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Governo da África do Sul "acorda" para o problema da Aids

24 de Abril de 2002 (Bibliomed). O governo da África do Sul anunciou, na semana passada, que vai estender o tratamento contra Aids às vítimas de estupro e às mulheres grávidas contaminadas pelo vírus HIV. A notícia é um sinal de que as autoridades africanas finalmente começaram a levar em conta a pandemia de Aids no país. Um em cada nove sul-africanos é soropositivo. No total, são cinco milhões de pessoas infectadas. Estima-se que 70 mil bebês nascem com o vírus da Aids, a cada ano.

Segundo a ministra da Saúde, Manto Tshabalala-Msimang, autoridades de saúde convenceram o governo de que os medicamentos anti-retrovirais podem melhorar a condição de vida das pessoas contaminadas pela Aids, quando administrados em certas fases da doença, de acordo com as normas internacionais. Ela afirmou que seu gabinete vai acatar a ordem da Corte Constitucional, dada no último dia 4, de distribuir o remédio “Nevirapine” para as gestantes soropositivas. O objetivo é minimizar as chances de transmissão da doença de mãe para filho.

O anúncio da distribuição dos anti-retrovirais para as vítimas de estupro foi comemorado por vários setores da sociedade: políticos da oposição, cientistas, médicos, ONGs de ajuda aos enfermos. Segundo estimativas da polícia e de ONGs, ocorrem mais de um milhão de estupros anualmente na África do Sul. Isso significa que duas pessoas são violentadas a cada minuto.

O governo sul-africano se mostrava reticente até agora em relação aos anti-retrovirais: seu alto custo, inocuidade não demonstrada, falta de infra-estrutura para acompanhar os doentes. A mudança na política de prevenção e combate à Aids marca o afastamento de uma era considerada por muitos como trágica e irresponsável. Há dois anos, o presidente Thabo Mbeki apoiou os dissidentes que negavam qualquer relação de causalidade entre o vírus HIV e a Aids. No ano passado, Mbeki chegou a afirmar ao parlamento sul-africano que os anti-retrovirais eram tão perigosos quanto a Aids.

A experiência brasileira – e de vários outros países – mostra que a distribuição gratuita de remédios contra a Aids é capaz de controlar a epidemia da doença e dar mais qualidade e tempo de vida às pessoas contaminadas pelo vírus HIV. Segundo o Ministério da Saúde, desde que o coquetel para tratamento da Aids começou a ser distribuído no Brasil, em 1996, o crescimento da doença se estabilizou. De 1980 a junho de 2001, foram registrados 215.810 casos de Aids. Metade das pessoas contaminadas continuam vivas.

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