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Luz piora crises de enxaqueca em até 40% dos casos, aponta pesquisa

19 de agosto de 2010 (Bibliomed). A exposição prolongada ao barulho e à luz intensos, em especial aos raios do sol, é relatada como desencadeadora de crises de enxaqueca em 30% a 40% dos casos, segundo recente estudo da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

De acordo com o neurologista Elcio Piovesan, coordenador da pesquisa, pacientes com enxaqueca apresentam uma maior suscetibilidade a estímulos externos, principalmente à luminosidade (fotofobia) no período entre ou durante as crises. "A luz é um estímulo externo que acentua essa hipersensibilidade que o paciente apresenta, e a região do cérebro que é mais sensível a essas alterações é o lobo occipital - responsável por processar os estímulos visuais".

Algumas doenças no olho que podem levar à cegueira, principalmente o glaucoma agudo, também estão associadas a dores na cabeça, mas as características clínicas dessa dor diferem de enxaqueca. "As cefaleias causadas por erros de refração visual (problemas de visão) são cefaleias secundárias, que são muito diferentes das cefaleias primárias, como a enxaqueca". Ainda segundo o médico, um paciente que apresente o problema visual pode ter mais dificuldades em controlar as crises de enxaqueca. "Quando corrigimos os erros visuais o paciente melhora a própria enxaqueca".

 Deficientes visuais

O estudo investigou a relação da enxaqueca e o estímulo visual luminoso em pessoas com ausência total e com ausência parcial de visão. E o que foi observado é que a prevalência de enxaqueca não foi influenciada pela perda total ou parcial da visão. Em média, os entrevistados tinham quase 28 horas de enxaqueca por mês, e 96% dessas crises eram moderadas ou severas.  

No entanto, entre os deficientes visuais, a principal causa de agravamento da dor seria a fonofobia - sensibilidade ou aversão ao barulho. Para mais de 96% deles, o barulho agrava a crise de enxaqueca. E os pacientes que não eram completamente cegos citaram também a aversão à luz como causa de agravamento da dor de cabeça.

De acordo com os autores, em pessoas com deficiência visual, a região do córtex occipital - responsável por absorver o estímulo visual - perde essa função, mas não fica inativa. Essa área passa a colaborar com a recepção de estímulos táteis e auditivos, por exemplo. Para Piovesan, o estudo demonstra que o cérebro é um sistema extremamente dinâmico e que as várias formas de sensibilidade interagem entre si para que o paciente consiga manter o máximo de contato com o meio externo. "Quando perdemos a visão, essa região do cérebro passa a exercer outras funções para deixar o cérebro mais sensível a outras formas de sensibilidade, como é o caso do tato, do olfato e da audição. Isso nos mostrou porque os pacientes que apresentam enxaqueca podem piorar as suas dores de cabeça com os diferentes tipos de estímulo”, explica.

As análises mostraram, ainda, que o comportamento de um paciente cego durante uma crise é diferente de pacientes com visão subnormal ou normal. Segundo a pesquisa, pacientes com deficiência visual apresentam maior intensidade de dor na crise, porém as causas ainda não foram descobertas.

Fonte: Trixe Comunicação. Press release. 18 de agosto de 2010.

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