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Obsessão pela magreza começa cada vez mais cedo

03 de Junho de 2003 (Bibliomed). A ditadura da magreza vem acompanhada de um aumento de casos de transtornos alimentares – como a anorexia e a bulimia – em crianças e adolescentes que, além dos conflitos normais da idade e das mudanças do corpo, vivem se esforçando para se encaixar nos padrões modernos de beleza, que na maioria das vezes estão longe de ser saudáveis e de acordo com sua herança genética. Ainda não existem dados no Brasil que revelem o tamanho do universo de crianças e adolescentes que sofrem de transtornos alimentares, mas a lista de espera do Projeto de Atendimento, Ensino e Pesquisa em Transtornos Alimentares na Infância e Adolescência (Protad), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, serve de termômetro: há 50 jovens com idades entre 4 a 17 anos aguardando por atendimento.

A subcoordenadora do Protad, a psiquiatra Tatiana Moya, acredita que, além de existir maior conscientização sobre as doenças e o acesso mais fácil à informação, o fator cultural também exerce influência sobre o aumento de casos. “Muitas meninas começam admirando as modelos famosas e fazem dietas, o que é um fator de risco e aumenta em 20 vezes a chance de se ter um transtorno alimentar”, alertou.

Dos transtornos alimentares, a anorexia é um dos mais graves e pode levar à morte. Mesmo magra, a pessoa continua se vendo gorda e é capaz de tudo para perder peso, desde simples restrição alimentar até atitudes esdrúxulas como entrar em uma piscina fria no inverno para perder calorias ou encher o estômago com água do chuveiro para tapear a fome, além de usar laxantes, diuréticos, fazer exercícios de forma exagerada ou provocar o vômito. Entre as conseqüências da anorexia está a amenorréia (a ausência de menstruação) e até problemas futuros de infertilidade, além de aspecto doentio, cabelos e unhas quebradiços, problemas de crescimento, perda de água (que leva à desidratação) e sais, o que pode gerar vários distúrbios e até a morte por parada cardíaca. A anorexia é mais comum em meninas com idade entre 12 e 16 anos.

No caso da bulimia, os aspectos mais marcantes são a compulsão alimentar (comer descontroladamente num curto espaço de tempo) e o comportamento compensatório (por exemplo, deixar de comer por dias, vomitar e lançar mão de laxantes e diuréticos). Estima-se que 60% das pessoas que têm anorexia e 80% das que têm bulimia apresentam episódios depressivos. Essas doenças muitas vezes geram complicações indiretas, como o uso de drogas, que também levam a um maior número de suicídios entre adolescentes que sofrem desses males.

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