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Contar carneirinhos não ajuda a combater a insônia

Belo Horizonte, 05 de fevereiro de 2002 (Bibliomed). Quem ensinou aos filhos que a falta de sono podia ser combatida com a técnica de contar carneirinhos não contribuiu para que eles adormecessem mais cedo. O tradicional recurso, que parece ter se originado no século XIX, e que é passado de geração em geração, segundo cientistas britânicos, seria pouco eficaz.

Uma pesquisa feita pelos especialistas da Universidade de Oxford revelou que os insones têm mais chances de adormecer pensando em uma cena relaxante e, não, contando carneirinhos. A técnica antiga, como apontam as conclusões do trabalho britânico, é irritante e não consegue afastar os problemas e as preocupações da mente, que costumam prejudicar o horário do sono.

Os resultados do trabalho devem contribuir para orientar as pessoas com dificuldades para adormecer. Estatísticas dos Estados Unidos mostram que um em cada dez norte-americanos é vítima da insônia crônica. Os custos da falta de sono são altíssimos para os cofres públicos – resultantes de acidentes, problemas ocupacionais e distração – e chegam aos US$ 35 bilhões anuais.

O estudo dos pesquisadores de Oxford acompanhou 50 pessoas que sofriam de insônia. Cada uma testou técnicas distintas que poderiam contribuir para que o adormecimento fosse mais rápido. Os voluntários foram divididos em três grupos: um recorreu à tradicional contagem dos carneirinhos; outro pensou em um cenário tranqüilo e relaxante, como uma paisagem exuberante e bonita; e o último ficou livre para escolher um outro método qualquer.

As conclusões do trabalho, publicadas na ultima edição da revista New Scientist, mostraram que o grupo concentrado na imagem relaxante conseguiu dormir, em média, 20 minutos mais cedo do que se não tivesse adotado qualquer recurso para adormecer. Por sua vez, quem contou carneirinhos ou adotou outra técnica para combater a insônia levou mais tempo para pegar no sono.

Os pesquisadores afirmam que uma cena relaxante, mais envolvente e interessante, e na qual é mais fácil pensar, ocupa mais espaço no cérebro do que os carneirinhos. Uma técnica também adotada pelos voluntários foi a de abandonar um pensamento negativo ou de ansiedade.

Segundo os pesquisadores, o método também não apresenta eficácia. Mesmo bloqueando a idéia no momento em que ela aparece, buscando uma mente relaxada, a técnica se mostrou ineficiente para levar ao sono. Os voluntários que suprimiram os pensamentos negativos só conseguiram dormir dez minutos mais tarde do que se não tivessem adotado qualquer técnica.

Outro resultado do trabalho mostrou que se alguém pede para que o voluntário não pense em determinado tema ou situação, ele se sente incentivado a dar cada vez mais atenção a ele, contrariando o pedido.

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