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Violência contra a mulher é ignorada em postos de saúde

21 de junho de 2012 (Bibliomed). Pesquisa realizada na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo mostra que os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) não conseguem, na maioria das vezes, reconhecer a violência sofrida pelas usuárias do serviço. Dessa forma, Rebeca Nunes Guedes de Oliveira, autora do estudo, classifica a violência contra a mulher como “invisibilizada” nos postos de saúde.

O estudo de Rebeca buscou compreender os limites e as possibilidades da Estratégia de Saúde da Família para reconhecer e enfrentar as necessidades de saúde das mulheres vítimas de violência. Segundo a pesquisadora, existem padrões sociais que colocam a mulher em lugar subalterno e que justifica a violência, o que faz com que muitas delas nem percebam que estão sofrendo com a violência.

Para realizar o estudo, Rebeca passou cinco meses em uma UBS em Capão Redondo, em São Paulo, onde observou como era realizado o atendimento às mulheres e o funcionamento do serviço. Ela também entrevistou 22 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde) além de 13 usuárias do serviço.

O estudo mostrou que a violência de gênero contra as mulheres é um fenômeno prevalente entre as usuárias do serviço, mas não é devidamente reconhecida pelos profissionais, pois está submersa em queixas clínicas. Os profissionais tratam apenas as queixas, não focando-se nos motivos dessas queixas. “Esses problemas precisam ser tratados, é claro, mas se não forem considerados os aspectos que as determinam, essas queixas serão reiteradas, que é o que tem acontecido”, diz a pesquisadora.

Segundo Rebeca, a maioria das mulheres não tem problemas para falar sobre a questão da violência, mas não são perguntadas sobre o assunto. A pesquisadora ressalta que o serviço de saúde ainda não é visto como um local de enfrentamento para a questão, mas como um lugar para se curar doença.

Fonte: Agência USP, 06 de junho de 2012.

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