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Artigos de saúde

Doença de Crohn – o que fazer na fase aguda?

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo:

- Introdução
- Quais sintomas podem estar associados a uma acutização da doença?

Introdução

A Doença de Crohn tem uma evolução com períodos em que os sintomas se atenuam ou cessam, alternando com períodos de agravamento. Os medicamentos, nomeadamente os imunossupressores, ajudam a tornar menos freqüentes e menos graves os episódios de acutização, mas não conseguem eliminar totalmente a sua ocorrência. Como proceder, então, diante de um quadro de agravamento súbito dos sintomas?

Em primeiro lugar, é uma medida prudente que cada pessoa conheça a sua doença: deve-se saber quais as regiões do intestino estão atingidas (intestino delgado? Intestino grosso? Parte do intestino delgado e do intestino grosso?), bem como a maneira pela qual a doença está acometendo o trato gastrintestinal (existem fístulas? zonas com calibre reduzido?). É importante saber os resultados de exames realizados, os medicamentos que se faz uso ou que já foram empregados e, no caso de ter ocorrido alguma cirurgia, saber que tipo de cirurgia foi feito (se foi retirada parte do intestino, e qual parte foi retirada). O seu médico assistente pode fornecer essa informação por escrito, em poucas linhas, e isto poderá ser uma ajuda preciosa se necessitar ser tratado por um médico que não conheça o seu caso.

É fundamental também que se tenha facilidade de contatar o gastroenterologista que habitualmente cuida do seu caso. Se os sintomas não melhorarem rapidamente, as decisões seguintes devem ser tomadas pelo especialista. É melhor entrar em contato com seu gastroenterologista por uma situação pouco grave, do que deixar arrastar uma complicação cujo agravamento poderia ter sido evitado!

Quais sintomas podem estar associados a uma acutização da doença?

1. Dor Abdominal

É o sintoma que mais frequentemente acompanha os episódios de acutização da doença de Crohn. É importante perceber de que tipo de dor se trata: é uma dor difusa em todo o abdome ou localizada, é uma dor contínua, constante, ou é uma cólica com períodos de grande intensidade, seguidos de alguns períodos de melhora. Importante saber se a dor tem relação com outras queixas, piora ou melhora depois das refeições.

Duas importantes causas de dor abdominal são as crises de obstrução intestinal e os abscessos.

As crises de obstrução se relacionam com zonas estreitadas do intestino que ficam obstruídas e causam em geral cólicas intensas, por vezes acompanhadas de vômitos e sensação de distensão abdominal. Os abscessos, por outro lado, causam habitualmente uma dor contínua, bem localizada, que piora com a realização de movimentos, e muitas vezes se acompanha de febre.

O que fazer diante de um quadro de dor abdominal? Em primeiro lugar, procurar saber se houve alguma causa para essa dor, e tentar perceber se já ocorreram episódios semelhantes. É aconselhável permanecer em repouso, medir a temperatura, e suspender a ingestão de alimentos durante algumas horas. Pode-se tomar um analgésico comum, devendo-se evitar o uso de antiinflamatórios do tipo da aspirina. Se a dor apresentar melhora reinicia-se a ingestão de líquidos, em pequenas quantidades de cada vez, passando depois para alimentos mais consistentes. A experiência de cada um, e o reconhecimento de episódios anteriores semelhantes, poderão ajudar a decidir o que fazer.

No entanto, se a dor for muito intensa ou se persistir por mais que um dia, será indispensável uma avaliação clínica e eventualmente a realização de alguns exames.

O que não se deve fazer: esperar dias seguidos para ver se a dor passa; tentar controlar a situação com analgésicos durante um período prolongado ou usar medicamentos muito potentes para reduzir a dor; aplicar gelo ou calor local sem indicação médica; suspender toda a medicação que estava em uso; iniciar o uso de antibióticos sem prescrição médica.

2. Febre

A febre pode aparecer acompanhando ou antecedendo outras queixas. Se o caso de trata de uma febre baixa, entre 37º e 38ºC, persistente, pode indicar a presença de uma infecção ou apenas atividade persistente da doença, justificando uma a avaliação de mudança do tratamento em uso no momento. Se, por outro lado, surgir uma temperatura elevada, com picos de 39º a 40ºC, poderemos estar perante uma complicação aguda, eventualmente um abscesso ou outro processo infeccioso necessitando de tratamento agressivo.

Em caso de febre alta deve-se registrar a temperatura e tentar controlá-la com antitérmicos comuns. Um episódio de febre alta, sem causa evidente, em um doente com doença de Crohn justifica avaliação médica nas primeiras 24 horas. Nessas circunstâncias, não inicie o uso de antibióticos por conta própria, e contate rapidamente o seu médico.

3. Diarréia

A diarréia é uma manifestação da doença que, infelizmente, é bem conhecida. Em caso de agravamento súbito (aumento importante do número de evacuações, ou fezes subitamente mais líquidas) deve-se tentar descobrir a causa dessa piora.

Um indivíduo, com doença de Crohn, não está livre de poder ter uma banal gastroenterite ou uma intoxicação alimentar, mas essas condições poderão ter conseqüências mais graves do que em uma pessoa com o intestino saudável. Por isso chama-se a atenção para a necessidade de se respeitar as normas básicas de higiene, na preparação dos alimentos.

Além de infecções de origem alimentar, podem ocorrer infecções associadas ao uso recente de antibióticos, ou infecções facilitadas pelo uso crônico de corticosteróides (os medicamentos tomados recentemente ajudarão a interpretar a situação). A própria atividade da doença reduz a absorção dos alimentos e causa diarréia; nesses casos, a medicação habitual poderá ter que ser ajustada.

Como proceder se houver um agravamento súbito da diarréia? Deve-se tentar saber se outras pessoas da família também tiveram diarréia, além de se verificar se há febre ou outros sintomas. Registre quais os medicamentos usados mais recentemente, e se foi ingerido algum alimento ou bebida que não seja habitual.

Suspenda temporariamente a ingestão de leite, sucos concentrados de frutas e vegetais com fibras, mas mantenha a ingestão de líquidos ligeiramente açucarados, em quantidades pequenas, mas freqüentes para evitar a desidratação. As farmácias dispõem de soluções para hidratação oral que podem ser usadas nestes casos. Caso a diarréia esteja acompanhada de vômitos, não force a ingestão de líquidos e consulte o seu médico. Também deve-se evitar tomar medicamentos sem receita médica. Se a diarréia persistir ou se agravar, uma avaliação médica é indispensável.

Copyright © 2008 Bibliomed, Inc.                                        30 de janeiro de 2008.



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