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Ansiedade e depressão pioram a qualidade da dieta

05 de Junho de 2002 (Bibliomed). Um estudo mostra que indivíduos que sofrem de depressão leve ou ansiedade, quando tentam perder peso, são mais propensos a adotar técnicas de emagrecimento prejudiciais à saúde, como jejum, adoção de comportamentos bulímicos e ingestão de dieta pouco saudável.

Já havia sido demonstrado que pessoas que sofrem de depressão clínica grave freqüentemente sofrem de distúrbios alimentares, mas os pesquisadores, liderados pelo Dr. Alan R. Kristal, da University of Washington em Seattle, ficaram curiosos e pesquisaram se pessoas que sofriam de stress psicológico geral, como depressão leve e ansiedade, também eram mais propensas a adotar práticas alimentares pouco saudáveis. Enquanto estima-se que 5% da população americana sofra de depressão grave, 20% da população apresenta estes problemas psicológicos mais leves.

Os distúrbios alimentares são problemas comportamentais que levam as pessoas a adotar práticas fantásticas para perda de peso, sem comprovação científica e com claro prejuízo à saúde. Por exemplo, as pessoas podem simplesmente deixar de comer, e por mais que emagreçam ainda se consideram gordas e continuam a dieta. Este distúrbio é chamado, genericamente, de anorexia. O indivíduo passa a não suportar a idéia de se alimentar, e a não ser que seja feita uma intervenção vigorosa e precoce, este distúrbio pode levar à morte por inanição. É um distúrbio mais freqüente em mulheres, mas afeta também os homens.

Outro distúrbio comum é a bulimia. Neste, as pessoas são levadas a consumir grandes quantidades de alimentos, em verdadeiras orgias alimentares, misturando tudo o que vêm pela frente. Logo após o episódio, sentem culpa e medo de engordar, então provocam o vômito e, em alguns casos, usam purgativos para se livrar dos alimentos consumidos. Este ciclo alimentação-vômito pode ser tão freqüente que leve à desidratação, perda de substâncias essenciais do organismo e lesões no esôfago e intestinos. Também é um caso grave, com o agravante de ser reconhecido mais tardiamente por familiares e amigos, já que a pessoa tende a esconder o comportamento por vergonha e além disto não emagrece depressa demais para levantar suspeitas.

Os pesquisadores, para verificar se estes problemas também estariam presentes na vida de pessoas com sintomas menos graves e mais comuns, realizaram entrevistas telefônicas em uma amostra representativa da população americana – cerca de 3.500 adultos de vários estados. Os pesquisadores perguntaram pelo estado de espírito dos participantes, hábitos alimentares e estratégias de controle de peso. Os resultados foram publicados na revista médica Journal of the Amerian Dietetic Association. Os pesquisadores encontraram que homens e mulheres que relataram estar se sentindo estressados psicologicamente foram mais de duas vezes mais propensos a práticas de dieta não saudáveis como deixar de fazer refeições, uso de pílulas para emagrecer e jejum.

Os pesquisadores também examinaram os nutrientes das dietas que os indivíduos relataram, separando-os em estressados e não estressados. Eles encontraram que tanto em homens quanto em mulheres, os mais estressados tendiam a consumir mais calorias do que os menos estressados. Em mulheres, quanto mais estressadas elas estavam, menos frutas e vegetais elas consumiam, enquanto em homens, quanto mais estressados maior a ingestão de gorduras.

Os pesquisadores acrescentam que a relação entre stress e práticas dietéticas pode também ser recíproca – pessoas que adotam comportamentos bulímicos podem apresentar como resultado a depressão e ansiedade, já que a privação de nutrientes pode roubar a energia e a vitalidade da pessoa. Esta relação forma um círculo vicioso perigoso.

Segundo os pesquisadores, a adoção de uma dieta bem balanceada com várias refeições pequenas durante o dia ajuda a controlar estes distúrbios alimentares e a fornecer nutrientes necessários para o corpo.

Copyright © 2002 Bibliomed, Inc.

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