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Meninos e meninas têm microbiota diferente quando nascem por cesariana

06 de julho de 2026 (Bibliomed). Estudos anteriores já demonstraram que o parto cesáreo altera a colonização microbiana nos primeiros dias de vida. Ao mesmo tempo, numerosos estudos indicam que meninos e meninas nem sempre respondem da mesma forma às alterações na microbiota ou na barreira intestinal. Pesquisadores da Paris-Saclay University, na França, buscaram compreender como esses dois fatores — modo de parto e sexo — interagem ao longo do desenvolvimento e se essa interação poderia afetar a suscetibilidade a doenças intestinais como a colite na idade adulta.

Utilizando um modelo de ratos, os cientistas acompanharam as alterações na microbiota e na barreira intestinal desde o nascimento até a idade adulta. Os resultados mostram que, nos primeiros dias de vida, o modo de parto é o fator dominante: ratos nascidos por cesariana apresentam uma assinatura imunológica e microbiana distinta, independentemente do sexo. No entanto, isso muda com o tempo e, à medida que os animais crescem, as trajetórias de machos e fêmeas divergem acentuadamente.

Apenas os ratos machos nascidos por cesariana desenvolvem maior suscetibilidade à colite na idade adulta. Essa diferença é acompanhada por alterações específicas na microbiota intestinal, incluindo uma abundância inicial e uma diminuição posterior de bactérias capazes de produzir butirato (um metabólito bacteriano com importantes implicações para a saúde). As interações entre a barreira intestinal e a microbiota também diferem, com os machos apresentando menor resistência epitelial, indicando permeabilidade alterada.

 O modo de parto parece, portanto, "programar" trajetórias microbianas e imunológicas específicas para cada sexo, com efeitos que só se tornam evidentes mais tarde na vida. Essas descobertas destacam a importância de se considerar tanto o sexo quanto a influência microbiana precoce ao desenvolver estratégias eficazes para a saúde intestinal.

Com base nesse trabalho, um estudo sobre a identificação de probióticos específicos para partos cesáreos será publicado em breve, utilizando pesquisas realizadas em camundongos convencionais e em camundongos que receberam microbiota humana. Outras doenças, como a asma, também serão exploradas em um novo projeto de pesquisa, novamente com o objetivo de compreender melhor como o modo de parto e o sexo influenciam o risco de desenvolvimento da doença.

Fonte: Gut Microbes. DOI: 10.1080/19490976.2026.2658276.

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