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Exame de DNA do Vírus da Hepatite C Pode Direcionar Tratamento

SÃO PAULO (Reuters) - Um exame detalhado do material genético do vírus da hepatite C, chamado de genotipagem, pode auxiliar no tratamento da doença, de acordo com um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo Lena Carneiro Peres, autora da pesquisa, a vantagem de se saber a genotipagem do vírus consiste em indicar o melhor tratamento para cada paciente, dando a ele uma medicação precisa. "Poderíamos direcionar e dimensionar o tratamento", afirmou Lena Peres.

De acordo com a pesquisadora, cerca de 30 por cento dos pacientes com hepatite C podem estar tomando mais remédio do que o necessário.

"Além de muito caros, os remédios são tóxicos. Não é qualquer paciente que pode fazer o tratamento com essas drogas. Dos que tomam, muitos têm depressão e intolerância alimentar", explicou Lena Peres.

O tratamento padrão da doença é feito com drogas antivirais por um período de seis meses a um ano. Segundo a pesquisadora, a falta da genotipagem do vírus, assim como da biópsia hepática e da determinação da quantidade de vírus no sangue, contribuem para a variação da extensão do tratamento.

"Com a falta de exames, acabamos pecando por excesso", disse Lena Peres.

Para a pesquisadora, seis meses de tratamento seriam suficientes para pacientes que respondem bem à medicação. "Não é necessário tomarem drogas por até um ano", afirmou.

Subtipo do Vírus foi Detectado

O estudo, realizado com crianças e adolescentes hemofílicos entre 8 e 18 anos, revelou outro dado importante: 70 por cento dos pacientes estão infectados com um subtipo de vírus que responde mal ao tratamento - o subtipo 1.

Lena afirmou que, para esses casos, a dose de medicamentos poderia ser dobrada e tomada por uma ano. Já para os 30 por cento restantes, contaminados com o subtipo 3, que responde bem às drogas, o tratamento pode ser feito por apenas seis meses.

"É importante percebermos que a maioria dos doentes não terá uma boa resposta aos medicamentos, o que é muito grave, já que não existe uma vacina para a hepatite C", alertou Lena Peres.

Ela acrescentou que, no Brasil, somente três laboratórios da rede pública estão capacitados para a realização da genotipagem - o Instituto Adolpho Lutz, em São Paulo, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e o Instituto Evandro Chagas, no Pará.

A pesquisadora afirma, no entanto, que mesmo assim a realização desse tipo de exame para o vírus da hepatite C não é uma rotina nestas instituições. "O custo imediato é de 100 a 120 dólares, mas o custo benefício ao longo do tratamento é imenso", destacou Lena Peres.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que o vírus da hepatite C atinja 280 milhões de pessoas até 2000, sete vezes mais do que o número de pessoas que o vírus da Aids pode contaminar até este ano. No Brasil, estima-se que a hepatite atinja 2,5 por cento da população, de acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia.

Sinopse preparada por Reuters Health

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