mercado em que as pessoas possam utilizá-la no tratamento de suas doenças."

A molécula desenvolvida pelo Incor, semelhante ao LDL humano conhecido como o colesterol "ruim", é capaz de transportar quimioterápicos diretamente dentro das células cancerígenas, sem atingir as células sadias.

A iCell pretende desenvolver a fabricação da LDE pura e combinada a uma droga quimioterápica para o tratamento de alguns tipos de câncer e licenciar seu uso combinado com outros produtos, incluindo o emprego na terapia genética.

"Em dois ou três anos, esperamos obter um retorno para transformar o produto", disse Ramires.

O médico Raul Maranhão, coordenador do projeto da LDE, explicou que até agora foi estudado o tratamento de LDE associada a três drogas anticâncer -- carmustina, etoposide e paclitaxel.

"Em um projeto estendido até a fase 1, verificamos em cerca de 150 pacientes com câncer avançado e resistente a drogas que a inclusão de LDE diminuiu muito a toxicidade, principalmente na medula óssea", explicou Maranhão.

"As outras duas drogas têm uma atuação mais ampla. A etoposide está em finalização de estudos pré-clínicos e o paclitaxel já passou por essa fase, com resultados indicando toxicidade bastante reduzida", acrescentou Maranhão.

"Daqui para frente, vamos nos empenhar em descobrir as indicações das drogas para cada tipo de câncer", disse Maranhão, acrescentando que esse projeto é um desafio científico, tecnológico e clínico muito grande.

Futuramente, a molécula poderá ser usada como veículo de agentes terapêuticos genéticos de baixa toxicidade, devido a sua capacidade de se concentrar em células neoplásicas, de acordo com Maranhão.

"Recentemente, foi aprovado pela Fapesp um projeto sobre o uso da LDE carregando agentes genéticos para alterar o metabolismo dessas células", disse Maranhão.

Sinopse preparada por Reuters Health

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