Publicidade

Notícias de saúde

Extrato de sementes de uva não alivia alergias

01 de abril de 2002 (Bibliomed). As alergias sazonais, que acometem aproximadamente 20% da população norte-americana, são um grande problema no mundo todo. Seus sintomas podem variar de coceira, secreção nasal, ardência nos olhos, espirros, até crises de bronquite e asma. Afetam grande parte da população e são motivo de consultas e internações principalmente nos meses mais quentes, como verão e primavera, que são os meses onde há mais quantidade de substâncias alergênicas no ar: pólen de plantas, poeira e outros.

Alérgenos são substâncias capazes de disparar uma resposta exagerada do organismo, e esta resposta traz os sintomas incômodos para o paciente. Em outras palavras, o organismo da pessoa alérgica vê o pólen de uma flor, substância inofensiva, como um grande perigo e dispara todas as suas armas para combatê-la. São estas armas que causam os sintomas nos pacientes.

As alergias, por trazerem muito incômodo e serem muito comuns, são alvos constantes da medicina popular, que tem as mais variadas receitas para acabar com elas. Estas receitas variam de chás, produtos naturais, simpatias, etc. A medicina alternativa, como homeopatia, acupuntura e outras, também vêem nas alergias um alvo de tratamento. Muitas pessoas procuram atendimento na medicina alternativa porque o tratamento das alergias pela medicina ocidental é muitas vezes frustrante, com resultados pequenos e transitórios, além de efeitos colaterais importantes provenientes dos medicamentos utilizados.

Os medicamentos naturais, provenientes de plantas, embora sejam muito utilizados no combate das alergias, geralmente não são alvos de estudos sobre sua segurança e eficácia. Isto é um problema pois, embora de origem natural, estes compostos contém substâncias químicas em sua composição, e estas substâncias podem apresentar efeitos danosos ao organismo, assim como as substâncias industrializadas. Vários estudos têm como objetivo verificar a real eficácia dos produtos, além de estabelecer uma dose ideal para o tratamento. Cada vez mais, no mundo todo, os órgãos reguladores estão exigindo este tipo de teste para comercialização de medicamentos naturais, como forma de impedir falsificações e propaganda enganosa e, ao mesmo tempo, estabelecer a segurança das substâncias para consumo humano e as doses mais adequadas. Em um estudo, pesquisadores tentaram investigar a segurança e eficácia do extrato de sementes de uva, amplamente utilizado como anti-histamínico natural, em 54 indivíduos com idade entre 18 e 75 anos com alergias a plantas. Estes indivíduos foram instruídos a anotar seus sintomas por 8 semanas enquanto tomavam ou 100mg do extrato por dia ou uma substância inativa. Os indivíduos não sabiam qual tipo de substância estavam tomando.

A dosagem utilizada no estudo foi o dobro da dose recomendada pelo fabricante, que é de 50 a 100mg por dia. Após as 8 semanas, não foram observadas diferenças significativas entre o grupo de indivíduos em uso do extrato e em uso de placebo (substância inativa).

Cerca de 54% dos pacientes no grupo placebo e 52% do grupo em uso do extrato relataram respostas “moderadas a boas” ao tratamento e o restante, em ambos os grupos, relataram nenhuma melhora ou mesmo piora dos sintomas. Os pacientes de ambos os grupos continuaram a se queixar que a alergia continuou a afetar seu sono, causar dores de cabeça, fadiga, sede, sentimentos de frustração, impaciência e irritação. Um número semelhante de pessoas em ambos os grupos acabou por utilizar um anti-histamínico industrial para alívio dos sintomas.

O extrato de sementes de uva não apresentou efeitos colaterais importantes, apesar de serem necessários mais estudos para verificação de sua segurança em períodos de uso mais longos.

Este estudo não confirmou a eficácia deste composto natural no combate às alergias, embora também não tenha observado efeitos colaterais importantes na amostra de pessoas estudadas. Isto quer dizer que, pelo menos no que se sabe até agora, o extrato de sementes de uva não faz bem para alergia, mas também não faz mal a quem o utiliza. Parece que o alívio que algumas pessoas observam com o uso deste medicamento provém de sua crença de que o produto irá ajudar, ou mesmo ao acaso.

Copyright © 2002 Bibliomed, Inc.

Faça o seu comentário
Comentários


Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: