Notícias de saúde
07 de julho de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, realizaram o mapeamento mais detalhado até o momento do epigenoma nas células que regulam os níveis de açúcar no sangue. O estudo mostrou
como as alterações químicas no DNA afetam tanto as células beta produtoras de insulina quanto as células-alfa produtoras de glucagon – e como esses padrões se alteram no diabetes tipo 2.
Todas as células do corpo possuem o mesmo conjunto de genes, mas utilizam genes diferentes para se desenvolverem em diferentes tipos de células. O epigenoma controla esse processo ativando e desativando genes específicos de cada tipo celular. Os hormônios que regulam o açúcar no sangue, insulina e glucagon, são produzidos por células do pâncreas. A insulina, que reduz o açúcar no sangue, é produzida nas células beta do pâncreas, enquanto o glucagon, que o aumenta, é produzido nas células alfa. Quando o equilíbrio entre esses dois hormônios é perturbado, o risco de níveis elevados de açúcar no sangue e, a longo prazo, de diabetes tipo 2, aumenta.
Ao analisar centenas de milhares de células de 24 pessoas, com e sem diabetes, os pesquisadores conseguiram mapear como os padrões epigenéticos controlam a atividade gênica nas células e como isso se altera no diabetes. Os resultados mostram como as mudanças epigenéticas afetam as células que regulam o açúcar no sangue e como essas mudanças diferem entre pessoas com e sem diabetes tipo 2. Este estudo de mapeamento é o primeiro do gênero.
O estudo mostrou que muitos genes essenciais para a produção de insulina e glucagon são regulados por diferenças na metilação do DNA, um processo epigenético no qual pequenos grupos químicos são ligados ao DNA para controlar como os genes da célula são utilizados, sem alterar a sequência real do DNA.
Para verificar se seria possível influenciar os genes nas próprias células produtoras de insulina, os pesquisadores alteraram a metilação do DNA próximo aos genes da insulina e do glucagon. Esta parte do estudo foi realizada em culturas de células beta. Eles descobriram quais regiões regulam a produção de insulina e glucagon por meio da metilação do DNA, o que dá a oportunidade de desenvolver futuros tratamentos baseados na epigenética.
Uma descoberta particularmente importante do estudo dizia respeito a um fator de transcrição específico – uma proteína que indica à célula quais genes usar e em que quantidades. O fator de transcrição ONECUT2 apresentou níveis epigenéticos elevados em células beta de pessoas com diabetes tipo 2. Níveis elevados de ONECUT2 prejudicaram a produção de energia das células beta e sua capacidade de liberar insulina – um mecanismo que pode contribuir para o desenvolvimento da doença.
Fonte: Nature Metabolism. DOI: 10.1038/s42255-026-01498-9.
Copyright © 2026 Bibliomed, Inc.
Veja também