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Estimulação elétrica de baixa dosagem pode ajudar adultos com dislexia

22 de dezembro de 2020 (Bibliomed). A estimulação elétrica do cérebro pode melhorar a precisão da leitura em adultos com dislexia, de acordo com um estudo da Universidade de Genebra, na Suíça.

A estimulação transcraniana por corrente alternada, um procedimento não invasivo que fornece eletricidade em baixa dose ao cérebro durante um período de 20 minutos, melhorou o processamento fonológico - ou a capacidade de discernir como as palavras soam ou são pronunciadas - e a precisão de leitura em adultos com dislexia.

Para este estudo, os pesquisadores aplicaram estimulação transcraniana por corrente alternada sobre o córtex auditivo esquerdo em 15 adultos com dislexia e 15 leitores fluentes por 20 minutos. Com uma dose de 30 hertz ou volts, a abordagem resultou em uma melhora significativa na precisão de leitura em pessoas com dislexia. No entanto, as mesmas melhorias não foram observadas após a aplicação de uma dose maior de 60 hertz.

Os resultados demonstram pela primeira vez que a atividade oscilatória de gama baixa causa déficits no processamento fonêmico e pode abrir caminho para tratamentos não invasivos que visam normalizar a função oscilatória no córtex auditivo em pessoas com dislexia. O efeito benéfico sobre o processamento fonológico foi mais pronunciado nos indivíduos com habilidades de leitura ruins, enquanto um efeito levemente perturbador foi observado em leitores muito bons.

A dislexia, comumente conhecida como distúrbio da leitura, atinge até 10% da população e é caracterizada por dificuldades para toda a vida com o material escrito. Embora várias causas possíveis tenham sido propostas para a dislexia, a predominante é um déficit fonológico, ou uma dificuldade no processamento dos sons das palavras.

O déficit fonológico na dislexia está associado a mudanças nos padrões rítmicos ou repetitivos de atividade elétrica no cérebro, especificamente oscilações "gama baixa", medindo a 30 hertz ou volts, no córtex auditivo esquerdo. No entanto, os estudos ainda precisam provar que essas oscilações afetam a capacidade de uma pessoa de processar sons de palavras e causar dislexia.

Os pesquisadores planejam agora investigar se a normalização da função oscilatória em crianças muito pequenas pode ter um efeito duradouro na organização do sistema de leitura e explorar meios ainda menos invasivos de corrigir a atividade oscilatória.

Fonte: PLOS Biology. DOI: 10.1371/journal.pbio.3000833.

Copyright © 2020 Bibliomed, Inc.

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