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Tabaco biotecnológico permite fabricação de cigarro com menos nicotina

Belo Horizonte, 04 Março de 2002 (Bibliomed). Em alguns meses, será lançado nos Estados Unidos o cigarro modificado geneticamente. Alterado em laboratório, o produto tem teores de nicotina mais baixos do que o dos cigarros vendidos atualmente. Este é mais um item em uma lista cada vez maior de produtos modificados geneticamente para o consumo dos norte-americanos. O chamado tabaco biotecnológico foi submetido a testes e estudos por parte do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

As pesquisas confirmaram os teores mais baixos de nicotina, além de apontar que o novo tabaco não traz grandes riscos para o meio ambiente. A nicotina é o composto químico que provoca a dependência dos fumantes. As alterações genéticas foram feitas de forma a bloquear a produção de nicotina na raiz da planta. Os testes identificaram que a quantidade de nicotina no tabaco biotecnológico fica entre 400 e mil partes por milhão. No tabaco convencional, a quantidade é bem maior, ficando entre 20 mil e 30 mil partes por milhão.

O produto usado nos estudos vai servir como matéria-prima para a fabricação de cigarros Liggett Group, do grupo Vector Group. A empresa ainda não divulgou quando os novos cigarros serão lançados. Quem fez uso do cigarro experimental afirma que o produto é leve e que tem sabor parecido com o comum. A boa notícia para os usuários do tabaco foi recebida com muitas críticas pelas organizações que combatem o tabagismo. Elas temem que os baixos teores de nicotina levem mais gente ao vício, incentivando também os usuários a um consumo maior. A Campaign for Tobacco-Free Kids, grupo que previne o fumo na infância, lembra que a ausência ou o nível reduzido de nicotina não elimina a ação de outras substâncias tóxicas contidas nos cigarros. O anúncio do produto transgênico também gerou temor entre os outros fabricantes de cigarro.

Um dos problemas identificados no tabaco biotecnológico, segundo o Serviço de Inspeção da Saúde dos Animais e das Plantas, é sua vulnerabilidade a pragas e insetos. Como têm menos nicotina – substância que funciona também como pesticida – as plantas são mais suscetíveis aos ataques.

Apesar da divulgação sobre o produto, o Departamento de Agricultura ainda vai fazer análises antes de liberar o cigarro. Um dos pedidos da empresa Liggett Group é que o governo norte-americano não faça restrições sobre a forma de cultivo e os locais onde o tabaco poderá ser plantado. O Departamento deve atender a este pedido.

No Brasil, uma das tentativas de reduzir o tabagismo foi colocada em prática nos últimos meses. O Ministério da Saúde passou a exigir que os maços de cigarro comercializados tenham fotos ilustrativas sobre os males provocados pelo tabaco. Outra medida adotada, em 2001, foi a de exigir a redução nos níveis de nicotina em todas as marcas de cigarros.

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