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Brasil: Epidemia de Catapora Entre Índios da Amazônia Assusta a Comunidade da Região

São Paulo, 8 de Dezembro de 2000(eHLA). A epidemia de catapora entre os índios brasileiros está preocupando a comunidade da Amazônia. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) registrou novos casos de catapora em pelo menos oito tribos espalhadas nos estados amazônicos. A Funasa afirma que já realizou a vacinação de bloqueio (para evitar a contaminação) em mais de sete mil índios. Além disso, doses da vacina foram enviadas para as áreas dos novos focos. Mas os médicos e os representantes de entidades indigenistas estão preocupados.

A catapora é uma doença causada pelo vírus Varicela zoster. Extremamente contagiosa passa pelo contato da pele com as bolhas e pelo ar. A doença apresenta maior risco de complicações quando atinge um adulto. Nas crianças, geralmente, não causa muitos danos. Segundo Arary da Cruz Tiriba, infectologista e Professor Titular da Universidade Federal de São Paulo, quando não tratada, a catapora pode ter complicações como infecções no coração, cérebro, artrite, pneumonia e hemorragias”. A característica principal da catapora é as bolhas que se formam por todo o corpo, inclusive dentro da boca e na região genital.

Não há tratamento. “A doença pode ser evitada com a vacina, dose única depois de 1 ano de idade e duas doses para adolescentes e adultos. É muito importante manter o isolamento dos doentes até que as bolhas sequem, para evitar o contágio. Os efeitos da catapora sobre um indivíduo com câncer ou leucemia são devastadores e podem causar a morte”, explica o infectologista.

Choque Cultural

Com os índios, o problema se agrava, pois em geral eles não desenvolvem anticorpos contra o vírus e vivem em comunidades. Na tribo dos índios Araweté, as mortes significaram um grande choque cultural. Isso porque as vítimas eram idosos, detentores de conhecimentos essenciais para a comunidade. ‘‘É muito importante que haja um trabalho de recuperação cultural desse povo’’, afirma Tarcísio Feitosa da Silva, membro da pastoral indigenista da diocese do Xingu. Dos 278 índios da aldeia, mais de 230 foram contaminados.

Representantes de entidades indigenistas acusam a Funasa de negligência por não ter tomado providências contra a epidemia. O presidente da entidade, Mauro Ricardo, defende-se garantindo que vai vacinar todos os índios no país. Cerca de 200 mil pessoas deverão ser imunizadas. A Funasa está enviando doses de emergência para as novas áreas de incidência da doença.

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