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Células clonadas sobrevivem em gado

30 de Julho de 2002 (Bibliomed). Em um experimento que parece confirmar a teoria de que será possível um dia clonar células e mesmo órgãos inteiros de uma mesma pessoa e devolvê-los sem que haja rejeição ao órgão clonado, cientistas conseguiram colocar de volta células clonadas de um touro sem que o sistema imunológico deste as reconhecesse como estranhas e as destruísse.

Um dos possíveis usos da tecnologia de clonagem será a “fabricação” de órgãos sob medida para transplantes. Como os órgãos clonados terão, por definição, as mesmas características do indivíduo receptor, os cientistas esperavam que as células de defesa do receptor não reagissem ao órgão novo como algo estranho. Porém, ainda não havia sido provado que isto seria possível.

Agora, estes cientistas parecem provar que será possível realizar este tipo de clonagem sem que o sistema de defesa destrua o novo órgão como se fosse um invasor. A rejeição é um dos principais problemas nos transplantes de órgãos, e torna ainda mais difícil a seleção de doadores, mortos ou vivos, para pessoas que necessitam com urgência de um órgão novo.

A maior parte dos cientistas é terminantemente contra a clonagem que tenha como objetivo a produção de bebês, mas muitos apóiam a tecnologia para produção de órgãos e tecidos para transplante.

Este tipo de clonagem é chamado “clonagem terapêutica”, e produz órgãos “sob medida” para o receptor a partir de seu próprio material genético, que não seriam rejeitados e nem causariam outros problemas.

Quando estes procedimentos se tornarem possíveis, provavelmente eliminarão a angústia de se permanecer em uma fila de transplante à espera de um órgão disponível, lutando contra o tempo e contra a morte. A grande maioria das pessoas que necessita de um transplante de órgãos morre antes que consiga encontrar um doador que seja compatível com seu sistema imunológico.

Dentre os possíveis alvos da clonagem terapêutica estão o diabetes e a doença de Parkinson, que provavelmente necessitariam de transplante de células, e não de tecidos organizados. Espera-se que a clonagem terapêutica se desenvolva até a formação de órgãos complexos, incluindo coração, nervos, fígado ou rins, mas esta linha de pesquisa ainda está na infância e acreditar nela ainda é pouco mais do que acreditar em ficção científica.

Este estudo, publicado na revista médica on line Nature Biotechnology, traz resultados de um grupo de cientistas de uma empresa de biotecnologia que mostraram ser possível gerar tecidos celulares clonados que não sejam rejeitados pelo sistema imunológico.

Em seu experimento, os pesquisadores coletaram uma célula da pele da orelha de um novilho e transferiram o material genético desta para um óvulo sem núcleo de outra vaca. O embrião foi transferido para o útero de uma vaca de aluguel e deixado desenvolver por cinco a seis semanas.

Células renais coletadas do feto foram mantidas em cultura e transplantadas novamente para o touro original. As células tomaram as mesmas características das células renais maduras, produzindo uma substância semelhante à urina.

Devido ao fato das células clonadas terem sido derivadas de fetos em estágios iniciais de desenvolvimento esta abordagem não é um exemplo de clonagem terapêutica e não pode ser realizada em humanos, já que para tal seria necessário o implante do embrião clonado e a realização de um aborto precoce – estas atitudes são amplamente combatidas tanto pela ética quanto pela moral.

Porém, este experimento sugere que a clonagem terapêutica pode funcionar, e que devem ser realizados estudos adicionais para se descobrir formas seguras, éticas e eficientes de se chegar às células maduras diferenciadas.

Esta foi a primeira vez que um estudo comprovou que as células produzidas a partir de material genético de um indivíduo não serão rejeitadas por este indivíduo quando se tornarem células diferenciadas.

Até agora ninguém havia comprovado esta possibilidade, e com estes resultados as pesquisas sobre clonagem terapêutica irão continuar com força redobrada, com maior confiança na possibilidade de se chegar aos resultados esperados.

Copyright © 2002 Bibliomed, Inc.

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