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Aumentam casos de Aids nas fronteiras com países do Mercosul

06 de Maio de 2004 (Bibliomed). Coordenadores dos programas de Aids do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai aprovam hoje um documento propondo uma política conjunta para o enfrentamento AIDS nos municípios de fronteira. Eles estão reunidos em Foz do Iguaçu para debater as principais causas do aumento das transmissões do HIV nas regiões limítrofes, onde o aumento da epidemia foi superior a 96% nos últimos anos, chegando a uma média de 600% em municípios como Cárceres, Uruguaiana, Chapecó e Cascavel.

Os casos de Aids notificados nos seis países chegam a 730 mil, dos quais o Brasil responde por 310 mil. Desses, 4.448 casos foram registrados nas principais cidades das fronteiras Sul e Oeste, das quais Foz do Iguaçu, na divisa com a Argentina e o Paraguai responde pela maioria: 576 casos. Em seguida vem Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, com 435 casos.

O aumento dos casos de Aids nas fronteiras se explica por vários fatores. O principal deles é que as divisas são apenas geográficas, pois muitas cidades não passam de uma rua dividindo duas nações. As pessoas transitam livremente de um país a outro, usando, inclusive, serviços de saúde do vizinho. Além disso, há tráfico intenso de drogas, prostituição e transporte de cargas nas fronteiras, contribuindo para o aumento das transmissões por via sexual e por uso de drogas injetáveis. A maioria dos casos ocorre em homens jovens heterossexuais, mas em municípios como Corumbá, Ponta Porá, Rio Grande, São Borja e Uruguaiana, as transmissões entre usuários de drogas já representam 25% das notificações.

Entre as mulheres, a principal categoria de exposição ao HIV também são as relações sexuais (86%), mas já há registro de 12,6% de transmissão por uso de drogas injetáveis e de 1,6% por transfusão de sangue. Um outro aspecto relevante são os casos de crianças nascendo com o HIV por falta de assistência no pré-natal. Uruguaiana já responde por 57% da Aids perinatal nas fronteiras do Brasil.

Na Argentina, as transmissões verticais (da mãe para o filho) são a grande preocupação da coordenadora do Programa de DST/Aids da daquele país, Gabriela Hamilton. Segundo ela, tem aumentado muito o número de mulheres da Bolívia e do Paraguai que atravessam as fronteiras para ter filhos no país, e como não há controle do pré-natal, os nascimentos de bebês soropositivos têm crescido bastante.

A Argentina precisaria de testes rápidos do HIV para realizar esses partos com segurança, mas ainda não tem um bom controle das transmissões verticais. A estimativa é que 120 mil pessoas tenham o HIV no país. Os casos de Aids estão em torno de 27 mil e o tratamento é universal.

O moralismo vigente em alguns países também impede o fortalecimento de ações preventivas e educativas contra a Aids. É o caso do Paraguai, onde uma lei seca tem levado os jovens para a marginalidade no consumo de álcool e drogas, de acordo com a coordenadora do país, Agueda Cabello. Segundo ela, os novos casos de Aids têm ocorrido mais em jovens, numa proporção igual em homens e mulheres. O Uruguai tem uma estimativa de 0,3% da população vivendo com o HIV e 6 mil pessoas em tratamento. Na Bolívia, 4.500 pessoas recebem o coquetel, e a prevalência do HIV é próxima à do Brasil: 0,6% da população. O Chile carece de informações mais precisas sobre a incidência da Aids no país, o que o documento final do encontro de Foz do Iguaçu vai propor. A idéia é que os seis países usem a mesma metodologia para a vigilância epidemiológica do HIV, a prevenção, o tratamento e a assistência. O documento final será encaminhado à Coordenação de Aids do Mercosul e aos ministros de saúde dos seis países, para análise e aprovação. Os recursos para implantação de uma política única para enfrentamento da epidemia de Aids nas fronteiras serão captados junto a instituições estrangeiras, como o Banco Mundial e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas), organismos de cooperação da Alemanha (GTZ) e Inglaterra (DFID) e até de empresas binacionais, como Itaipu.

Fonte: Agência Saúde

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