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Brasil participa de pesquisa sobre influência do álcool nos acidentes e em doenças

São Paulo, 12 de Junho de 2001 (eHealthLA). A Organização Mundial de Saúde elegeu o Brasil, entre 11 centros no mundo, para participar de duas pesquisas sobre álcool e saúde.

A primeira, coordenada pela psicóloga e professora da Unifesp, Neliana Figlie, medirá a influência do consumo de bebidas alcoólicas em pacientes que dão entrada em prontos-socorros com queixa de trauma.

A segunda, coordenada pelo Dr. Cláudio Jerônimo da Silva, psiquiatra e pesquisador da Unifesp, avaliará o risco causado pelo álcool no agravamento ou desenvolvimento de 66 tipos de doenças clínicas.

As pesquisas serão realizadas no Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM). Além do Brasil, Argentina, África do Sul, Bielo-Rússia, Canadá, Estados Unidos, República Tcheca, Índia, México, Moçambique, Nova Zelândia e Suécia participarão do estudo.

De acordo com o Dr. Cláudio, em entrevista exclusiva para esta reportagem, a OMS começa a se preocupar com os problemas ocasionados pelo uso eventual e abusivo do álcool em pessoas não necessariamente dependentes.

“Eventualmente, se a pessoa não sabe o limite do quanto pode beber, pode ocasionar acidentes gravíssimos apenas por ter usado uma grande quantidade de álcool”, explica o médico.

Uma das dificuldades da pesquisa coordenada pelo psiquiatra é conseguir medir o real consumo de álcool dos brasileiros. Segundo o Dr. Cláudio, não basta dividir a produção oficial das indústrias pela população nacional, pois há muito consumo derivado de importação ilegal de bebidas alcoólicas e de produção caseira, em alambiques artesanais.

Com base em entrevistas que serão aplicadas em consumidores comuns, os pesquisadores esperam ter uma idéia do volume de bebida realmente consumido pelo brasileiro.

Segundo a psicóloga da Unifesp, Neliana Figlie, a intenção do estudo que coordena é avaliar o impacto do consumo das bebidas alcoólicas em traumas, sejam leves ou graves, ocasionados por acidentes de automóvel, de trabalho ou por agressão.

A pesquisa também contará com a supervisão do psiquiatra Ronaldo Laranjeira e com o trabalho de nove profissionais do hospital, que foram treinados por Cheryl Cherpitel, consultora da OMS e diretora do Centro Nacional de Pesquisa sobre Álcool dos Estados Unidos.

A equipe da Dra. Neliana entrevistará 500 pacientes no pronto-socorro do HSP até outubro. Eles deverão responder a um questionário, caso estejam conscientes, e serão submetidos a um bafômetro.

Para aqueles que não estiverem em condições de responder perguntas, os pesquisadores se basearão em dados do prontuário, do profissional que fez o atendimento na emergência, no bafômetro e em informações de acompanhantes.

Estudo embasará programas de prevenção e tratamento

De acordo com o Dr. Cláudio, os resultados destas pesquisas serão de fundamental importância para o estudo de políticas de prevenção e tratamento, assim como para subsidiar as decisões de regulamentação da venda e distribuição de bebidas.

“Um dos itens de prevenção é ensinar as pessoas a beberem de forma adequada. Existe uma quantidade de álcool que se pode beber, qual é?”, pergunta-se o pesquisador.

Ele explica que nos hospitais universitários já existe a preocupação de encaminhar os pacientes de trauma ou doenças relacionadas ao álcool para o tratamento de suas dependências.

No entanto, existem pesquisas que mostram que o médico clínico geralmente não faz o diagnóstico da dependência do álcool, que está subjacente ao motivo da procura do paciente por atendimento.

“Isso decorre da falta de treinamento mínimo para os médicos, nas universidades”, aponta o psiquiatra, que conta que a EPM (Escola Paulista de Medicina) está fazendo uma terceira pesquisa, esta sem financiamento ou intervenção da OMS, para desenvolver um tipo de treinamento específico para que os médicos possam fazer este diagnóstico da dependência e do uso problemático do álcool e para que os encaminhem para tratamento.

Estudo financiado pela FAPESP já provou a relação álcool-acidentes

Esta não será a primeira pesquisa a tratar do tema. Um estudo realizado no Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), publicada pela Revista da FAPESP (Fundação de Amparo ao Estudo e à Pesquisa do Estado de São Paulo) em setembro de 2000, provou que 46% das vítimas de agressão estavam sob efeito de doses excessivas de álcool, assim como 24% das vítimas de trânsito e 20% das vítimas de quedas.

Além disso, esta pesquisa comprovou que 14% dos acidentados ou agredidos haviam usado maconha, cocaína ou anfetaminas poucas horas antes.

O estudo, intitulado “Álcool e Drogas em Vítimas de Causas Externas”, foi financiado pela FAPESP e coordenado pela médica especialista em traumatismo raquimedular Júlia Maria D’Andréa.

De acordo com reportagem da Revista da FAPESP, causa externa abrange “acidentes de trânsito, atropelamentos, agressões, quedas e acidentes no trabalho”. No Brasil, são a segunda causa de morte e a primeira entre pessoas de 10 a 49 anos (dados de 1996).

De acordo com o Dr. Cláudio, da Unifesp, é exatamente com base na preocupação gerada por pesquisas como estas da FAPESP, que a OMS decidiu investir em pesquisas mais específicas e com âmbito mundial, como as que está financiando agora. As pesquisas serão realizadas no Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM).

Além do Brasil, Argentina, África do Sul, Bielo-Rússia, Canadá, Estados Unidos, República Tcheca, Índia, México, Moçambique, Nova Zelândia e Suécia participarão do estudo.

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