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Esquizofrenia livre de preconceitos

Belo Horizonte, 20 de Julho de 2001 (eHealthLA). Delírios, crenças falsas de perseguições, discurso desconexo, perda da lógica e alucinações, sobretudo auditivas. O esquizofrênico acredita ouvir vozes e pensa que as pessoas podem ler seus pensamentos.

Depois de superar os momentos de crise, pode ficar apático, perde interesse por tudo, tem dificuldades para se concentrar, isola-se e, muitas vezes, cai em profunda depressão.

A esquizofrenia, antes confundida com intervenção de espíritos ou castigo dos deuses, tem explicação científica, pode ser tratada e é um mal que afeta cerca de 1% da população.

O médico e professor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Mário Rodrigues Louzã Neto, explica que a esquizofrenia é uma doença do sistema nervoso central. Exames podem indicar alterações anatômicas e funcionais do cérebro.

Um estudo apontou a existência, no ano passado, de 117 mil portadores de esquizofrenia no Estado de São Paulo. Apesar de 81,5% terem acesso terapêutico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 60% deles não mantêm o tratamento regular e contínuo.

Isso acontece, muitas vezes, pela grande relevância dos efeitos colaterais provocados por diferentes medicamentos antipsicóticos, como ganho de peso, disfunção sexual, alterações motoras, tremores e contrações musculares.

No ano de 1998, o Estado de São Paulo contabilizou investimentos na ordem de R$ 222,5 milhões com tratamentos, o que corresponde à cerca de 2,2% dos gastos totais do SUS no Estado.

O médico Mário Rodrigues Louzã Neto afirma que mesmo o uso regular de medicamentos não consegue evitar 100% a ocorrência de crises futuras, mas ameniza sua gravidade.

Apesar de nem toda crise levar à internação – às vezes, a abordagem precoce evita o episódio -, muitas das reinternações ocorrem devido ao abandono de tratamentos.

O médico Mário Louzã Neto lembra que a psicoterapia pode, em grande parte dos casos, ser eficiente junto à administração dos antipsicóticos. A inserção social, na opinião de Louzã, é fundamental.

O trabalho pode ser usado como medida terapêutica, desde que não exija índices elevados de produtividade, mudanças freqüentes de turnos e carga horária excessiva. “O grande desafio é trabalhar com a sociedade o preconceito ainda existente. Existem hoje tratamentos eficazes, que podem oferecer ao paciente boa qualidade de vida”, conclui.

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