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30 de janeiro de 2026 (Bibliomed). Um vírus comum, antes considerado inofensivo para os humanos, pode estar ligado à doença de Parkinson, sugere estudo realizado na Northwestern Medicine, nos Estados Unidos. O Pegivírus Humano (HPgV) foi encontrado em metade dos cérebros autopsiados de pacientes com Parkinson, mas não em cérebros de pessoas saudáveis.
O HPgV é uma infecção comum e assintomática que, até então, não se sabia que infectava o cérebro com frequência, explicaram os autores. O vírus também pareceu provocar diferentes respostas do sistema imunológico das pessoas, dependendo de sua genética, o que sugere que pode ser um fator ambiental que interage com o corpo de maneiras que não percebidas antes.
Para o novo estudo, os pesquisadores realizaram autópsias nos cérebros de 10 pacientes com Parkinson e 14 pessoas que não sofriam da doença. A equipe encontrou o HPgV em 5 de 10 cérebros de pessoas com Parkinson, mas em nenhum dos 14 cérebros saudáveis. O vírus também estava presente no líquido cefalorraquidiano de pacientes com Parkinson, mas não no grupo de controle. Além disso, os pesquisadores afirmaram que foram encontrados mais danos cerebrais em pacientes com HPgV.
Em seguida, eles testaram amostras de sangue de mais de 1.000 participantes da Iniciativa de Marcadores de Progressão da Doença de Parkinson (Parkinson's Progression Markers Initiative), um banco de amostras biológicas disponível para pesquisas sobre a doença de Parkinson. O HPV é um vírus transmitido pelo sangue da mesma família do vírus da hepatite C. Os pesquisadores descobriram que apenas cerca de 1% dos pacientes com Parkinson apresentavam HPgV em suas amostras de sangue. Mas as pessoas que tiveram o vírus apresentaram sinais diferentes do sistema imunológico, particularmente aquelas com uma mutação genética relacionada ao Parkinson chamada LRRK2.
A doença de Parkinson ocorre quando as células cerebrais que produzem um hormônio importante chamado dopamina começam a morrer ou ficam comprometidas. Com a diminuição dos níveis de dopamina, as pessoas desenvolvem sintomas motores como tremores ou rigidez, além de problemas para manter o equilíbrio e a coordenação. A maioria dos casos de Parkinson não está ligada à genética da pessoa, o que levanta a questão do que poderia desencadear a morte das células nervosas produtoras de dopamina.
Os pesquisadores planejam analisar mais detalhadamente como o LRRK2 afeta a resposta do organismo a outras infecções virais para descobrir se esse é um efeito específico do HPgV ou uma resposta mais ampla a vírus, além de continuar monitorando a frequência do vírus entre pacientes com Parkinson e como ele pode desencadear a doença cerebral.
Fonte: JCI Insight DOI10.1172/jci.insight.189988.
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