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Ex- Ministro Adib Jatene Traça Quadro da Cardiologia no Brasil

Em entrevista exclusiva para a eHealth Latin America, o cardiologista Adib Jatene, cujo mandato no Ministério da Saúde se estendeu por oito meses (12 de fevereiro de 1992 a 04 de outubro de 1992), opinou sobre a cardiologia no Brasil, e as dificuldades e a participação brasileira no cenário mundial desta especialidade.

Quadro brasileiro

“A cardiologia do Brasil vai muito bem. Realizamos todos os procedimentos que são feitos no mundo inteiro. Não devemos nada a ninguém. Nosso grande problema consiste em garantir o acesso para a população de baixa renda. Esse é o problema existente no Brasil e aí residem as principais dificuldades enfrentadas por nós”, afirma o ex-ministro salientando que, atualmente, este quadro tem sido melhorado através do Programa de Saúde da Família (PSF) do Ministério da Saúde.

Segundo ele, sua especialidade tem chegado à população de baixa renda: “A cardiologia vem cumprindo o seu papel. Onde o povo está não é o médico quem vai resolver. Isso é uma questão de administração pública, pois o grande problema de ser pobre não é a pobreza em si, mas sim o fato de seus amigos serem pobres. Estas pessoas não têm a quem recorrer: ou o poder público assume esse papel ou não existe quem as ajude. E isso está sendo assumido”, destaca o especialista acrescentando que atualmente no Brasil o PSF conta com 120 mil agentes comunitários que atendem cerca de 70 milhões de pessoas e com oito mil equipes deste programa responsáveis pela saúde de 20 milhões de pessoas.

Na opinião dele, nunca a população pobre teve uma assistência médica nesses moldes: em sua própria casa, evitando que o deslocamento seja feito por grandes distâncias. "Estamos caminhando num processo de atender a necessidade do povo porque política não é a arte do possível. Política é a arte de tornar possível o necessário”, explica o ex-ministro elogiando, mais uma vez, a atuação do Governo Federal ao transferir para os municípios a gestão da saúde.

Contribuições

De acordo com o Dr. Adib Jatene, a cardiologia brasileira atingiu um nível de primeiro mundo: “Temos contribuições brasileiras que estão sendo utilizadas no mundo inteiro.

Contribuições originais”, afirma o cardiologista que foi homenageado recentemente em Paris como um dos 25 pioneiros da cirurgia cardíaca. “Eu estava no meio deles. Não por ser a minha pessoa, mas por ser representante de uma cardiologia forte de um país que em matéria de cirurgia de coronária foi o segundo no mundo a fazer esta intervenção na década de 60”. Os Estados Unidos foram os pioneiros neste procedimento implantando três serviços no período.

O cardiologista continua: “O Brasil sempre acompanhou essa evolução, sendo este fato reconhecido mundialmente. Nós não ficamos devendo em nada. Nosso grande problema – volto a insistir – é o acesso para a população de baixa renda, pois nos outros países as dificuldades de acesso são grandes, mas aqui são maiores”.

Sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estipulará na Constituição Brasileira uma porcentagem fixa do orçamento destinada à área da saúde, o ex-ministro comenta: “É a PEC possível. Com certeza ela trará um pouco mais de recurso. Nós não desistiremos deste trabalho.

Esta tem sido uma luta de mais de 20 anos e este vínculo no orçamento é indispensável”, conclui o cardiologista afirmando que não pretende retornar à política. “Em minha atuação procurei atuar administrativamente na minha área. Sem envolvimento político. Não tenho planos para voltar à política”.

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