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Mais vítimas contaminadas pelo césio 137 foram reconhecidas pelo governo de Goiás

Belo Horizonte, 26 de Dezembro de 2001 (Bibliomed). O Estado de Goiás anunciou que vai ampliar a lista de pessoas reconhecidas como vítimas do acidente radioativo ocorrido em Goiânia, em 1987. Serão reconhecidas pelo governo estadual 616 vítimas, que receberão pensão vitalícia.

O acidente, ocorrido em setembro de 1987, foi um dos mais graves no mundo, tendo matado quatro pessoas após dois sucateiros terem manipulado uma cápsula encontrada no antigo edifício do Instituto Goiano de Radioterapia. Em 1996, cinco pessoas foram condenadas pelo caso.

O grupo incluído na nova lista é formado por 379 policiais militares, 220 operários que trabalhavam na antiga Secretaria Estadual de Obras, 15 bombeiros e 2 garis que tiveram contato com o material contaminado.

Até o anúncio da nova listagem, o governo de Goiás havia identificado publicamente outras 614 vítimas do acidente radioativo com o césio 137. Esse número inclui filhos e netos de 44 pessoas diretamente prejudicadas.

O reconhecimento de outras vítimas pelo governo de Goiás dará direito ao recebimento de uma pensão vitalícia, com valor mensal de R$ 360, além de garantia à assistência médica, psicológica e odontológica. A pensão deverá se estender, no futuro, aos filhos e netos das pessoas reconhecidas na última semana como vítimas. O número estimado é de aproximadamente 500 descendentes.

A definição de uma nova listagem teve origem em um acordo entre o Ministério Público e o governo estadual. As cláusulas foram acertadas e deverão ser encaminhadas para aprovação na Assembléia Legislativa ainda este ano. O projeto de lei, depois de votado, precisa ser sancionado pelo governador Marconi Perillo (PSDB). Apesar da posição adotada pelo governo estadual, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) não reconhece a nova listagem.

O césio 137 é um material extremamente radioativo, capaz de provocar lesões graves e seqüelas na saúde de pessoas que tiveram contato com a substância radioativa.

A gravidade das lesões podem variar segundo o tempo de exposição e a quantidade de material radioativo a que a pessoa ficou exposta. O Ministério Público identificou diversos casos de servidores que tiveram contato como material radiativo antes da construção do depósito definitivo, em 1997.

Essas pessoas apresentaram sintomas de contaminação e desenvolveram seqüelas, tais como tumores de pele, de próstata e disfunções da tireóide.

Os efeitos da radiação podem aparecer até duas décadas após a contaminação e afetam também gerações futuras. É comum os filhos de pessoas contaminadas apresentarem malformações congênitas.

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