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Interromper o uso de medicamentos GLP-1 antes da gravidez está associado a complicações

14 de abril de 2026 (Bibliomed). Mulheres que interrompem o uso de medicamentos para perda de peso/diabetes à base de GLP-1 pouco antes da gravidez parecem ter maior probabilidade de ganho de peso excessivo e complicações durante a gestação, indica pesquisa realizada no Mass General Brigham, dos Estados Unidos.

Conforme salientado pelos autores, os potenciais riscos para o feto do uso de GLP-1 durante a gravidez permanecem incertos, portanto, as recomendações atuais aconselham a suspensão do uso desses medicamentos antes ou durante a gravidez. No entanto, fazer isso pode trazer seus próprios riscos.

Os pesquisadores buscaram analisar como a descontinuação do GLP-1 afeta o ganho de peso e os resultados durante a gravidez, e para isso rastrearam os registros médicos de quase 1.800 gestações atendidas pelo sistema de saúde Mass General Brigham entre 2016 e 2025. A maioria dessas gestações ocorreu em mulheres com obesidade.

Os resultados para mulheres que receberam uma prescrição de GLP-1 dentro de um período de três anos antes e até 90 dias após a concepção foram comparados aos de mulheres que não receberam uma prescrição de GLP-1 durante esse período. As diferenças nos resultados foram significativas. Os pesquisadores afirmaram que as mulheres que interromperam o uso desses medicamentos antes da gravidez apresentaram um ganho de peso médio durante a gestação 3,2kg maior do que as mulheres que não utilizaram GLP-1.

O grupo GLP-1 também apresentou uma probabilidade 32% maior de que o ganho de peso durante a gravidez fosse considerado prejudicial à saúde. Quanto às complicações, o estudo constatou que as mulheres que interromperam o uso de GLP-1 antes da gravidez apresentaram um risco 30% maior de desenvolver diabetes gestacional, um risco 29% maior de problemas de pressão arterial durante a gravidez e um risco 34% maior de parto prematuro. A equipe não observou diferenças em relação aos riscos de bebês com alto ou baixo peso ao nascer ou de parto cesáreo.

Como o estudo foi retrospectivo, não foi possível comprovar que a interrupção do uso de GLP-1 causou qualquer aumento nos riscos da gravidez, apenas encontrar associações. Ainda assim, os pesquisadores afirmam que as descobertas podem colocar mulheres com obesidade em um dilema ao debaterem se devem ou não usar um GLP-1 antes da gravidez.

Fonte: JAMA Network Open. DOI: 10.1001/jama.2025.20951.

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