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Consumo elevado de álcool ligado ao câncer hepático

Belo Horizonte, 01 de Março de 2002 (Bibliomed). Já é sabido que o consumo exagerado de álcool está ligado a várias doenças do fígado, como cirrose e câncer. Um novo estudo vem elucidar ainda mais esta relação, principalmente com relação à dose de álcool mais segura para indivíduos sem outros problemas de saúde.

Muitos estudos atuais vêm demonstrando que a ingestão de quantidades moderadas de álcool faz bem à saúde do coração, cérebro e outros órgãos, mas a definição do limiar entre a dose saudável e a dose prejudicial ainda não está clara. Apesar dos resultados destas outras pesquisas, o consumo de álcool não deve ser encorajado sem maiores informações, porque os danos à saúde em relação à doenças do fígado são muito bem estabelecidos, e a distância entre uma dose saudável e uma dose prejudicial pode ser muito pequena e variar de indivíduo para indivíduo segundo características genéticas e fatores como doenças associadas, tabagismo e outros.

Para tentar elaborar este limite seguro, pesquisadores italianos estudaram 464 homens e mulheres que tiveram carcinoma hepatocelular, a forma mais comum de câncer hepático. Para comparação, foram estudados 824 pacientes sem nenhuma lesão hepática. O objetivo era verificar a influência dos hábitos de ingestão de álcool sobre a chance de desenvolver câncer hepático.

O câncer hepático é uma doença muito grave, que só apresenta sintomas muito tarde. Assim, apenas é descoberta quando muito pouco se pode fazer pelo paciente. A taxa de cura desta doença é muito pequena, mesmo com os tratamentos atuais.

Os indivíduos estudados foram entrevistados com relação à ingestão de álcool durante toda a sua vida. Os pesquisadores encontraram que a ingestão de mais de 60 gramas de álcool por dia, equivalente a cerca de quatro a cinco taças de vinho, foi associada com um alto risco de desenvolvimento de câncer de fígado. A ingestão de 40 a 60 gramas de álcool, equivalente a três a quatro taças de vinho, foi associada com um risco moderado. Segundo os pesquisadores, a ingestão de até 40 gramas de álcool não trazia riscos para o fígado de um indivíduo saudável, e poderia mesmo ser benéfica para o sistema cardiovascular.

Os indivíduos estudados, por serem italianos, ingeriam principalmente vinho e o consumo de outros tipos de bebida não pôde ser avaliado.

Um dado importante foi a relação entre a infecção pelos vírus B e C da hepatite. Pessoas que eram portadores destes vírus, que são adquiridos por contato sexual ou por transfusão de hemoderivados, tinham um risco de desenvolver câncer de fígado praticamente duas vezes maior se estes ingeriam álcool regularmente. Segundo os pesquisadores, estas pessoas portadoras destes vírus devem ser abster de ingerir álcool em qualquer quantidade, já que estes vírus por si sós já causam lesões importantes ao órgão.

Segundo os pesquisadores, a quantidade de álcool consumida é o fator determinante mais importante do risco de apresentar doença hepática alcoólica.

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